Resenha: “O centro das nossas desatenções”, de Antônio Torres.


(…) Com sua numerosa Corte traz a Biblioteca Nacional, com mais de 14 mil livros, além de documentos, salvos do terremoto de Lisboa, em 1795. (p.68)

Por que as pessoas nascidas na cidade do Rio de Janeiro são chamadas de cariocas? Por que o Rio de Janeiro recebeu esse nome? Quando e como aconteceu o primeiro grande baile na cidade? Como se deu a colonização carioca? Aonde começou a cidade? Por que os “almofadinhas” são chamados assim, qual a origem do termo? Quer conhecer essas e outras curiosidades sobre a cidade do Rio de Janeiro colonial, imperial e republicano? Leia essa obra!

Já começa interessante pelo título, boa sacada: “O centro das nossas desatenções”. Normalmente, os centros da cidades brasileiras parecem que não recebem a atenção merecida, nem por parte das autoridades, dos comerciantes e empresas em geral, nem pelos pedestres, que passam diariamente sem ver as suas mudanças paulatinas e constantes durante o tempo.  O centro fica lá, um monumento carregado de histórias e esquecimento. Quer dizer, ficava. Antônio Torres (Sátiro Dias, 13/09/1940) com o seu olhar atento de turista (que nunca se deve perder, mesmo sendo nativo, mesmo morando num lugar há muito tempo) desfaz essa injustiça em relação ao centro da Cidade Maravilhosa. Mas não só: aponta também as suas mazelas, a parte perigosa e desagradável da cidade; também as invenções arquitetônicas que não deram certo. No Rio tem de tudo. Tudo mesmo!

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Este livro é uma crônica de memórias, autobiografia, um pequeno tratado da história do Rio de Janeiro em todas as suas fases, desde a sua dominação até a contemporaneidade.  Esse livro resgata a história da colonização e cita Cunhambebe, personagem de “Meu querido canibal”, livro espetacular do mestre Antônio, traduzido na Espanha. Um passeio pela arquitetura da cidade, suas ruas, bares, pontos-de- encontro, seus personagens e muita informação, tudo isso entremeado com fotografias reais dos lugares descritos. Antônio Torres conhece o Rio de Janeiro “como a palma de sua mão”. E aposto: mais que muitos nativos e até os mendigos, residentes fixos no centro da cidade.

Eu sou uma apaixonada pelos centros das cidades de um modo geral; no centro mora o caos sim, mas também mora toda a história e as “aves raras”, as mais interessantes; ali está a arte em todas as suas vertentes, todos os ritmos e sabores; é no centro que mora a boemia. Gente de subúrbio, de condomínios, de bairros nobres…é tão…tão…padronizada. Passear pelo centro é uma aventura sim,  é onde tudo pode acontecer. O mestre Antônio Torres cita Érico Veríssimo:

Amar é conhecer.

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 Torres, Antônio. O centro das nossas desatenções. Record, Rio de Janeiro, 2015. 79 páginas