Clube de leitura, resenha 1: “Aqueles tempos”, de Edney Silvestre- por Teorema dos Sonhos


O nosso Clube de Leitura rendeu essa boa resenha crítica sobre o livro “Aqueles tempos- nos bastidores de Vidas Provisórias“, de Edney Silvestre, um livro curtinho, como se fosse uma reportagem. A resenha é do escritor do blog Teorema dos Sonhos, de Lotthar Vlozian:

Nos bastidores de vidas provisórias de Edney Silvestre 

Dois personagens saem do Brasil por motivos diferentes. Um porque teve a sorte de não ter sido morto e foge para a Europa e a outra personagem porque teve a opção de se retirar do pais por estar assustada com a onda de violência no país.

O que esses dois personagens possuem em comum? Não são livres no Brasil e por viverem no exterior as suas vidas estão suspensas e interpretam papeis perigosos porque ser ator na vida real pode custar a vida.

Experiências vividas, relatos e testemunhas do autor são misturados também com pesquisas em livros além de uma pitada de imaginação. O romance foi feito assim com fragmentos da história, testemunhos de pessoas reais e a imaginação para recriar esse cenário de uma época de violência num país pobre de liberdade, nessa obra os personagens reais viveram de fato e de fato morreram aqueles que lutaram pela liberdade e por suas próprias vidas.

Se não era fácil conseguir que os países apoiassem todos os que fugiam dos seus países na época da dita-cuja, aquela, que é violenta como um ato institucional de fazer sexo proibido em Oslo ou em Madagascar e seja no primeiro mundo ou no fim do mundo tudo o que se deseja é um sexo que faça a gente perder as esperanças de que iremos perder nossas vidas sem ter nenhuma explicação como se fosse um tipo de inquisição do século XX a merda é essa: quero explodir todos os quarteis generais do mundo e deixar apenas os bordéis e claro a estátua da liberdade seguraria um pênis, um pênis como a lembrar que só as mulheres são livres para segurar um pênis até mesmo em esculturas. A ditadura militar no Brasil por outro lado, num momento mais atual na linha do tempo da historia as mesmas cenas de violência se repetem com todos os seus horrores não é algo que ficou parado no passado mas no presente acontece de varias formas a violência a violência militante por uma justiça que deseja a liberdade de que as coisas sejam sempre de acordo com os interesses de quem possui o poder e o dinheiro para poder ir em bordeis .

Ela pode assumir varias formas, a violência ou se preferir pode chamá-la de liberdade ou arbitrariedade como uma ditadura militar, sanções de governos contra determinados países como no caso da região do Oriente-Médio sempre sendo arrasada pelos americanos, por eles, não por nós daqui da America do Sul ou no caso pode ser a prostituição de brasileiras em Nova Iorque e as vezes fugir de uma situação é trocar um problema por outro: a liberdade de ser morto ou desaparecer por causa da censura ou viver clandestinamente interpretando um papel de prostituta na terra da liberdade, só que a liberdade não é para estrangeiros na América. Não é para aqueles que vivem ilegalmente até mesmo nos países onde nasceram e a constituição vale menos do que os atos institucionais que instituíram que a vida de muitas pessoas seria um inferno em qualquer lugar do planeta.

E a violência nasce: como a Canção de Berço de Drummond a vida é tênue, tênue. Nascem os gêmeos se desfazendo em poeira e cheirando a carne humana queimada e se isso não indica o nascimento da fragilidade de um sistema de segurança dos americanos que começa a ruir, então, pelo menos é a constatação de que algo no mundo está errado porque muitas pessoas morreram no ataque aos irmãos e isso serviu para justificar a retaliação ao Afeganistão, se as nações são irmãs ninguém sabe, mas as torres eram gêmeas: ruíram do mesmo mal porque eram bens imóveis que não se mexiam e movimentavam um mundo de dinheiro.

Enquanto se observa a maravilha da liberdade segurando um pênis flamejante nas mãos, ela, a mulher libertina, fria em Estocolmo me faz gozar de horror por não saber falar a sua língua que me lambe enquanto gozo de prazer num quarto tão apertado como estar transando dentro da caçamba de um carro sabendo que se a porta abrir se vai morrer, mas não de prazer, mas de motivo nenhum, enquanto a canção nina os gêmeos que acabaram de nascer de forma suave como a morte rápida sem dor, ela mama como um bebê a minha teta masculina enquanto minhas mãos empurram a capital importância do meu prazer de dormir um sono tão bom como gozar do horror por não saber se é preciso sentir prazer com a minha verdadeira identidade ou se se pode dormir tranquilo como um estrangeiro verdadeiramente falsificado prestes a ser enganado enquanto dorme e a poeira sobe e o meu orgasmo me faz dormir um sono que não me faz dormir mas me deixa de sobressalto para o que  der e vier e tenho que viver como outra pessoa a minha vida e ela não existe e se ela existir tudo estará acabado e o retorno poderá ser sem volta tanto talvez para um pais distante quanto para própria vida original e de quebra a questão é tênue, tênue, como a falta de sentido de todas as formas de violência, tênue, tênue, como uma pergunta porque motivo ou porque somos tênues, tênues, como a vida, como a morte, como querer que ninguém descubra a nossa identidade, como o medo, tênue, como o sangue escorrendo como o gozo que deseja mais sangue, mais desejar mais sangue pelo o que não faz sentido como desejar viver em paz e isso também não nos dá nenhuma pista e nem a resposta para o sentido da vida e a resposta está no fato de que ela é tênue, tênue ilusão de liberdade.

Download-Aqueles-tempos-Edney-Silvestre-em-epub-mobi-e-pdf

Esse livro é um e-book gratuito, é ótimo como leitura prévia de “Vidas provisórias”, que é um livro fantástico!

Faça como Teorema dos Sonhos, participe do nosso Clube de Leitura que está em plena votação do próximo livro e terá sua resenha publicada aqui. Obrigada Lotthar, gostei muito das questões que levantou sobre a imigração e essa linha tênue que os colocou na corda- bamba, a prisão ou liberdade. E serve como reflexão e alerta para que “Aqueles tempos” não voltem jamais no Brasil.

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