149 anos de Olavo Bilac


O poeta e jornalista Olavo Bilac (Rio de Janeiro, 16/12/1865 – 28/12/1918) foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e pertencente ao parnasianismo, um movimento literário que começou na França no século XIX e que tinha como lema “a arte pela arte”, contradizendo as ideologias e excesso de sentimentos do Romantismo e o tom político do Modernismo. Um dos poemas mais conhecidos de Bilac é “Língua Portuguesa”, que inspirou a Caetano Veloso e Gilberto Mendonça, ele mostra a nossa língua como sendo contraditória, complexa, difícil e bela:

LÍNGUA PORTUGUESA (Olavo Bilac)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

E um dos meus favoritos, vamos “ouvir estrelas”?

OUVIR ESTRELAS

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

(Poesias, Via-Láctea, 1888.)

No próximo dia 28 completa 96 anos do seu falecimento. Grande poeta, viva Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac!

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