Morreu hoje também o Nobel de Literatura Günter Grass


Mal havíamos sabido da morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano e chegou mais essa notícia: faleceu hoje também o Nobel de Literatura (1999), o alemão Günter Grass aos 87 anos em uma clínica na cidade de Lübeck. A página da sua editora, a alemã Steidl está estática e inteira com uma foto do escritor.

Gunter-Grass

O autor saía em todas as suas fotos com esse cachimbo na boca.

Günter Grass revelou bastante tarde no livro “Descascando a cebola”, já um escritor consagrado, que serviu aos nazistas na Segunda Guerra mundial e isso gerou muita polêmica. Ele era um soldado, e “soldado mandado não comete crime”. Ele escreveu uma obra importante na pós- guerra e parece que foi um cidadão honrado. Acho que isso basta. Basta? Ele foi testemunha, estava lá no meio do Holocausto,  depois foi prisioneiro dos Estados Unidos. Difícil, as opiniões são bem divididas, muitos não conseguiram separar o escritor da pessoa. Social- democrata, Grass foi contra a unificação alemã e contou nos seus livros o sofrimento do seu povo na guerra. No seu próprio país pediram que ele renunciasse ao Nobel. O escritor pediu perdão pelo seu “pecado” de juventude. Em Israel ele era persona non grata. Há quem diga Grass sentia vergonha e torturou- se durante toda a sua vida por ter pertencido ao nazismo aos 17 anos e que toda sua obra foi um exercício de penitência.

Lá se foi o escritor, a obra ficou. Independente de suas ideologias e de seu passado, ele escrevia muito bem. Você decide, você escolhe se deve ler a sua obra ou não.