Resenha: Pseudopoesia, de Alves Rosa


Chorar em decassílabo/confessar-me em prosa/descrever- te em versos. (p. 36)

Poesia elegante, lembrou- me os velhos românticos quanto às temáticas, poemas cheios de lirismo, versos limpos (acabou de ocorrer- me este termo, refiro- me à linguagem pouco rebuscada, leve, “sencilla”, mas precisa), versos brancos e com rimas. O Eu poético (a voz “que fala e sente” no poema, não confundam com o escritor) está mergulhado no plano sentimental, onírico e também da morte (poema “Anne Caroline”, p. 58). São 80 poemas e um texto em prosa poética (faltou um índice, perdão se contei errado). Mistura romântica e moderna, esse é o Alves Rosa, que tem nome de prosista com poeta.

Sidney Alves Rosa (São Paulo,23/05/1982) é tradutor formado pela Universidade São Judas Tadeu e mochileiro, “com coração de poeta e alma lusitana”, como ele mesmo se define. Quem diria que por trás desse homenzarrão, mora um poeta com um coração clássico, de versos finos, doídos, chorados e até cândidos?

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O poeta Sidney Alves Rosa

O tema recorrente na obra editada pela portuguesa Chiado, é o amor contido, proibido/impossível, que quer revelar, mas não pode/consegue e espera o improvável; outro tema que aparece com insistência é o fazer poético, a necessidade imperiosa de escrever, a “pena” que domina o homem, essa “pena” que pode ter um duplo sentido, sentimento e caneta: O cérebro diz: Cala!/ A pena pede: Escreve! (“Dualidade”, p. 14). E ainda o existencialismo, Tempos confusos este que vivo/ Não há tempo para nada/Não há tempo a se perder (…). (“Tempos confusos”, p. 19).

Suas influências são Álvares de Azevedo, Florbela Espanca e Fernando Pessoa. Nota- se que bebeu de uma fonte rica (eu sempre digo, crianças, que o bom escritor é ainda melhor leitor!). No livro há um poema “Dom Quixote” (p. 22), uma releitura poética em cima da obra do espanhol Miguel de Cervantes, página ilustrada da Mariana Perin (na página vê- se metade do poema):

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O poema “Funeral”, muito bem escrito, lembrou- me a estrutura de “Morte e vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto (não deixe de ler esse!). Na escritura de Rosa há espaço ainda para a poesia concreta, versos em inglês e até para a sintaxe! (p. 53)

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O poeta do século XXI mora na cidade, toca guitarra e canta heavy metal. O poeta pós- moderno agora é assim, feito do seu tempo, no entanto, alberga nos seus versos o legado dos grandes poetas…de “pseudo” ele não tem nada! Sim, você é poeta!

Volto triste com as flores

murchas que você não quis,

mas, contigo deixei meu coração

na capital do meu país.

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Let’s rock! Viva a poesia!

Mais um livro autografado para a coleção. Obrigada, Alves Rosa, aguardo o próximo!

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Rosa, Alves. Pseudopoesia. Ed. Chiado, Portugal, 2014. 96 páginas