25 de setembro, aniversariantes ilustres: Carlos Ruiz Zafón e Valter Hugo Mãe


A literatura contemporânea está bem representada por esses dois escritores, um espanhol e outro angolano: Carlos Ruiz Zafón (Barcelona,1964) e Valter Hugo Mãe (Henrique de Carvalho, 1971), nasceram no mesmo dia.

Carlos Ruiz Zafón

10012599_811092592253672_1841899_nfoto: Facebook do escritor

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O romancista Carlos Ruiz Zafón é um dos escritores espanhóis mais populares hoje no mundo, com traduções nos cinco continentes, premiado, conquistou o respeito da crítica e dos leitores. Campeão de vendas, mas com grande qualidade. Suas obras mais conhecidas “A sombra do vento” e “O jogo do anjo” são presentes para quem ama a boa literatura. Veja toda a sua bibliografia aqui.

Valter Hugo Mãe

10550969_680316412043964_5637800761998822976_n Valter com o nosso querido e saudoso Ariano Suassuna (Facebook do escritor)10609633_689470561128549_5251035529217480711_nValter Hugo Mãe, um dos proeminentes escritores da atualidade. (Facebook do autor)

Valter Hugo Mãe é poeta, romancista, escritor de literatura infantil, cronista, compositor e cantor, e ainda artista plástico. Artista completo. Um dos seus livros mais conhecidos é “O  remorso de baltazar serapião”. Veja toda sua bibliografia aqui.

Dois escritores para colocar na sua lista de leituras. Felicidades aos dois, feliz aniversário, feliz cumpleaños!

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Resenha: “Antes que eu morra”, de Luis Erlanger, por Luis Erlanger!


Uma curiosidade corrente em muitos leitores é saber o que pensa o escritor sobre o próprio livro. Essa resenha mata um pouquinho a nossa curiosidade, já que foi feita pelo próprio pai da obra! No nosso Clube de Leitura eu escolhi a obra de Luis Erlanger como uma das nossas opções para a próxima leitura ( corra lá, decidimos hoje, vote!).

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Luis Erlanger nasceu em 1955 no Rio. Começou a carreira de jornalista pelo O GLOBO em 1974, com passagens pelas editorias de Cidade, Polícia, Esporte, Cultura e Política. Depois, em Brasília, esteve encarregado da cobertura de fatos relevantes no processo de redemocratização no Brasil, como de eleições, da morte do presidente Tancredo Neves, do Palácio do Planalto, da nova Constituição de 88, do impeachment do presidente Collor e de planos econômicos que mudaram o país. Após quatro anos como editor-chefe do jornal, em 1995, foi para a TV Globo, como diretor editorial de Jornalismo. A partir de 2000, por 13 anos, dirigiu a Central Globo de Comunicação (CGCOM) – responsável pelas das divisões de Propaganda e Produção Audiovisual ( sendo responsável pela produção de cerca de cem produções audiovisuais por ano); Design; Relações Externas, Comunicação Corporativa e Assessoria de Imprensa; pelos projetos culturais e sociais e do centro de documentação da emissora. Depois de dois anos como diretor de Análise e Controle de Qualidade da Programação, saiu da empresa para montar a Erlanger Comunicação & Arte (ECA) – escritório de prestação de serviços de consultoria, texto, projetos e produção nas áreas de Comunicação e Cultura. É autor do livro de ficção “Antes que eu morra”, com uma tiragem de cinco mil exemplares esgotada em três meses, agora na segunda edição. (Biografia fornecida pelo autor)

Luis aceitou o desafio de resenhar a própria obra “Antes que eu morra”,  seu primeiro livro de ficção lançado em 1º de abril de 2014. O livro parece “Memórias póstumas de Brás Cubas”, veja:

É atribuída à inclemente e respeitada crítica teatral Bárbara Heliodora a máxima, segundo a qual, é bom desconfiar de peças onde o elenco pareça estar se divertindo mais do que o público. Na sua estreia como ficcionista, o experiente jornalista Luis Erlanger passa esta impressão: no seu thriller delirante e cheio de humor, “Antes que eu morra”, fica evidente que ninguém se encantará mais com este romance do que o próprio autor. Mas, diferentemente do teatro, esta conclusão pode até se transformar num atrativo a mais para o leitor: além do suspense da história em si, conduzida por uma narrativa em alta velocidade, há um jogo de charadas ocultas com informações distorcidas, referências deturpadas e até citações de clássicos usurpadas pelo protagonista inominado. Estas compõe uma segunda estrutura submersa na obra, que pode funcionar como um agradável desafio ao público. Este abismo delirante é trabalhado de tal forma que, desvendadas ou não as armadilhas deste festival de falsa cultura, o fluxo da leitura não será prejudicado. Talvez aí a intenção tenha sido trazer mais uma dimensão ao texto, com um questionamente subjetivo da chamada era da conhecimento. A aventura policial – recheada com política, violência, sexo e drogas – de um sujeito em crise existencial chega ao leitor através do relato de sessões feito por seu psicanalista (morto antes da publicação dos fatos), trazendo um elemento adicional de mistério. E reflexão. Tanto sobre a inquietude do ser humano até os descaminhos da humanidade. Tudo sempre tratado com muita irreverência. Apesar de lidar com questões cruciais e mesmo sombrias da contemporaneidade, o autor conduz o leitor por uma estrada que parece sinalizar que, apesar de tudo, há muito que se aproveitar nesta vida, antes de morrer.

Luis Erlanger é jornalista e escritor. E teve a cara de pau de resenhar o próprio livro

Reparem na capa. O elevador tem uma importância fundamental na obra, a concepção foi do próprio autor. As mãos são da esposa de Luis Erlanger, Mariana. A orelha é de Jô Soares e a contra- capa de Pedro Bial. A foto é de Leo Aversa, um gênio da fotografia. 974685_304116616458249_1080564962_n

Erlanger, Luis. Antes que eu morra. Record, Rio de Janeiro, 2014. 320 páginas (formato ePub)

Muito legal, não?! Agradeço ao escritor Luis Erlanger por ter entrado na “brincadeira” e por ter enviado a resenha. O livro está à venda nas melhores livrarias do Brasil e também no formato e-book.

O perfil de Luis Erlanger no Facebook.

A web do livro você pode ver aqui.

Resenha: “Alabardas”, o último livro de José Saramago


Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas está aqui na mão, acabou de sair do forno pela Porto Editora, o último romance inacabado do escritor português José Saramago (Azinhaga, 16/11/1922 – Lanzarote, 18/06/2010). Esse livro entrou nas livrarias de Portugal hoje, mas eu já o tinha há dois dias, e eis aqui a resenha no Falando em Literatura em primeira mão! Para quem ainda não sabe, Saramago foi o único escritor em Língua Portuguesa ganhador de um prêmio Nobel de Literatura (1998).

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O simpático José Saramago nos deixou saudades e uma riqueza literária ímpar.

Alabardas (2014) consta de 30 páginas de um romance que Saramago tinha começado antes de falecer e foram encontradas no seu computador. Essas páginas viraram 77 em formato livro ( três capítulos), mais três páginas de notas que o autor escreveu entre 15 de agosto de 2009 a 22 de fevereiro de 2010, são nove anotações muito espaçadas. E ainda os textos de Fernando Gómez Aguilera ( professor e escritor espanhol,1962) e Roberto Saviano ( escritor italiano, 1979) elevando a obra a 135 páginas. Esses textos são recordações e memórias, um repasso pela obra do escritor, os vi como homenagens. Vamos ver o que Saramago nos deixou como seus últimos escritos.

Narrado em terceira pessoa, o personagem principal do livro é “artur paz de semedo”, escrito em minúsculas- aliás, todos os nomes próprios estão escritos em letras minúsculas. Talvez para reforçar o caráter comum do homem ou para igualá- lo aos animais. Quem sabe?

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O estilo é o mesmo que marca a obra do escritor: os diálogos sem sinais de pontuação, encaixados no texto. O personagem “artur paz de semedo”, leva o sobrenome “paz” no centro, bem o contrário do que cultua tanto na vida profissional, quanto na pessoal. O homem trabalha na faturação de uma fábrica de armas há quase vinte anos, chamada “produções belona s.a.”. Belona é a “deusa romana da guerra” (p.11). Ele está separado da mulher, que é pacifista convicta e não aguentou a profissão do marido. Até mudou o seu nome “berta”, que faz “alusão direta ao canhão ferroviário alemão” (p.13) e passou chamar-se “felícia”. O sonho de semedo é ser promovido à chefe da seção das armas pesadas.

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Essa é uma alabarda medieval

Saramago coloca na história vários conhecimentos históricos sobre armamento e cinema bélico, fala sobre os diversos tipo de armas que “semedo” é apaixonado, o sujeito passa mal de emoção quando a fábrica produz novas armas pesadas e tanques de guerra. Ama filmes bélicos, assiste a todas as estreias no cinema e tem uma coleção de filmes em casa. Apesar de delirar pelas armas de fogo, jamais deu um tiro na sua vida. Não era muito de leitura, mas decidiu ler “l’espoir, de andré malraux”, que trata da guerra civil espanhola e por causa de uma frase que leu no livro “Dez simples palavras” (p.21) revolucionou todo o seu mundo interior. A leitura pode sacudir a alma, não é?

O sentir humano é uma espécie de caleidoscópio instável… (p. 23)

O personagem “artur paz de semedo” citado sempre assim com o nome completo, leu no livro de Malraux que trabalhadores haviam sabotado as armas para que não funcionassem e foram fuzilados. E ele como funcionário de uma fábrica de armas sentiu- se confuso com isso e telefonou à ex- mulher para contar. Ela sugere que “artur” investigue se a fábrica em que trabalha forneceu armas para os fascistas na época da guerra civil espanhola.

Alguns desenhos do escritor alemão Günter Grass (Danzig, 16/10/1927, também prêmio Nobel de Literatura- 1999) que ilustram o livro:

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Depois de uma interrupção causada pelo lançamento de Caim e suas tempestuosas consequências, regressei a Belona S.A. Corrigi os três primeiros capítulos (é incrível como o que parecia bem o deixou de ser) e aqui deixo a promessa de trabalhar no novo livro com maior assiduidade. Sairá ao público no ano que vem se a vida não me falta.   ( Saramago, 24-10-2009)

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A faceta de desenhista do escritor Günter Grass. Artur paz semedo entrando nos arquivos da fábrica de armas.

A ideia do livro José explica em uma nota, ele fala como seria o futuro romance (p. 79):

Afinal, talvez ainda vá escrever outro livro. Uma velha preocupação minha (porquê nunca houve uma greve numa fábrica de armamento) deu pé a uma ideia complementar que, precisamente, permitirá o tratamento ficcional do tema. Não o esperava, mas aconteceu, aqui sentado, dando voltas à cabeça ou dando- me ela voltas a mim. O livro, se chegar a ser escrito, chamar- se – á ‘Belona’, que é o nome da deusa romana de guerra. O gancho para arrancar a história já o tenho e dele falei muitas vezes: aquela bomba que não chegou a explodir na guerra civil de Espanha, como André Makraux conta em ‘L’Espoir’

As notas são fantásticas, Saramago nos conta sobre a arquitetura do romance. Ele já tinha até pensado na frase final do livro. “Vai à merda!” (p. 81)

No dia 2 de fevereiro de 2010, decidiu mudar o nome do futuro romance de Belona para Alabardas. É de Gil Vicente, da tragicomédia ‘Exortação da Guerra’. Explicou Saramago no dia 26-12-2009.

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No segundo capítulo, o personagem solta um provérbio popular português que a sua avó lhe dizia: “por bem fazer, mal haver” (p.31). Às vezes a gente faz o bem e recebe o mal em troca, por que será? Levo comigo. Boa lição para refletir. Outra coisa que ficou implícita no texto é a questão da moralidade de quem fabrica armas…ou mortes.

Uma coisa que percebi hoje. O humor de Antônio Torres é muito parecido com o de José Saramago. Leiam um e outro e comparem. Lendo José lembrei de Antônio.

Muito bom o sentido literal e literário dessa frase:

A prudência manda que no passado só se deva tocar com pinças, e mesmo assim desinfectadas para evitar contágios. (p. 62)

Profundamente emocionada terminei a leitura desse livro, que podia ser um dos melhores de José Saramago, aliás, podia ser não… é! Mesmo sem terminar. O jeito é desfrutar da obra que ele nos deixou, inclusive esses três capítulos de Alabarda e não lamentar pelo que não pode ser, além do mais, essa obra faz viajar e imaginar qual teria sido o final dessa história. A última frase do último capítulo é muito significativa, mas não vou revelar o fim da grande história. Grande Saramago.

Toda gente gosta de ser bem tratada, senhor administrador, uma boa palavra faz milagres (p.76)

10646973_334647120046793_6171048666485428821_nSaramago, José. Alabardas, Porto Editora, Portugal, 2014. 135 páginas

Clube de Leitura, resenha 2: “Aqueles tempos”, Edney Silvestre- por Ludmila Aguiar


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O jornalista e escritor Edney Silvestre ( Facebook do autor, foto de Leo Aversa)

A resenha de Ludmila Aguiar é mais informativa e emocional que a anterior de Teorema dos Sonhos, que teve uma visão mais crítica e política dos fatos contados em Aqueles tempos- nos bastidores de Vidas Provisórias. São dois estilos diferentes: Veja:

Lançado gratuitamente em e-book, “Aqueles tempos – Nos bastidores de Vidas Provisórias”, o escritor Edney Silvestre explora as histórias que ajudaram a construir o universo ficcional dos personagens protagonistas, Paulo e Bárbara, de Vidas Provisórias. O autor expõe como relacionou a trama do seu romance, as situações vividas por ele (como a sua prisão durante a ditadura militar), situações ocorridas com terceiros, bem como as suas impressões e experiências sobre os países em que ele passou, os EUA e o Iraque, como jornalista correspondente internacional.                                                                           

A história de Paulo se passa durante os anos de repressão da ditadura militar no Brasil, em meados dos anos 1970, um preso político e torturado vivendo na Suécia e aqui conhecemos fatos verídicos e pessoais que ligam à ficção a realidade. Embora em época diferente, Bárbara, ao ir embora do Brasil em busca de melhores condições de vida nos EUA em 1991, tem em comum com Paulo, a fuga, a clandestinidade e o isolamento provocado pelo exílio. E para a construção desta personagem, a experiência jornalística de Edney ajudou a ambientar os sonhos e as agruras de uma imigrante nos EUA. Desta forma é possível conhecer o que inspirou o autor a escrever sobre estes dois personagens que estão distantes no tempo, mas que carregam em comum a marca da época, do processo histórico em que vivem.    

Antes de ler esse e-book, achei que estranharia ler um livro que de certa forma é uma espécie de bastidores de um romance. Pensei que não fosse entender a estória. É como se Aqueles tempos servisse como um aperitivo, para degustar e criar o interesse pelo que estar por vim em Vidas Provisórias. Achei interesse o autor mostrar um pouco aos seus leitores o seu processo de inspiração e construção narrativa. Fiquei com aquela sensação de que agora sempre vou me perguntar de onde tal autor tirou inspiração para o seu livro rs. A leitura tem esse papel de ajudar a elevar a imaginação com as descrições dos personagens, situações, cenários. E quando a gente gosta de uma estória, passa a imaginar tudo que está sendo descrito. E este livro de Edney meio que vem para comprimir a função de ilustrar o que é narrado. Por isso gostei também das fotos dos locais que servem de inspiração para contextualizar o romance. Se a intenção é despertar o interesse em “Vidas Provisórias”, em mim ele atingiu a sua finalidade.

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Você pode baixar gratuitamente esse livro no iTunes, no site da Amazon e da Saraiva,

Clube de leitura, resenha 1: “Aqueles tempos”, de Edney Silvestre- por Teorema dos Sonhos


O nosso Clube de Leitura rendeu essa boa resenha crítica sobre o livro “Aqueles tempos- nos bastidores de Vidas Provisórias“, de Edney Silvestre, um livro curtinho, como se fosse uma reportagem. A resenha é do escritor do blog Teorema dos Sonhos, de Lotthar Vlozian:

Nos bastidores de vidas provisórias de Edney Silvestre 

Dois personagens saem do Brasil por motivos diferentes. Um porque teve a sorte de não ter sido morto e foge para a Europa e a outra personagem porque teve a opção de se retirar do pais por estar assustada com a onda de violência no país.

O que esses dois personagens possuem em comum? Não são livres no Brasil e por viverem no exterior as suas vidas estão suspensas e interpretam papeis perigosos porque ser ator na vida real pode custar a vida.

Experiências vividas, relatos e testemunhas do autor são misturados também com pesquisas em livros além de uma pitada de imaginação. O romance foi feito assim com fragmentos da história, testemunhos de pessoas reais e a imaginação para recriar esse cenário de uma época de violência num país pobre de liberdade, nessa obra os personagens reais viveram de fato e de fato morreram aqueles que lutaram pela liberdade e por suas próprias vidas.

Se não era fácil conseguir que os países apoiassem todos os que fugiam dos seus países na época da dita-cuja, aquela, que é violenta como um ato institucional de fazer sexo proibido em Oslo ou em Madagascar e seja no primeiro mundo ou no fim do mundo tudo o que se deseja é um sexo que faça a gente perder as esperanças de que iremos perder nossas vidas sem ter nenhuma explicação como se fosse um tipo de inquisição do século XX a merda é essa: quero explodir todos os quarteis generais do mundo e deixar apenas os bordéis e claro a estátua da liberdade seguraria um pênis, um pênis como a lembrar que só as mulheres são livres para segurar um pênis até mesmo em esculturas. A ditadura militar no Brasil por outro lado, num momento mais atual na linha do tempo da historia as mesmas cenas de violência se repetem com todos os seus horrores não é algo que ficou parado no passado mas no presente acontece de varias formas a violência a violência militante por uma justiça que deseja a liberdade de que as coisas sejam sempre de acordo com os interesses de quem possui o poder e o dinheiro para poder ir em bordeis .

Ela pode assumir varias formas, a violência ou se preferir pode chamá-la de liberdade ou arbitrariedade como uma ditadura militar, sanções de governos contra determinados países como no caso da região do Oriente-Médio sempre sendo arrasada pelos americanos, por eles, não por nós daqui da America do Sul ou no caso pode ser a prostituição de brasileiras em Nova Iorque e as vezes fugir de uma situação é trocar um problema por outro: a liberdade de ser morto ou desaparecer por causa da censura ou viver clandestinamente interpretando um papel de prostituta na terra da liberdade, só que a liberdade não é para estrangeiros na América. Não é para aqueles que vivem ilegalmente até mesmo nos países onde nasceram e a constituição vale menos do que os atos institucionais que instituíram que a vida de muitas pessoas seria um inferno em qualquer lugar do planeta.

E a violência nasce: como a Canção de Berço de Drummond a vida é tênue, tênue. Nascem os gêmeos se desfazendo em poeira e cheirando a carne humana queimada e se isso não indica o nascimento da fragilidade de um sistema de segurança dos americanos que começa a ruir, então, pelo menos é a constatação de que algo no mundo está errado porque muitas pessoas morreram no ataque aos irmãos e isso serviu para justificar a retaliação ao Afeganistão, se as nações são irmãs ninguém sabe, mas as torres eram gêmeas: ruíram do mesmo mal porque eram bens imóveis que não se mexiam e movimentavam um mundo de dinheiro.

Enquanto se observa a maravilha da liberdade segurando um pênis flamejante nas mãos, ela, a mulher libertina, fria em Estocolmo me faz gozar de horror por não saber falar a sua língua que me lambe enquanto gozo de prazer num quarto tão apertado como estar transando dentro da caçamba de um carro sabendo que se a porta abrir se vai morrer, mas não de prazer, mas de motivo nenhum, enquanto a canção nina os gêmeos que acabaram de nascer de forma suave como a morte rápida sem dor, ela mama como um bebê a minha teta masculina enquanto minhas mãos empurram a capital importância do meu prazer de dormir um sono tão bom como gozar do horror por não saber se é preciso sentir prazer com a minha verdadeira identidade ou se se pode dormir tranquilo como um estrangeiro verdadeiramente falsificado prestes a ser enganado enquanto dorme e a poeira sobe e o meu orgasmo me faz dormir um sono que não me faz dormir mas me deixa de sobressalto para o que  der e vier e tenho que viver como outra pessoa a minha vida e ela não existe e se ela existir tudo estará acabado e o retorno poderá ser sem volta tanto talvez para um pais distante quanto para própria vida original e de quebra a questão é tênue, tênue, como a falta de sentido de todas as formas de violência, tênue, tênue, como uma pergunta porque motivo ou porque somos tênues, tênues, como a vida, como a morte, como querer que ninguém descubra a nossa identidade, como o medo, tênue, como o sangue escorrendo como o gozo que deseja mais sangue, mais desejar mais sangue pelo o que não faz sentido como desejar viver em paz e isso também não nos dá nenhuma pista e nem a resposta para o sentido da vida e a resposta está no fato de que ela é tênue, tênue ilusão de liberdade.

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Esse livro é um e-book gratuito, é ótimo como leitura prévia de “Vidas provisórias”, que é um livro fantástico!

Faça como Teorema dos Sonhos, participe do nosso Clube de Leitura que está em plena votação do próximo livro e terá sua resenha publicada aqui. Obrigada Lotthar, gostei muito das questões que levantou sobre a imigração e essa linha tênue que os colocou na corda- bamba, a prisão ou liberdade. E serve como reflexão e alerta para que “Aqueles tempos” não voltem jamais no Brasil.

Clube de Leitura: a ressurreição!


Oba, a “bronquinha” de ontem deu certo! Amanhã postarei duas resenhas que me enviaram. Fiquem de olho!

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Vamos combinar a nossa próxima leitura? Dessa vez será mais democrática a escolha do livro, irei deixar uma lista abaixo e o mais votado será a obra lida e resenhada. Para quem não sabe, moro em Madri, aqui há uma certa dificuldade em encontrar os mesmos títulos de literatura brasileira que vocês aí no Brasil. E como o blog é internacional (viva!) e destinado a todos os falantes de língua portuguesa (o pessoal de Portugal está firme e forte por aqui!), tenho que escolher títulos que sejam fáceis de encontrar em todos os lugares, em versão e-book.  Os escolhidos foram três de literatura brasileira e três de literatura estrangeira: romances, contos e poemas. Vote no seu preferido:

1. Essa terra, Antônio Torres ( romance, um dos meus livros preferidos)

2. Antes que eu morra, Luis Erlanger (romance, é o primeiro do autor, nunca li nada dele, mas parece bom)

3. Vidas provisórias, Edney Silvestre (romance, é o livro que alguns de vocês já leram os bastidores, o “Aqueles tempos”).

4. As flores do mal, Charles Baudelaire (poesia clássica francesa)

5. Ao Farol (ou “Rumo ao farol” em Portugal), Virgínia Woolf ( romance, literatura inglesa).

6. Dublinenses, James Joyce (contos do consagrado escritor irlandês)

A votação estará aberta até a próxima quarta- feira. Escolhido o livro, marcarei a data para a entrega das resenhas. Ânimo, pessoal!

Clube de Leitura: fracasso absoluto


Se eu estou surpresa? Não.

Quando eu fiz a proposta do Clube de Leitura há mais de um mês, escolhi um livro muito curto, fácil por se tratar de literatura informativa, e grátis, mesmo assim as pessoas que se comprometeram não enviaram as resenhas, sequer um parecer. Se eu fiquei chateada? Não. Nós vivemos numa época muito volátil, ninguém se compromete consigo mesmo, quanto mais com os outros, não é? A palavra voa.  As pessoas fingem que leem. Tem gente que faz resenhas sem ler o livro! Comprar muitos livros e ter uma linda biblioteca em casa, não significa que você vai ser um bom leitor. Livro fechado é dinheiro jogado fora ou apenas um objeto decorativo para impressionar as pessoas que visitam a sua casa.

Para não ser injusta, teve um rapaz que disse que não iria fazer a resenha, porque o livro era tão curto e não sabia como fazer. Mais ou menos isso. Pra você, meu obrigada e valeu a tentativa.

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Esse “clube” era para selecionar alguns colaboradores aqui para o blog. Intenção falida. Poderia ter sido algo muito legal, mas vai terminar sem nem ter começado. Seguimos.

Pareceu bronca de professora, não? Sim, um puxão de orelha. LEIAM!! Abram os seus livros!