O rosto é o espelho da alma?


Há algumas teorias históricas que dizem que sim, que o rosto não só é o “espelho da alma”, como também pode medir a inteligência da pessoa. Uma dessas teorias, espécie de pseudociência, era chamada de “fisiognomia”, definida dessa forma*: “ciência auxiliar da psicologia que pretende determinar o caráter do indivíduo através das feições do seu rosto.

Essa teoria (falida hoje em dia) dizia das sobrancelhas, por exemplo: “as sobrancelhas espessas são símbolo de sabedoria, de força, de ânimo, de critério e talento”.

Na Antiguidade, acreditava- se que o rosto era reflexo da alma e um dos grandes difusores desse pensamento foi um italiano chamado Giambattista Della Porta. Ele era físico e parece que a ele é atribuída a descoberta do telescópio.

Segundo a fisiognomia, podia- se adivinhar o caráter das pessoas e qualidade ética comparando suas particularidades físicas com as de animais.

Mais adiante, um sujeito chamado Franz Joseph Gall, médico alemão nascido em 1758 e falecido em 1828, observou que os mais brilhantes colegas da universidade tinham os olhos esbugalhados (devia ser hipertiroidismo…hahaha). O médico, que era neurologista, achava que pelo tamanho do cérebro e o formato da cabeça era possível descobrir a capacidade intelectual do sujeito, a “frenologia”. Gall foi uma celebridade na sua época. Viajou bastante dando conferências.

Um aluno de Gall ampliou essa teoria  à área da criminologia e a polícia o levou a sério. Segundo Johann Cristoph Spurzheim, era possível saber se alguém era criminoso pela feição do seu rosto.

Outro italiano seguiu essa linha, Cesare Lombroso (1835- 1909). Ele afirmou que era possível descobrir quais eram as características dos criminosos. Ele usou a teoria da evolução de  Darwin e comparou homens e animais. Disse que os assassinos e roedores têm um afundamento da fossa occipital que faz com que o homem regresse à “animalidade”. O cientista concluiu que o comportamento criminoso não é consequência do mundo exterior e sim uma predisposição natural (por evolução) de alguns sujeitos, ou seja, que ser criminoso é característica inata de alguns seres humanos.

Lombroso estudou durante dez anos essa teoria. Juízes utilizaram seu trabalho com fim de avaliar sentenças duvidosas.

A antropologia física é estudada até hoje com objetivo de saber a história da evolução do homem. Os antropólogos tentam reconstruir o curso da evolução humana, mas não só: procuram estudar os processos biológicos e sociais e seus efeitos sobre os seres humanos.

A aparência, portanto, não é uma questão menor. Ainda existe entre nós, no inconsciente coletivo, muito da teoria dos nossos antepassados. Até bem pouco tempo pedia- se pessoas com “boa aparência” nos anúncios de emprego. E parece que persiste o estereótipo de pessoas com “cara de bandido”. Em países violentos, há pessoas que atravessam a rua quando, em sua direção, surge alguém com “aparência ameaçadora”. As pessoas sim são julgadas pela aparência.

Mas…as aparências enganam, não é?

* Gravura e informações retiradas do livro “Como medir o QI”, de Maria Díaz- Alonzo.

 

 

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