Resenha: “Correspondência: Gustave Flaubert e George Sand”


“Correspondência” é uma obra epistolar que recolhe textos entre o consagrado romancista francês Gustave Flaubert e a excêntrica escritora francesa George Sand. Conheceram- se em 1857, Sand era 17 anos mais jovem que Flaubert e foi o escândalo que obra “Madame Bovary”  provocou na época, que uniu os dois escritores. A relação foi de amizade, não existiu relacionamento amoroso. Encontraram- se várias vezes no célebre restaurante Magny em Paris, ponto de encontro de vários literatos e intelectuais da época. As correspondências foram trocadas durante 13 anos, até a morte da escritora em 1876, num total de 422 cartas. Foram traduzidas menos da metade e desprezadas as demais pela pouca importância, muitos bilhetes, notinhas de confirmação de chegada e envio de livros, presentes, etc.

Gustave Flaubert ( Rouen, 12/12/1821 – Croisset, 08/05/1880), filho de um médico, ingressou no curso de Direito para agradar ao pai, mas sua verdadeira vocação era a escritura. Frequentou pouco tempo a universidade, levava uma vida boêmia, começou a tirar notas baixas e desenvolveu um problema nervoso, desmaiava, tinha convulsões e teve que abandonar no segundo curso em 1844. Tal como Marcel Proust, que tinha asma severa e vivia recluído, Flaubert começou a escrever mais sistematicamente por causa da doença.

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Gustave Flaubert em 1870, com 49 anos. Faleceu 10 anos depois.

George Sand, uma das mulheres mais transgressoras do seu tempo, assinava com nome de homem as suas obras, seu nome real Amandine Aurore Lucile Dupin (Paris, 01/06/1804- Nohant, 08/06/1876), uma baronesa com espírito livre que viveu como quis, com a mesma liberdade dos homens. Citada por Michel Proust com grande admiração na obra- prima “Em busca do tempo perdido”, no primeiro volume, “No caminho de Swann“.

George Sand by Nadar

A vida é uma longa ferida que raramente dorme e nunca cicatriza.
“ La vie est une longue blessure qui s’endort rarement et ne se guérit jamais ” 
(George Sand a Bocage, 23/02/1845, Correspondance, p. 807)

 

Esse livro é uma jóia para os amantes da boa literatura. A edição espanhola tem o prólogo do filósofo francês André Comte-Sponville (Paris, 1952), que considera essa obra uma das mais belas que conhece. As notas, tradução e o epílogo são do professor Albert Julibert González.

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Flaubert, G.; Sand, G. Correspondencia. Marbot, España, 2010. 283 páginas