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Eu creio em mim, de Evaldo Ribeiro


O escritor, radialista, compositor, humorista e palestrante motivacional Evaldo Ribeiro (Matões, Maranhão, 19/05/1975) nos enviou de São Paulo o seu livro “Eu creio em mim”, vamos ver o que ele nos diz. Evaldo Ribeiro em suas várias facetas de ator, palestrante e escritor:

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“Evaldo Ribeiro no Teatro Anhembi Morumbi no Espetáculo Prosperidade e Humor em parceria com Marcello Cotrim – SP. Jabamiahá é um anjo, nordestino com aparência de cangaceiro e que usa roupas femininas, segundo ele pagando karma por ter sido preconceituoso na vida passada” (Facebook do escritor)10881644_1528482690770332_1779946322309694811_n

Palestra motivacional. Evaldo Ribeiro é radialista na Rádio Mundial.10897750_1528484980770103_2901161381102449215_n

Lançamento de “Eu creio em mim” (São Paulo)

A obra consta de 21 capítulos mais o prólogo e o epílogo. Ana Paula Monteiro é a protagonista, descrita como uma mulher de extrema beleza, mas de caráter imprevisível e auto- destrutivo. Assim sente- se Ana Paula:

Diante de uma conquista, sente- se culpada e não merecedora e, de alguma forma, acaba procurando um jeito de perder o motivo da sua felicidade para não se sentir acima das condições das pessoas que ainda não conseguiram avançar na vida e que passam por dificuldades e privações. (Prólogo)

Há tempos escrevi uma lista de tipos de livros que jamais leria. Esse livro está publicado numa editora de auto- ajuda/misticismo, que estão nessa lista. Tenho que dizer que Eu creio em mim não entraria na minha lista de leituras habitualmente, porque prefiro livros de melhor de qualidade literária, com uma arquitetura narrativa mais trabalhada.  Mas acabei lendo esse livro pela simpatia do autor, que gentilmente enviou o livro de São Paulo à Madri, depois de ver e gostar muito do seu vídeo motivacional (que agora vejo, existe ideias do livro, que aqui não funcionaram).

O livro tem problemas “técnicos”, tempos verbais diferentes misturados nas frases, jargões e muita frase feita. O ritmo da obra também apresenta alguns problemas, os desenlaces acontecem fora do tempo e fica uma sensação de corte, alguns trechos precisariam ser melhor trabalhados, os fatos melhor desenvolvidos. Os personagens são construídos superficialmente, a parte descritiva é deficiente, não consegui visualizar o casal protagonista, principalmente Gustavo. Esse é um romance escrito de forma direta e coloquial, a linguagem carece de tropos, de linguagem literária, também há muita repetição de palavras e um excesso de ênclise (pronome depois do verbo) e a falta dela aonde cairia bem. Tudo isso pode ser aprendido pelo estudo ou pela experiência e cabe à habilidade do escritor fazer com que não percebamos essas coisas que comprometem a qualidade do texto. Mesmo assim, desci do meu salto acadêmico e crítico e tentei enxergar o lado positivo do livro…

Ana Paula vai à luta, trabalha num escritório e estuda à noite. É assediada pelo chefe casado, que separa- se e acaba conquistando a secretária bonita. Assume o relacionamento amoroso com a moça diante dos funcionários da empresa, que fica muito constrangida e preocupada com que irão pensar os demais. Coloca as convenções sociais diante da própria felicidade.

O livro reúne um conjunto de clichês sobre homens e mulheres, sexismo absoluto, comportamentos determinados de acordo com o sexo: “a mulher é assim, o homem é assado”, coisa que eu me recuso a acreditar, pois as condutas, gostos e sentimentos são independentes do gênero, “coisa de homem e coisa de mulher”, é passado.

Ana Paula é descrita como uma mulher forte e independente, mas a história contradiz completamente essa afirmação, ela é submissa, machista, a Amélia de antigamente, que vive e faz o que tem que ser feito socialmente, mas o sonho é casar e esperar o seu príncipe encantado, esse é o supra- sumo da felicidade, tipo a Gata Borralheira ou Cinderela. O homem é o centro e decide tudo, ela vai se deixando levar.

O livro ganha tom místico, almas- gêmeas, destino, predestinação, um tom espiritualista.

A moça cheia de dúvidas se rende diante de um par de alianças de compromisso. Ana recusa sair com a melhor amiga Virgínia, porque agora tem que fazer tudo “a dois”. Decide ir por insistência da amiga a um restaurante de luxo e a história de que pobre sente raiva de gente rica e sente- se culpado se ganhar dinheiro, não prospera, porque acha que “é a vontade de Deus”. Que pensar disso?! Aparece no restaurante “de repente” o noivo cantando, chorando e a pede em casamento.

As ações e pensamentos ruins ( como a inveja, por exemplo) são atribuídos às forças e energias ocultas, misturados com problemas psicológicos. O casamento de contos-de-fadas acaba e ela recomeça tudo de novo com Cláudio e começa um dramalhão revisitado, o ex- marido causando muitos problemas, acidente de carro, cadeira- de rodas, filho.

Literatura previsível, desatualizada, ideias questionáveis e sem fundamento. Essa história me lembrou alguma novela de tv dos anos 70 com final feliz, helicóptero e chuva de pétalas incluídos. Os estereótipos nunca morrem.

Apesar de não considerar uma boa obra, Evaldo Ribeiro é um grande artista, talvez a faceta de escritor (nesse livro) não seja a sua melhor, no entanto, seus stand ups de humor são hilários e a sua palestra motivacional emocionou-me bastante. Creio que ele próprio é um show man e a estrela, muito maior que os seus personagens da ficção.

A editora é a da Zíbia Gasparetto, uma edição bem cuidada e ilustrada, papel bom, cada vez mais difícil de se ver.

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Ribeiro, Evaldo. Eu creio em mim, Centro de Estudos Vida & Consciência Editora, São Paulo, 2010. 188 páginas

Conheça mais sobre o Evaldo aqui.

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