Quem tem medo de Virgínia Woolf?


QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?!

– EU!

 Há algum tempo venho pensando: as mulheres que mais me fizeram mal, nunca encostaram um dedo sequer em mim; nenhuma delas passou perto de me dar um “bom dia”, ou pegar o lotação comigo; nenhuma delas passou próximo à minha rua, jamais conheceram alguém parecido comigo e jamais se interessariam pela minha opaca existência; ainda assim insisti em segui-las, procurá-las e me apaixonar por elas. Virginia Woolf, com sua verve, sua prosa sensual, sua lascívia disfarçada, abscôndita nas entrelinhas de períodos longos, como este se propõe a ser e exige rigor, ritmo e tensões que pontuem suas oscilações, é a platonic passion que assola meus dias com furor, solidão e desespero ultimamente. Me apaixonei mesmo!

 “A romancista inglesa foi um tipo acabado de onésima. Onésima, segundo a classificação de Jaime Ovalle, é a pessoa que duvida, sorri, desaponta, gela, com um senso de humor que aterroriza as pessoas de fácil ebulição emocional.”, me disse Paulo Mendes Campos, depois de um caldo de cana com crepe e umas quatro – ou foram quarenta? – cervejas; quanto a “segundo a classificação de Jaime Ovalle”, não pude confirmar. Até liguei, mas não me atendeu. Devia estar caminhando com seu anjo da guarda no calçadão de Copacabana como fez várias vezes (enquanto deixava Mário de Andrade embasbacado com sua “conversa angelical”).

 Mas, quem foi Virginia Woolf?

Virginia Woolf

“Quem era eu então? Adeline Virginia Stephen, a segunda filha de Leslie e Julia Prinsep Stephen, nascida em 25 de janeiro de 1882 (– 1941), (…) no meio de uma enorme rede de relações, não de pais ricos, mas de pais bem situados na vida, nascida num mundo educado, extremamente afeito a se comunicar, a escrever cartas, a fazer visitas, a se expressar bem – o mundo do final do século dezenove”, disse a própria, à época já urdia o plano definitivo do derradeiro mergulho no fundo do rio Ouse.

 Descobri curiosidades ao ler Mrs Dalloway, uma delas: se Michael Jackson, antes de suas 501 cirurgias, tivesse assistido As Horas, filme baseado em As Horas, livro de Michael Cunningham baseado em Mrs Dalloway, romance de Virginia “Loba” Woolf, teria visto a nareba que deu o Oscar a Nicole Kidman e ficaria com sua nareba original. Pelo menos partiria, desta para uma pior, com algo natural por onde o oxigênio passa até os pulmões. Mas Mrs Jackson, que além de grande músico e moonwalkerdancer, queria evoluir intelectualmente: leu Mrs Dalloway. Viu a foto de Woolf na contracapa, correu louco pelas ruas de Los Angeles e, quando retornou à Neverland, se olhou no espelho, viu seu nariz parecido com o da Loba. Foi o suficiente: tinha que trocar. Passou a ir no consultório de Ivo Pitangui e exigir “cirurgias corretivas” como uma criança desvairada fazendo birra numa loja de brinquedos: “quero este aqui, esse também, e aquele ali, e aquele outro lá, o outro dali também, na semana que vem tô aqui de novo…”. Agora você sabe como e por quê Jackson ficou louco: um coquetel potente de Virginia Woolf e autoestima abalada.

 Assim era Virginia Woolf: “(…) possuía em alto teor todas as nossas fraquezas e todas as qualidades que gostaríamos de possuir. Além disso era linda. Não de uma beleza caída do céu por descuido, mas de uma beleza conquistada através da solidão, da contemplação, do ritmo, uma beleza que se desenvolve de dentro pra fora e se estampa em ossos angulares e linhas inesperadas. Uma beleza apesar dos outros. Contraditória e quase irritante. Uma beleza feita de imaginação em movimento, não de reflexão, uma beleza de água.”, depois de fazer essa descrição do encanto e fascínio de Woolf, Paulo MC seguiu, respondendo antes à pergunta-título que faço (e dou minha resposta) no início do artigo: “todo mundo!”.

A trama de Mrs Dalloway é bem simples, tudo se passa num dia de junho de 1923. Eis o paradoxo: tudo se passa num dia, mas o método usado para contar os acontecimentos deste dia e de outros, tanto passados quanto vindouros, é o centro do mundo imaginado pela Loba. Ela está preocupada em captar os recônditos da mente, os labirintos da memória, as hesitações e as incertezas, as contradições e as fraquezas da “natureza humana”, bem como a forma pela qual o tempo tal como percebido e sentido pela mente humana difere, de maneira fundamental, do tempo medido pelo relógio e pelo calendário. A trama dos fatos e dos acontecimentos e das relações cede lugar ao emaranhado dos sentimentos e das emoções, dos pensamentos e da lembranças – sem espaço à dúvida ou intangibilidade.

 O Dia: um dia de junho. Comentaristas, críticos, estudiosos, curiosos e ornitólogos, camelôs, bibliotecários flanelinhas e até alguns leitores de gibi, se divertem em especular qual seria o dia exato de junho de 1923. Eu tenho o meu dia: 15. Por quê? Se não me falha o pouco que guardo na cachola, o Bloomsday foi fundado em 16 de junho de 1904 e era uma quinta-feira; Mrs Dalloway sai à compra das flores numa quarta-feira de junho – mesmo sendo em 1923 e como o tempo é extremamente relativo na prosa da Loba: o dia de Clarissa Dalloway (ou Dallowaysday? Talvez por isso Mrs Dalloway não tenha um dia como Bloom tem o seu. No fundo os dias, de Clarissa Dalloway e Leopold Bloom, são todos os dias, o dia do comuns, dos heróis anônimos de esquina em esquina, o dia dos que sobrevivem e seguem para lutar a mesma batalha na manhã seguinte; a eterna reunião da vida em torno de Um Dia Comum; como expresso nas palavras de Peter Walsh “a vida tinha o dom de fazer um dia se seguir ao outro”, com naturalidade destituída de mistério ou mística, assim, fica aqui o apelo pelo Dallowaysday.) é 15 de junho. Poderia ser 17, mas como, creio, tem alguma ligação com seu pai (Ulisses, de Joyce), e por ter sido numa quarta-feira, fico com o Dia 15. Os anos estão distantes, porém Clarissa vai à rua um dia antes de Bloom: tem que ser dia 15! E já perdi tempo demais neste parágrafo! Quem quiser que faça uma boa pesquisa e me mostre o resultado (aguardo).

 O certo é que existiu uma Mrs Dalloway, ou uma vida que inspirou a criação dela. “Com seus olhos azuis, os cabelos louros e toda pose, Katharine ‘Kitty’ Maxse era uma socialite de almanaque”, me disse Celia Blue Johnson, depois de duas caipirinhas, três chopes, um acarajé, um abará, dois caldos de sururu e umas quarenta – ou foram quatro? – cervejas. Katharine era muito amiga de Julia Stephen, melancólica mulher de classe média, mãe das irmãs Vanessa e Virginia. Após a morte de Julia, Katharine sentiu-se na obrigação de ajudar suas filhas adolescentes – retribuindo, assim, um favor casamenteiro. Katharine preferia Vanessa, extrovertida e gregária, à tímida e desajeitada Virginia, que talvez tenha reagido mal, mas de qualquer maneira nunca gostou da mentora: era um pouco “on the wave” demais para o seu gosto.

 “A enigmática socialite já conseguira introduzir-se nas páginas de Virginia como Clarissa Dalloway em seu primeiro romance, A Viagem. Era o modelo perfeito para a Sra. Dalloway, mulher de refinada educação cuja vida gira em torno de expectativas sociais. Mas Virginia ainda se sentia compelida a explorar mais o personagem em outra obra de ficção. Pretendia enredá-la à uma narrativa numa coletânea de histórias interligadas, cujo título provisório era Em Casa ou A Festa, asseverou Celia.

Após levar um tombo em casa, Katharine “Kitty” Maxse faleceu. “No leito de morte, queixou-se: ‘jamais me perdoarei por semelhante descuido.’, Virginia não se convenceu, suspeitando de suicídio”, dizia, enquanto namorava as bolhas de cevada gelada no copo barato. “Contudo, depois de tomar conhecimento do acidente de Katharine, Virginia decidiu transformar o conto num romance. E a morte de Katharine, curiosamente salvou a Sra. Dalloway”, concluía minha parceira de carraspana. Eis o surgimento de Mrs Dalloway tal como lemos: “a Sra. Dalloway deveria matar-se, ou talvez simplesmente morrer no fim da festa”, teria comentado Virginia, mas “(…) decidiu deslocar o foco de seu relato do terrível destino de uma mulher”, quero fazer “um estudo sobre a insanidade e o suicídio: o mundo visto pelos sãos e os insanos lado a lado”, ela escreveu no diário, jura Celia. “A morte continuou pairando no fim do livro, mas a Sra. Dalloway sobreviveu (à vingança da Loba)”, disse, quando me despedi, já com os olhos revirados – era hora de pôr o copo de boca para baixo.

Quando “a Sra. Dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores”, deu-se início a narrativa do simples, aparentemente banal, mas intensa e claramente motivada por emoções. Entrando na mente de Clarissa, personagem principal, e desta à de Peter, indo desta à dos outros, é preciso ficar atento, senão tem que voltar e reler o parágrafo inteiro (como fiz algumas vezes). A Loba salta pocinhas como se escrevesse um texto denso e tenso com a leveza de plumas ao vento – estas plumas, soltas ao vento, escrevem histórias às quais a vida da gente se enlaça sem que aja espaço para pensar em romper o laço.

Como o estado emocional da Loba sempre inspirou cuidado e vigilância, houve idas e vindas na escrita de Mrs Dalloway. A princípio se chamaria As Horas, e sob esse título desenvolveu alguns temas, mas depois mudou definitivamente para o nome com o qual foi a prelo. Houve questionamentos árduos: “(…) agora o que sinto sobre minha escrita? – este livro, quer dizer, As Horas, se for esse o título? Deve-se escrever a partir de um sentimento profundo, disse Dostoievski. É o que eu faço? Ou invento a partir de palavras, amando-as como eu as amo? Não, não creio. Neste livro tenho ideias até em demasia. Quero apresentar a vida e a morte, a sanidade e a insanidade; quero criticar o sistema social, e mostrá-lo em funcionamento, em seu mais intenso grau”, e assim o fez: atacou o conservadorismo inglês, alfinetou a questão britânica na Índia, a sociedade inglesa e sua faceta, a fé e a religião também foram abordadas em suas instâncias de beleza e crueldade.

Evidenciou com imperiosa nitidez o dilema do suicídio: “em resumo, isso de viver ou não viver não é uma coisa da exclusiva conta de cada um?”, ainda persistindo na ideia do suicídio, uma passagem pelo labirinto mental de Septimus Warren Smith, que já tinha aparecido anteriormente numa história inédita “O Primeiro-Ministro”, dá a noção do outro extremo do meteoro “fora embora (…) deixando para trás um bilhete absurdo, como os escritos por grandes homens e lidos, depois, pelo mundo, quando a história de suas lutas se tornou famosa”, aqui, creio, tem-se a definição de quem é Virginia Woolf ao longo da narrativa: Clarissa e Septimus. A vida e a morte, respectivamente. Gatos, ratos e baleias sabem do bilhete deixado pela Loba, um “bilhete absurdo” que foi lido pelo mundo depois que sua luta contra/por suicídio se tornou famosa.

O amor dá as caras, sob a tragicidade do inferno conjugal vivido por Rezia Warren Smith, dizendo uma das frases mais belas que pude ler “amar nos torna solitários”, enquanto fazia a via crucis do seu casamento fadado ao martírio do marido, Septimus Smith, veterano da 1º Guerra, traumatizado, que passa toda narrativa flertando com a ideia do suicídio e tem, em seu final trágico, a consumação das expectativas da Loba quanto ao confronto entre sãos e loucos, vida e morte, sanidade e insanidade; todos juntos na festa que celebra a fraqueza humana e sua derrota sob a vitória inexorável da vida que existe independendo do nosso desejo de ceifá-la.

 As críticas seguem. Conforme ela deixou anotado em seus rascunhos, o meio social e a sordidez humana se fundem sob o prego batido: “o sinal secreto que uma geração, disfarçadamente, passa à outra é o desprezo, o ódio, o desespero” e após a cabeça do prego encostar na madeira, dá mais umas marteladas, só por garantia, “os seres humanos não têm bondade, nem fé, nem caridade, nada para além daquilo que serve para aumentar o prazer momentâneo.”, a derradeira martelada in material world: “é bem possível que o próprio mundo não tenha sentido.”, fé e religião vivem seu impasse em linhas duras “(…) momentos como este são como botões na árvore da vida, flores da escuridão é o que são, (…) nunca acreditou em Deus nem por um momento que fosse” e dá, à luz do convívio humanizado, um conceito, passou “a achar que não havia deuses de espécie alguma; que não havia a quem culpar; desenvolvendo, assim, esse credo ateísta de praticar o bem pelo bem.”, o sistema político vigente sofre ataques sugestivos “(…) conversando sobre a vida, sobre como iam reformar o mundo. Pretendiam fundar uma sociedade para abolir a propriedade privada”, embora saibamos que a vida sem a propriedade privada – e a primeira propriedade privada do indivíduo é a sua vida –, é um inferno no qual milhões de vidas pereceram; essa experiência socialista só trouxe rios de sangue por onde passou, mas o personagem deixa claro seu entusiasmo por algo que, ainda pouco conhecido, viria a tornar-se o mais sangrento experimento humano da história da humanidade.

Não poupou seu status social, critica sua ascendência com rigor e concisão: “(a) Sra. Dalloway (…) vinha da mais imprestável de todas as classes – a dos ricos com um verniz de cultura.”, toda a obra está equilibrada numa linha tensa de aparência sobranceira e trechos com esta densidade:

“Ah, bem, não importa. A vantagem de envelhecer (…) era simplesmente esta; que as paixões continuam fortes como nunca, mas adquiriu-se – finalmente! – a capacidade que confere o supremo sabor à existência, a capacidade de se apropriar da experiência, de examiná-la, lentamente, às claras.”, dão a ideia do ambiente orbitado;

Ou ainda:

“As mais cruéis das coisas do mundo, pensou, vendo-as, sem graça, inflamadas, hipócritas, bisbilhoteiras, invejosas, infinitamente cruéis e inescrupulosas, vestindo uma capa de borracha, sobre o patamar da entrada; o amor e a religião.”; pode parecer demasiado circundante para afinal dizer: “a vantagem de envelhecer é a capacidade que confere sabor à existência, e experiência de examiná-la, lentamente, às claras” e “as mais cruéis coisas do mundo, o amor e a religião”, mas você não nota! Eis a doçura viciante na prosa da Loba. Uma atração ininterrupta. Um jogo de xadrez jogado entre longos períodos e palavras que se seguem e se amarram em laços quase invisíveis.

Woolf disse, ainda sobre sua luta com os métodos da escrita: “gastei um ano em tentativas para descobrir o que chamo de meu processo de cavar túneis, pelo qual eu narro o passado aos poucos, à medida da necessidade. Essa é a minha principal descoberta até agora”, o que ela propõe, ao longo do texto, é uma troca: toda nossa emoção enquanto leitor, pelas angústias e sofrimentos dela enquanto escritora (como descrevo em suas próprias palavras no último parágrafo deste texto). Se aceitarmos, entenderemos a profundidade de sua escrita; se não, continuaremos torcendo o nariz e o rabo da porca, sem usufruir de tamanho oceano de sensações misteriosas.

Em literatura, arte que condena excessos, os deslizes são perceptíveis, atino à urgência de comunicação dos personagens woolfianos: eles precisavam desse excesso verbal, dessa pressa, desse desespero, como eu preciso ler e respirar (não necessariamente nesta ordem), caso contrário suas existências seriam negadas; o excesso, a sofreguidão da inconstância é a força motriz de suas vidas. Talvez nisto, creio, consista a beleza na prosa da Loba. A solidão em suas vozes nos assusta, mas faz apaixonar-se por ela sob as várias peles que usa na teia do romance, é difícil sair ileso de uma leitura sua.

Lá pelas tantas, não sei se por fetiche do tradutor ou paixão da autora (vice-versa também é válido), percebi certo número de advérbios de modo ocupando curtos períodos, decidi ler em voz alta (primeiro me certifiquei de que estava sozinho). É que advérbios de modo, se mal usados, poluem o texto de tal maneira que começa a tocar uma música na língua e na leitura, mas uma música tão ruim, que torna impossível a depreensão do texto e toda sua sonoridade. Não no texto da Loba! Advérbios podem ser tão nefastos, no corpo de um texto que já exercito escrever sem usá-los. Uso-os, mas com muito mais prudência do que a ousadia com qual avanço aos textos clássicos. Neste quesito (o uso dos advérbios de modo), sou tão cauteloso quanto um tubarão espreitando a foca.

Há páginas sem nenhum advérbio, e outras com onze (número máximo que encontrei em algumas páginas. Devo citar o número das páginas? Vá ler preguiçoso! Pare de ler Bianca, Sabrina, Simone, Julia, Samantha e outras antas e vá ler a Loba!). Contei incríveis 702 advérbios!, em 197 páginas. Podem ser mais ou menos. Como disse, o ritmo que a Loba deu à sua narrativa, os momentos mais apreensivos e de diálogos mais extensos, torna o (ab)uso do recurso, algo imperceptível. Creio que até de forma proposital tenha dado ênfase ao expediente adverbial, mas, neste claro e substancial domínio de retórica narrativa, foi de uma maestria que elevou seu estilo ao “incopiável” e inconfundível, pois de fato, após a leitura de uma de suas obras, bastará ler algumas linhas para saber se se trata de um texto de Virginia Woolf, ou não. Mesmo neste texto, em que estressa suas retinas, usei poucos advérbios e, ainda assim, contra minha vontade. No texto da Loba, temos um raro exemplo da máxima: abusus non tollit usum, com o atenuante da sensação labiríntica, da tensão emocional.

Na introdução, escrita para sua edição americana da Random House, ela dá a dimensão que tem do leitor ante sua obra e dá, com toda carga emotiva que moveu-a até a explosão da escrita, seu parecer extremamente lúcido de seu dever enquanto artista e o do leitor enquanto apreciador da (sua) arte:

“O leitor, espera-se, não dedicará um único pensamento ao método do livro ou à sua falta de método. Ele está preocupado apenas com o efeito do livro como um todo sobre sua mente. A respeito dessa questão muito mais importante, ele é muito melhor juiz do que o escritor. De fato, desde que tenha tempo e liberdade para construir sua própria opinião, ele é, no final das contas, um juiz infalível. A ele, pois, a escritora confia Mrs Dalloway, e deixa o tribunal confiante de que o veredito, seja de morte instantânea, seja de mais alguns anos de vida e liberdade, será, em qualquer dos casos, justo.”, se, enquanto leitor, sou um juiz, minha adorada Loba, Mrs Dalloway tanto terá “mais alguns anos de vida e liberdade”, como viverá em meu coração e mente com a vida sob a plenitude da eternidade.