O derradeiro livro de Eduardo Galeano: “Mulheres”


Culto não é aquele que lê mais livros. Culto é aquele que é capaz de escutar o outro. (Eduardo Galeano)

Acabou de sair do forno, não deu tempo ou não quiseram mesmo mudar a biografia do autor e acrescentar a data do falecimento. Quatro anos depois de “Os filhos dos dias”, acabaram de lançar na Espanha “Mulheres”, tal como havia planejado Eduardo Galeano (Montevidéu, 03/09/1940- Montevidéu, 13/04/2015) antes de sua partida há três dias. Eis aqui, infelizmente, o derradeiro do escritor, que foi um dos maiores representantes da literatura sul- americana.  Pelo menos é o livro que ele teve conhecimento que seria publicado, possivelmente sairão outros. Galeano fez (e sempre fará) soar o nome do Uruguai pelo mundo através da sua literatura:

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A FNAC acrescentou um livrinho muito interessante com textos de próprio punho do autor, com fotos, frases, poemas, não vou colocar tudo por motivos óbvios, mas seguem dois dos meus preferidos:

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Somos o que fazemos, e sobretudo, o que fazemos para mudar o que somos.

A obra consta de de 238 páginas e fala sobre mulheres de todos os tempos, raças, religiões e disciplinas, reais ou imaginárias, todas que mudaram de alguma forma o rumo da história da sociedade em que viveram (ou não) ou deixaram algum tipo de marca. Não são textos delas, são sobre elas. O formato é idêntico ao anterior, textos curtos. Ele falou de Safo, de Carmen Miranda, Frida, Joana D’Arc, Chiquinha Gonzaga e até Yemanjá:

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Alguns textos têm um tom informativo, mas muitos são líricos, pura poesia. O texto abaixo não fala de nenhuma mulher conhecida, parece recordação:

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Ninguém poderá matar aquele tempo, ninguém nunca poderá: nem mesmo nós. Digo: enquanto você estiver, aonde você estiver, ou enquanto eu estiver.

Prosa poética, mais poema que prosa, alguns com tom erótico. E as mulheres que lhe tiram o sono, uma atravessada na cabeça e outra na garganta:

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O livro é muito melhor que o anterior (para o meu gosto). “Os filhos dos dias” tinha um tom informativo, parecia jornal, foi isso que me desagradou. Esse é muito mais Literatura. Pena que não vou mais poder dizer.


Galeano, Eduardo. Mujeres. Siglo XXI, España, 2015. 238 páginas

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