A natureza nos avisa mediante um signo preciso de que alcançamos nosso destino. Esse signo é a alegria. (Bergson)

Esse livro não se vende como auto- ajuda, embora possa ajudar muita gente. O autor nos convida a conhecer a alegria verdadeira e profunda, a forma mais desejável de felicidade, baixo uma visão filosófica. E sim, há formas de provocá- la e cultivá- la nesses tempos de felicidade artificial da cultura narcisista e consumista. O que o autor propõe também não é a ataraxia (ausência de sofrimento e perturbações) proposta por Epicuro, pelos estóicos e os céticos/niilistas. Lenoir encontra alegria mesmo com as dificuldades da vida. A eliminação de problemas e tristezas não garante a felicidade nem a alegria.

Sou consciente de haver recebido muito da vida. Tive a oportunidade de ter pais cultos com os que aprendi muito. Quando era menino, meu pai passava generosamente uma boa parte do seu tempo livre nos lendo livros. Quando cheguei à adolescência, me fez conhecer a filosofia. Foi uma revelação. (F.L.)

O que é a alegria?

A alegria é uma força que nos empurra, é a manifestação do nosso poder vital, é um meio para alcançar esta força de existir. “O apaixonado na presença do ser amado, o jogador no momento da vitória, o pesquisador no momento da descoberta”, essa emoção, o prazer desses momentos, talvez sejam bons exemplos da forma mais concreta da felicidade.

O autor mostra três vias possíveis, concretas, para poder chegar à alegria. Parece que a alegria só pode acontecer se for espontânea, mas não é bem assim, temos que provocá- la:

A alegria é um poder, cultiva- la. (Dalai Lama)

Como disse o escritor Mathieu Terence:

A alegria não é voluntária. Nem se decide, nem se decreta tampouco. Há que se fugir como da peste daqueles que querem vender sua receita. Ao contrário, a alegria exige um clima favorável: um estado mental similar ao estado de graça.”

Lenoir propõe vários tópicos como a gratidão, a renúncia, a perseverança, etc, ilustrando com suas próprias experiências. Nesse momento, retiro o que disse a princípio…o livro é sim auto- ajuda mascarada de filosofia.

O mais ignorante dos homens é o que renuncia ao que sabe de si mesmo para adotar a opinião dos demais.” (Ahmad Ibn Ata Allah)

Bem, depois ele volta pra filosofia de novo. Cita Spinoza e sua visão sobre a alegria. Cita Jung e até Jesus, que foi dos poucos que colocou em prática o amor que pregou. A conclusão não é muito diferente do senso comum, o que Gandhi falou: ” a verdadeira revolução é interior”.

Ser capaz de encontrar sua alegria na alegria dos outros: esse é o segredo da felicidade. (Bernanos)

“Aceitar o mundo” é uma das formas de encontrar a paz e felicidade. Desligar- se do que acontece no mundo e “religar- se” é o termo utilizado para o caminho ao qual tentamos criar relacionamentos justos, verdadeiros, relações que nos fazem acreditar e nos fazem sentir alegres. Devemos manter longe quem nos asfixia. É questão de sobrevivência.

O autor considera a alegria completamente viável, mesmo para pessoas que passaram situações extremas, como as que viveram em campos de concentração. Nós consentimos a tristeza ou a alegria. O poder do consentimento é enorme. A gente permite, mesmo sem notar que a alegria ou tristeza se instale. Complicado, não? Então, cultivemos a alegria mesmo quando ela parece estar muito distante.

Bem, um livro água com açúcar, que fala de coisas triviais, leitura fácil pra passar o tempo esperando o avião, a consulta do dentista ou afins, nada profundo, muitos tópicos mastigados, só recomendo para leitores iniciantes.

Eu achei o autor bem charmoso, Frédéric Lenoir (Madagascar, 03/06/1962) é antropólogo e filósofo:

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Lenoir, Frédéric; El poder de la alegría. Plataforma, Barcelona, 2016. Páginas: 186

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