Resenha: “Dilmês o Idioma da Mulher Sapiens”, de Celso Arnaldo


Por Gerson de Almeida

Tentei Rir… Acabei aos Prantos: Dilmês o Idioma da Mulher Sapiens

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(Do site: http://www.dilmes.com.br)

        O título não é uma piada. Não mesmo. Comprei o livro Dilmês o Idioma da Mulher Sapiens (Celso Arnaldo Araujo. Record; 209 págs.) pensando nas boas gargalhadas que daria e na merda jogada no vento podre do ventilador. De início ri carurus e vatapás, mas depois de enquadrar a situação… Fiquei perplexo. Me vi traído pela vadiagem da expectativa do escárnio. Creiam: a cada página só se pede mais piedade com a descerebrada Dilma e interrogações do tipo: quem é realmente essa senhora?

           Pois é, como indica a suspeita acima, Celso Araujo, de um clique, percebeu algo estranho na “linguagem” da presidente… Decidiu investigar! Todos os discursos estão disponíveis no site do Palácio do Planalto (como são maldosos!), e, para glória de Celso e terror dos sensíveis aos ataques facinorosos à última flor do Lácio, incorrigidos; ou seja, com todos os erros grotescos da presidanta, quero dizer presidenta, ou melhor, da presidente. Advirto: cuidado! Ainda que sejam cautos e estejam devidamente preparados, verão coisas inimagináveis. Pois, se a leitura, cujo atrativo é o que tem de ruim – e isto nada tem a ver com a escrita e o talento do escritor –, já faz chacina neuronal, imagine ir à fonte…? Quem acha a regência presidencial de Dilma catastrófica, que não leia o livro de Celso Araujo; a concordância, a grafia, a regência nominal, verbal, e todas as outras regências cabíveis na gramática, são pichadas com o pior dos pincéis: a língua do imbecil ininteligível; a presidente faz os diabos com a língua que eternizou Camões.

       Comprei o livro pensando em rir e acabei aos prantos, com pena desta senhora. Deve ser degradante para as mulheres – que se sabem senhoras de seus valores e preceitos de conduta, cônscias das lutas travadas, de suas posições no cenário social –, vê-la macular o espaço que conseguiram com tanto esforço, pois ao sustentar que É a primeira mulher a “comandar” o país, acaba por levantar a questão: será que ainda veremos cena – mesmo à distância – parecida com estes oito anos? Não creio que as mulheres, e falo de mulheres estudiosas, dedicadas, fortes, se viram representadas pela coitada que enverga vergonhosamente o papel de governanta no Planalto. Conheço e converso com analfabetas – porque se dizem analfabetas –, mais interessantes do que Dilma (uma destas destrinchou José de Alencar pra mim na Biblioteca Municipal, acabou com cem anos de crítica literária tupiniquim).

       Como poderá notar quem quer que leia a obra, ao contrário das falas e pedradas do seu personagem principal, o livro é bem escrito. É o convite mais sincero à lucidez, à visão nefasta do que fizeram com o país e sua cultura que teve de Machado de Assis e Rui Barbosa a… Complete com o nome que lhe vier à cabeça. Dilma?

       Celso escreve muito acima da média, é talvez o único homem a se embrenhar nos discursos de Dilma e sair com o cérebro em perfeito funcionamento, tem humor bem encaixado, preciso, e, creiam, é difícil fazer rir com palavreado inteligente por aqui, por mais que nossos políticos deem pelota com o gol aberto. O cronista, de comicidade mais ácida, corre o risco de cerceamento. O humor, sobretudo o bom, sobrevive das migalhas deixadas pelo articulismo político escroque de gente do tipo de Paulo Moreira Leite e Paulo Henrique Amorim – “os santos” que não enxergam os demônios no antro.

         É notória a dificuldade da presidente em falar de improviso, armar mínimas frases, a menor concordância já é trabalho hercúleo. O discurso dela “saudando a mandioca (ver no Youtube. Repito: cuidado!)”, a apresentação de “uma bola que era… Uma bola!”, a própria descoberta da “mulher sapiens”, os discursos de entrega das chaves do programa “Minha Casa, Minha ‘Dívida’” da vida… São realmente atos desastrosos no seu amplo teatro de horrores. Quis colocar trechos destacados do livro, mas apareceram tantas linhas vermelhas na tela do computador que parecia estar escrevendo sobre a camisa do Barcelona (a fonte do meu computador é azul). Dilma é um nascedouro misterioso como o Nilo, porém imprevisível, errante (duplo sentido aí) e inesgotável de erros de todo tipo. Ela transformou o ruim em categoria degraus acima do péssimo, embora seja indigna de qualquer dos adjetivos. Aliás, é indigno chamá-la de indigna, pois esse vocábulo tem significado… Ela não.

       Não! Não exagero. Provo: durante uma sabatina na CNI, Confederação Nacional da Indústria, discute o preço do gás no mercado interno, cita o valor do produto – 4 dólares o BTU (British Termal Unit) –, afirmando não ser o mesmo do mercado internacional. Então sapiente, incorporou o vermelho Keynes, apontou o preço do utilitário na Ucrânia, 13 dólares, em comparação com a alta inflacionária daqui – ninguém conseguia entender de onde vinha ou para onde ia – e soltou a conclusão: “4 para 13 dá 7.”. Oi! Como é?! Onde enterramos o cachorro?! Ela tem, teve, ou terá numa outra dimensão, mestrado em economia pela Unicamp! Agora imagine que a “otoridade” máxima da republiqueta soltou esse calango cego? Dá pra ver o tamanho do precipício? Essa senhora seria facilmente ludibriada pelo verdureiro na simples compra de limões galegos, pior: seria capaz de comprar e, na saída, dar o troco ao verdureiro. Este foi um dos tantos tropeços que Celso Araujo garimpou, o único que não deixou a tela cheia de listras vermelhas.

       Tem erros menores, porém não menos grosseiros. A presidanta ainda não foi explicada sobre questões de gênero. Em vários de seus “comprimentos” – ela não cumprimenta ninguém! – inicia sempre: brasileiros e brasileiras, meninos e meninas, velhinhos e velhinhas, cachorros e cachorras. Seus assessores, que ainda não terminaram o maldito 2º grau, não explicaram a (des)governanta que ao “comprimentar” os brasileiros está incluso aí cada um dos infelizes que têm o desprazer de escutá-la esfregar sua incontinência desgramatical no que resta de cultura da língua.

       Entre as curiosidades sobre a presidanta tem o fascínio dela pelo escritor cubano Leonardo Padura, o novo Lacaio de Fidel. Adoraria escutar a conversa entre os dois, pois Padura, apesar dos apesares, é um excelente escritor (O Homem Que Amava os Cachorros é excelência em literatura) e ela, dizem seus asseclas, é devoradora de livros, mas quando perguntada sobre o que está lendo, se desespera como se fosse perguntada sobre que diabos que dizer a Teoria da Relatividade se misturada numa receita de rosquinhas com queijo suíço – olha pros lados à procura de socorro; pior é que encontra. Se você não lembra que livro está lendo, como vai lembrar o que ainda anseia ler (se é que lê)? Guilherme Fiuza, além de combater os desmandos da petralhada, cravou: “como pudemos (eleger tamanha incompetência)?”, a pergunta era para daqui a cem anos… Quando os estudiosos dissecariam nosso tempo. Não deu. O presente reclamou-a com necessidade mais que rugente.

       Para encerrar, porque estou cansado de olhar a cara feia dessa comédia, quero pedir um favor e um perdão. Favor: parem de chamá-la de anta. Perdão: a todas as antas do planeta. Ofendi a vossa memória e cultura. Vocês, com seu antês, que é anterior à Arca e superior ao dilmês, se entendem e se fazem entender entre seus pares – a gente, pelo menos a parte alfabetizada, não consegue se entender com o dilmês.

 

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6 Comments »

  1. A gente ri. Mas toda a situação e, principalmente essa personagem, é digna de pena e de choro. Choro por toda uma nação ter apostado em cavalo manco. Estava na cara que daria nesse fracasso todo. Mas, infelizmente, não tivemos visão, informação e maturidade suficiente para ver tudo isso. Estamos pagando o preço.

  2. Já tinha parado pra ler essa pérola em uma livraria perto de casa. O livro é um tapa na cara. Às vezes não enxergamos o absurdo quando ele está diluído em meio à fumaça criada por assessores, técnicos e o poderoso pancake do marketing político. Mas ver Dilma nua e crua, como ela realmente é, dá muita vergonha de ser brasileiro.

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