Youtubers: primeira, segunda e geração zero


Comecei a assistir vídeos aleatórios no YouTube e caí em alguns de humor. Do humor passei a ver os “vloggers” (que têm muito de humor também).

Lembrei que via o PC Siqueira antes dele passar para a finada MTV. Ele faz o MasPoxaVida, está (ou estava) meio deprimido, coitado, é difícil administrar a fama sem pirar, muita gente que fica famosa passa por esse tipo de problema, principalmente quando o “boom” passa. Força PC!

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PC e Rafinha, mais conhecido como Arroz de Festa, está em todas.

PC e Rafinha Bastos (que morre de medo de AIDS e é fã da Wanessa Camargo), O Pequeno Nerd e Felipe Neto (que eu nunca achei graça), fazem parte de uma leva de vogglers que viraram celebridades, alguns passaram para a TV, começaram a fazer várias coisas, a ser muito requisitados. Agora são chamados de “a primera geração”, que mistura- se com a segunda geração.

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Castanhari, Japa e Rafinha

A segunda geração, possivelmente, pouco conhecida pela maioria das pessoas com mais de 30 anos, arrasa na Internet com milhares de visualizações. Alguns passaram do Youtube às participações em programas de TV, revistas, lançaram livros, e- commerce, entre outros. Dos que mais gostei, vou citar alguns; normalmente, eles têm um canal profissional e outro pessoal que chamam de “daily vlog”, onde contam seu cotidiano:

Pyong Lee, de São Paulo, descendente de coreanos, faz mágicas, seus vídeos são muito engraçados e criativos. Ele é formado (ou está para se formar) em Direito, antes do Youtube passou pelo SBT, apareceu em programas como o da Eliana. Adorei os vídeos da sua viagem à Coreia. Manda um beijo pra fofa da sua avó, Jaime (ou Jairo?)!

O “Japa” do Rio de Janeiro, que não é dos mais constantes, mas faz vídeos engraçados. Ele é filho do empresário Mauro Morizono (era ou é dono da Davene) casado com a Nani Venâncio, aquela que quase morreu por causa de um AVC. O Japa tem o mesmo nome do pai.

A Kéfera é um fenômeno, ela tem quase 6 milhões de inscritos no seu canal “5incominutos”, já tem livro e peça de teatro.

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Kéfera

O Gustavo Stockler é (ou era, não sei) namorado da Kéfera, ele é dono do canal “No me gusta”. O menino é de Osasco e fotografava shows antes de virar vloggler.

Patrícia dos Reis, era atriz do canal de humor Galo Frito, ficou muito conhecida por causa de um vídeo viral, onde ela tenta entrar em uma calça 34. Paty tem um canal, já escreveu livro também.

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Castanhari e Paty

Paty é a namorada de Felipe Castanhari, do canal Nostalgia. Os dois são de São Paulo. O Fê faz vídeos legais das “antrolas”, veja esse que legal sobre os Mamonas, fiquei até com saudade daquela alegria toda.

Christian Figueiredo, do “Eu fico loko”, já lançou dois livros, dá palestras (até em uma universidade), viajou pelo Brasil para  lançamento dos seus livros. É um dos mais populares e simpáticos, ele expõe sua vida pessoal junto à namorada Aline. Recebe presentes do Brasil todo, mora sozinho em São Paulo.

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Christian, o “Loukão”

Esses vogglers são amigos entre si, encontram- se e fazem vídeos para o canal um do outro, descobriram que isso aumenta as visualizações.

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Pyong e Gustavo

Assistindo esse pessoal da segunda geração cheguei à algumas conclusões:

  • A geração 2000 é muito mais livre em todos os sentidos do que a minha foi na adolescência, ser adolescente agora no sentido das liberdades pessoais é muito melhor, menos repressão e caretice. Falam muito mais abertamente sobre sexualidade, os meninos não têm pudores em beijar e abraçar meninos, não temem ser chamados de gays ( e se forem, tudo bem também), inclusive brincam com isso, o que demonstra que o machismo também está ficando fora de moda, ufa!
  • As meninas mostram- se como os meninos, muito mais liberadas sexualmente, não existe uma preocupação em esconder ou fingir que são virgens. O feminismo gerou boas crias, aleluia!
  • O Youtube parece, mas não é brincadeira, pode gerar bons lucros e oportunidades. Essa turma encara como um trabalho e é mesmo.
  • Podemos aprender muito com os jovens.
  • Uma preocupação: como ficará essa turma quando essa onda passar? Porque vai passar. O tipo de humor que fazem só é engraçado durante um tempo, daqui a pouco vai perder a graça.  O humor é tão volátil quanto a juventude.
  • Como ponto negativo: a falta de estudo e conteúdo mais sólido é bem visível em muitos deles, tudo muito repetido, tudo muito parecido, faltam recursos. Estudar é a solução, o público vai crescer e os youtubers devem crescer também, reinventar- se; outro ponto, há um excesso de palavrões e escatologia, a linha entre a graça e o mau gosto é bem sutil e muitas vezes ultrapassam, parece que vale tudo para que o vídeo seja muito visto e isso é perigoso.
  • Essa ultra- exposição, esses reality shows, esses Shows de Trumman consentidos, podem ser alguma espécie de síndrome narcisista? Psicólogos de plantão, opinem.
  • Vendo os daily vlogs dessa turma, o tempo todo temi ( tê tê tê) pela integridade física das crianças, que mostram casas, endereços, viagens, festas. O Japa mesmo, classe média alta ou alta, já que seu pai é industrial…um país tão perigoso. Enfim, devem saber o que fazem e os riscos implicados.
  • Crianças que estão crescendo na era digital são uma safra sui generis, só mais pra frente saberemos as consequências disso tudo.

A primeira geração, a segunda geração e eu sou da Geração Zero, aquela que já trazia o bolo feito, enquanto essa turma ainda nem tinha plantado o trigo. Eu vi tudo acontecer desde o princípio. A minha geração criou o Youtube (Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karim, todos nasceram na década de 70), o Google ( o Sundar Pichai, o CEO, também dos anos 70) e Paul Buchheit, criador do Gmail e do Adsense, programa que faz a galera ganhar uma graninha nas redes sociais, só para citar alguns. A minha geração é a criatividade e inovação total. Se liguem nos 70. Agora é a época do pega e cola, triste.

Eu fiz vídeos de livros quando ainda não estava na moda, fiz uns quatro vídeos e por falta de tempo para gravar e editar na época, acabei deixando pra lá. Mas vou retomar, o canal Falando em Literatura TV já está criado há algum tempo, quando subir algum vídeo eu conto pra vocês.

E você, o que vê no Youtube? Já pensou em criar vídeos? Hoje em dia muito fácil com os smartphones ou câmaras baratas e com muito boa qualidade. As action cam Go Pro ou da Sony, as mais usadas para fazer cenas de ação na rua, pois são muito pequenas, discretas, fáceis de usar, aguentam impacto, são submergíveis e as câmaras digitais; as réflex têm qualidade profissional e são muito acessíveis. Enfim, que tal experimentar o cineasta que mora em você?

Quem já leu o livro desses vloggers? Conta!


UPDATE setembro/2016:

  • Eu ainda não ativei devidamente o canal Falando em Literatura, só tem uma chamadinha de poucos segundos e um vídeo da Feira do Livro de Madri.  Mas penso em criar um canal de generalidades e a vida na Espanha.
  • Christian, que está gravando um filme sobre a sua vida,  não namora mais Aline.
  • Patrícia não namora mais o Castanhari.
  • O maior youtuber brasileiro é Whindersson Nunes, com 10 milhões de inscritos.
  • Eu substituí a TV pelo YouTube, é muito mais gostoso fazer a própria programação.

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12 Comments »

  1. Pra mim, o grande problema dos youtubers brasileiros é que 90% deles se preocupam em ser engraçadinhos e/ou parecerem mais nerds do que realmente são – alguns, inclusive, se comportam, vestem e falam como adolescente quando na verdade têm mais de 30/40… Gostaria de ver youtuber mais interessantes, abordando temas variados, fora da tríade HQs/música pop/baladinhas

  2. não me sinto a vontade na frente das câmeras e confesso que não sou muito fã de vlogs me dá uma certa aflição as pessoas ficam o tempo todo passando a mão nos cabelos,fazendo caras e bocas isso acaba me distraindo do assunto do vídeo

  3. Bem… acho triste. Não acompanho nada disso, tenho “preguiça” (como alguns desses dizem) de tanta superficialidade.
    Eu já pensei em fazer um canal de vídeos, mas dada minha pegada mais “vamos refletir” (com, ou sem humor), acho que não vingaria, como tudo que faço. Colocando na balança tempo, disponibilidade e trabalho x expectativas… acabo adiando sempre 😉
    Não sou psicóloga, mas se tivesse que opinar diria que é uma geração narcisista em partes e preguiçosa em outras (pra falar de vc não precisa pesquisa, reflexão…), já pra falar da sociedade, do humano, entre outros temas…
    Será que estou enganada?
    Até. (Ando sumida – muito trabalho).

    • É um assunto que dá pano pra manga. Eu pensava como você, mas pensei que posso estar errada. É outra geração, o que pra mim pode parecer estranho, pra eles não, já nasceram imersos no mundo virtual, é natural. Muitos youtubers ganham muito dinheiro com os vídeos e oportunidades que surgem por causa disso. Não sei, ainda estou refletindo…

  4. Tem YouTubers brasileiros e gringos que são ótimos e tem algo a dizer e produzem coisas boas. Tem canais ótimos tipo Veritasium, Manual do Mundo, VSauce, Every Frame a Painting, The 8 Bit Guy, Native Lang, Nerdologia, School of Life. Esses canais agora tem um sistema de legendas que não são geradas automáticas, e sempre tem videos legendados em Português.

    Mas, quando você abre a página inicial do YouTube só tem youtuber moleque mimizando sobre nada, fazendo alguma birra, fazendo pegadinha de mal gosto ou pagando de pós-adolescente nerd mais caricato que Sheldon Cooper. Ou tem alguma figura politizadough! de direita ou esquerda falando alguma opinião idiota sem base nenhuma. Em suma: Se for pra assistir lixo, piada sem graça e apelação para chamar a atenção gratuitamente, melhor assistir o faustão.

    Mas, se você tem algo a dizer, algo a ensinar, algum hobby ou paixão para passar para os outros, faça um canal, porque o YouTube em geral está precisando muuuito de coisa boa.

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