Os sebos, você é cliente?


Confesso: tenho uma certa resistência aos sebos por uma questão higiênica, mais que qualquer outra coisa. Tenho uma certa resistência às bibliotecas públicas e ao empréstimo de livros pelo mesmo motivo. As pessoas comem e bebem lendo, lavam sempre as mãos quando pegam um livro? Lêem em lugares públicos, na rua, em ônibus, parques, trens, sentam em livros, os colocam no chão. Os livros sofrem e são vítimas dos germes e bactérias. Vítimas de espirros e fluidos humanos de todas as qualidades. Os livros usados são comida para fungos, ácaros, insetos e outros bichos estranhos. Notou a minha apurada noção dos seres invisíveis e prejudiciais à saúde? Pois é. Eu entro em um sebo e espirro e me esquivo e me agonio e saio rápido.

Com tudo isso, com esse ataque hipocondríaco evidente, reconheço o valor e necessidade dos sebos. Dormem neles verdadeiros tesouros, edições esgotadas, anotações interessantes de seus antigos leitores, dedicatórias de escritores importantes e a curiosidade, “por que alguém se desfez desses tesouros?”. A morte, a falta de espaço, o desinteresse, a falta de dinheiro. Dinheiro. Os sebos são baratos. Veja esse, na Calle Alcalá em Madri, Espanha. Por 10 euros você leva os títulos que quiser. Individualmente, valem 2,90 euros. Entrei para ver o que tinham de literatura brasileira. Quase nada, um livro e era em italiano; e outro de um português, veja:

11403183_472207096268189_5093967367782752670_n“Nas asas dos sentidos” prova que a literatura não tem limites nem exclusões. Augusto Deodato Guerreiro é um professor português, doutor em Ciências da Comunicação, vê pouco, mas enxerga longe.

11401156_472207122934853_8406705896811813826_nA letra evidenciando o problema visual do poeta Deodato Guerreiro. Guerreiro mesmo. E a dedicatória ao professor….Félix?

11401374_472207172934848_6687936878467399946_nE a edição italiana de Tieta, de Jorge Amado.

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“Tik Books”, na rua Alcalá, Madri.

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Um sebo ou loja de livros usados na capital espanhola. Em Madri há duas lojas, veja.


 

E você, costuma frequentar sebos? O que já encontrou de interessante neles?

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15 Comments »

  1. Oi Fernanda, sou alérgica a ácaros e fungos então sei bem como é entrar em um sebo e logo começar a espirrar, mas em Niterói (RJ) existe um sebo que é um verdadeiro paraíso. O local é mantido por um senhor que realmente ama literatura e cada visita ao local é uma verdadeira aula. Infelizmente não lembro o nome agora, mas é perto da rodoviária e por ali todos conhecem. E foi lá que comprei um dos meus grandes tesouros: a obra completa de Eça de Queiroz, toda em papel bíblia.

  2. Adoro sebos. Os ácaros de livros também merecem amor! Nada que um sabão e um arzinho nas páginas não resolva, ahaha
    Enfim, é só lá que a gente encontra esse tipo de coisa: livro com dedicatorias, autografos, etc. É como se fosse um bônus, uma história a mais em um livro só. 🙂
    Relaxa que os bichinhos de livro não matam você não, aproveite o amor que é um sebo.

  3. De vez em quando, eu não resisto e preciso entrar.

    E o lance não é “Eu quero comprar”. O lance é a curiosidade e a companhia de estantes, cheias de “testemunhas” de vidas e épocas passadas. Curto o cheiro, o ambiente.

    De vez em quando, um livro me encontra (e não ao contrário), e eu não resisto e compro.

    Por falar em higiene: vale lembrar que aplicativos eletrônicos móveis “sofrem” do mesmo jeito:
    http://www.iinterativa.com.br/infografico-10-germes-habitam-seu-smartphone/

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