114 anos de Carlos Drummond de Andrade


No próximo dia 31 de outubro, o escritor mineiro de Itabira, completará 114 anos de nascimento. Jornalista,  funcionário público, poeta, contista e cronista, Drummond deixou uma marca forte e inexorável na literatura brasileira. Não entrou para a Academia Brasileira de Letras, mas é mais imortal que muitos imortais. Drummond teve 13 irmãos e seus pais eram primos.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Casou uma vez e teve dois filhos. Um menino que faleceu recém- nascido e Maria Julieta, paixão do escritor. Ela também foi escritora, mas sem o sucesso do pai. Morreu de câncer aos 57 anos. Drummond, de enfarte doze dias depois, não aguentou a perda da filha.

O autor fez parte do movimento modernista brasileiro (1922- 1960), que é dividido em três períodos com características diferentes. Carlos Drummond fez parte da segunda geração, publicou seu primeiro livro em 1930, “Alguma poesia”, oito anos depois da Semana de Arte Moderna, que inaugurou o Modernismo no Brasil. Os poemas de Drummond falavam da condição do homem, seus sentimentos e problemas cotidianos com muito “lirismo”. A poesia lírica comunica através de ritmo e imagens os sentimentos e emoções do poeta, seu interior.

Há críticos (acabei de ler Jorge Henrique Bastos) que consideram que Drummond foi a voz mais importante da poesia brasileira do século XX.

De hoje até o dia 31, irei postar poemas de Drummond no Facebook, acompanha lá!

O que escolhi para hoje:

NÃO PASSOU

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?

Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.