Resenha: “Casa de bonecas”, de Henrik Ibsen, baixe a obra grátis


Vamos agilizar nossas leituras? Acumulou tudo, não é? Então vamos, falta pouco para terminar o ano!

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Quem ama literatura não vai deixar de se emocionar com esse tesouro: o manuscrito original de “Casa de bonecas” (1879), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (Skien, 20/03/1828 – Oslo, 23/05/1906). Ibsen é o dramaturgo mais importante da Noruega, influenciou o teatro mundial, considerado o “pai do drama realista moderno”.

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Veja aqui o manuscrito de Ibsen, que era super organizado, caligrafia bonita, muito bom de apreciar (ainda que não saibamos norueguês)!

Vamos à resenha:

“Casa de Bonecas” é uma obra dramática escrita em três atos. Ibsen levou a realidade ao teatro, mostrando o cotidiano de uma família burguesa da época. A estreia dessa peça gerou muita polêmica, muita gente não gostou do espelho diante dos seus olhos. Ibsen foi crítico, corajoso e transgressor levando em conta a época em que foi escrita a obra.

Torvald Helmer, advogado

Nora, sua esposa,

Rank, médico

Senhora Linde

Krogstad, advogado

Os três filhos pequenos de Helmer

Anna- Maria, a babá

Helena, a criada

O Entregador

A ação no primeiro ato acontece na casa de Helmer, confortável, mas sem luxo. Helmer e Nora, casal que passa por problemas econômicos, mas tenta manter as aparências. Ela é uma mulher que vive para a casa e o marido; ele por sua vez, tenta recompensá- la com mimos e presentes. Nora é submissa e serviçal, impregnada no seu papel de dona-de-casa exemplar, sua conduta vai de acordo com a forma que a sociedade acha que deve ser. O marido a mantém confinada, sua vida social é totalmente controlada pelo marido e o dinheiro também. Nora não faz nada que desagrade ao marido, ele é a peça mais importante da família, todos são satélites que giram ao redor do homem, seus desejos são ordens. Acontece que Nora não é tão angelical como pode pensar o seu marido. Ela tem uma vida obscura, mentirosa e até delitiva, já que cometeu estelionato falsificando a assinatura do pai moribundo. Coisa inadmissível ao moralista Helmer Torvald, advogado e diretor de um banco, que inclusive culpa às mães pelos crimes futuros dos filhos. Fala com a mentirosa esposa, sem ter consciência de fato:

Helmer- Como advogado já vi isso muitas vezes, querida. Quase todos os jovens que se voltaram para o crime tiveram mães mentirosas. (p. 44)

A falta de liberdade, a opressão familiar e social geram a hipocrisia, a mentira…assim vivia Nora, mais vítima que carrasca numa sociedade completamente machista, assim encenou o polêmico Ibsen. A trama está centrada nisso, nos bastidores da vida, a verdadeira, o que há por trás das vidas aparentemente perfeitas.

A história continua excelente. Nora se rebela depois de um acontecimento importante. Ela descobre ser uma boneca, um objeto inanimado, primeiro na casa do pai, depois na casa do marido. Decide não brincar mais de casinha e descobre- se pessoa. Esse pensamento é libertador. Transporte o pensamento abaixo para o século XIX, em uma sociedade machista (p. 98):

Helmer– Antes de mais nada você é esposa e mãe.

Nora– Já não creio nisso. Creio que antes de mais nada sou um ser humano, tanto quanto você…ou pelo menos, devo tentar vir a sê- lo. Sei que a maioria lhe dará razão, Torvald, e que essas ideias também estão impressas nos livros. Eu porém já não posso pensar pelo que diz a maioria nem pelo que se imprime nos livros. Prefiro refletir sobre as coisas por mim mesma e tentar compreendê- las.

Em todos os tempos, e ainda hoje, existe imensa quantidade de mulheres que sacrificam- se diariamente muito mais que os homens. Renunciam mais, anulam- se, cumprem seus deveres de mãe, esposa, trabalhadora, dona-de-casa e o machismo impede de compartilhar tudo isso, de dividir o peso com o outro. A união de Torvald e Nora ainda tão corrente…quantos deles ainda entre nós? Quantos casais vivem em uniões de aparência e não em verdadeiros casamentos? Gente que não fala sobre coisas importantes, porque não poderiam suportar o peso das verdades. Casais que preferem levar o cotidiano só na base das superficialidades pelo nome de tudo: religião, filhos, sociedade, comodidade, mas esquecem do amor. Tenho certeza que você conhece algum casal assim, que mal pode conviver, mas por conveniências financeiras e sociais continuam amargando- se juntos. Nora não, Nora foi muito valente. Nora foi embora, deixou casa, marido e filhos. Possivelmente, Ibsen tenha sido o primeiro feminista da história!

Eu gostei muito dessa obra, porque o autor conseguiu ir de menos a mais, a tensão foi subindo, subindo e o final foi um BUM! A casa caiu!

Encene essa obra na sua escola, no centro social do seu bairro, na sua rua. Recomendo!

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