O dia em que a terra tremeu em Madri


Pois é, mais essa para o meu “currículo”: senti a sensação da terra tremer! Quer dizer, sacudiu o edifício. Meu primeiro terremoto causou- me uma sensação de estranhamento: “caramba, sou eu ou são as coisas que estão tremendo?!”. Durou apenas uns segundos, pensei que fosse um caminhão pesado que havia passado na rua, mas não ouvi caminhão nenhum passar, silêncio total. Será que sou distraída? Continuei com o que estava fazendo. Duas horas depois, vejo a notícia nos meios de comunicação:

“Às 17:15 h, terremoto  com epicentro em Albacete, na cidade de Ossa de Montiel,  com dois mil habitantes, a 176 Km de Madri, tremor de 5.6 na escala Richter, considerado médio- forte.” (Madri Diario)

Levei um susto ( com efeito retardado)! E se vem outro mais forte e mais perto? Esse edifício aguentaria? Aviso minha filha: ‘se você sentir algum tremor de novo, esconda- se debaixo dessa mesa’. Fiz bem, fiz mal, qual o protocolo para terremotos?! “Nasci num país tropical, abençoado por Deus” e pelas bandas de São Paulo e Bahia, jamais soube de nenhum terremoto. Há outros, mas de terra não.

Com essa história toda lembrei do livro de Saramago, “A Jangada de Pedra”, um dos meus preferidos do autor, onde ele narra magistralmente a sensação de um terremoto. Os animais têm um instinto para perceber as catástrofes naturais, os cães ladram, os pássaros voam, agitação total. A Península Ibérica separa- se do continente, como uma grande jangada de  pedra. O livro é uma metáfora sobre o que aconteceria se a Península ficasse à deriva, longe da Europa.

Em Portugal há um terrível precedente, o grande terremoto de 1755, a cidade de Lisboa foi engolida pelo mar, um tsunami aconteceu depois de um abalo sísmico de máxima intensidade. Quem não morreu afogado, morreu queimado com os incêndios depois, caos e desespero total. A estimativa de falecidos é  bastante imprecisa fala- se de 30 mil, 60 ou 100 mil pessoas, enfim, milhares de pessoas foram vítimas.

Essas tragédias naturais são cíclicas, a ‘teoria do eterno retorno’ de Nietzsche, acontece inexoravelmente na natureza (homem incluído). Mas como na vida nada é absoluto, espero  que a Península Ibérica (Portugal e Espanha) fique assentada no mesmo lugar durante muito tempo.

E com abalos sísmicos ou não, deixo aqui o e-book do livro citado de José Saramago, “A jangada de pedra”, já testei o link e funciona direitinho.

A.jangada.de_.pedra_.José.Saramago

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