Novo livro de Edney Silvestre em setembro


A nova obra de Edney Silvestre sairá à venda em setembro com um super lançamento: leitura do texto da grande atriz Fernanda Montenegro, no dia 2 de setembro no Teatro Leblon, Sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, com horário ainda indeterminado. Nas palavras de Edney: Boa noite a todos” é composto de uma novela, uma peça de teatro e um ensaio – todos com a mesma personagem. Fernanda Montenegro vai ler a peça.

A seguir a sinopse da Editora Record, a capa é de Leonardo Laccarino:

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A grande literatura tem, entre seus atributos, a faculdade de criar personagens que, embora ficcionais, resultam tão reais e verdadeiros como se de carne e osso. Maggie, a protagonista da novela e da peça que compõem “Boa noite a todos”, é uma dessas personagens que ganham vida a partir das páginas do livro, algo cada vez mais raro na literatura brasileira contemporânea. A convivência com seu drama – o de uma mulher cuja memória começa rapidamente a se esfacelar – é um profundo e emocionante aprendizado sobre a alma humana e, exatamente por isso, também reafirmação, parágrafo a parágrafo, da própria vitalidade literária.

Maggie é uma brasileira de seu tempo, que, como muitos latino-americanos, conheceu na Europa dos anos 1960 e 70 a liberdade que os anos de chumbo tolhiam em seu país natal. Essa liberdade teve, no entanto, como revés, a ausência de uma terra firme à qual se prender. Marcada pelo destino dos expatriados, ela enfrenta agora a perda do pouco que lhe resta de identidade: a lembrança dos deleites e dos infortúnios de uma existência intensa. Londres, Nova York, Amsterdã e Berlim confundem-se, assim como se embaralham, à distância, os antigos amores, a família e os amigos. Sozinha e progressivamente incerta das próprias recordações, Maggie não se reconhece. Quem, afinal, realmente é?

Edney Silvestre – ficcionista de voz inconfundível – conduz com técnica impecável o ocaso de Maggie e sua luta por ancorar-se nos últimos resquícios da memória. E o faz recorrendo a uma estrutura engenhosa, que, se já surpreenderia ao costurar, em sequência, modalidades narrativas diversas, vai ainda além, somando à novela e à peça um ensaio que lhes investiga a gênese.

De alcance universal, “Boa noite a todos” representa mais um patamar no generoso e não menos complexo edifício literário em que Silvestre – desde sua estreia na ficção, com o já clássico “Se eu fechar os olhos agora” – abriga e situa a geração que se formou sob as grandes transformações políticas e sociais da segunda metade do século XX. Uma leitura inesquecível e incontornável, que reforça a literatura como o mais prazeroso meio de se apurar nossa história.

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PDF grátis: “A arte da ficção”, de David Lodge


Estou montando uma biblioteca com livros sobre o fazer literário, tema que muito me interessa. Todos os livros são edições esgotadas e sem opção de compra, respeitamos os direitos autorais. Mais uma obra ótima para as pessoas que estudam ou trabalham na área de Letras: “A arte da ficção”, do escritor, professor, crítico e roteirista David Lodge (Londres, 28 de janeiro de 1935).

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É só clicar aqui, o link te levará direto ao PDF (em espanhol).

PDF grátis: “Cartas a um jovem escritor”, de Mario Vargas Llosa


Mais uma joia para o pessoal de Letras: “Cartas a um jovem escritor”, de Mario Vargas Llosa (Arequipa, 28 de março de 1936), prêmio Nobel de Literatura 2010. Este é um ensaio epistolar com tom autobiográfico, Llosa nos conta como nascem os romances, fala sobre temas essenciais: o estilo, a persuasão, o espaço, o tempo do narrador, a ficção, a autenticidade, enfim, tudo o que envolve o trabalho de criação da narrativa. Só um detalhe: está em espanhol, mas isso não é problema, não é pessoal?! A edição é da Ariel, editora de Barcelona, Espanha.

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É só clicar aqui, o link te levará direto ao PDF.

O império do efêmero, Zygmunt Bauman (conferência, Madrid, 2010)


Falando em Literatura

Estamos vivendo a era do passageiro. Quase nada é feito para durar, tudo passa veloz e acaba caindo na insignificância.  Todo mundo tem pressa, urgência, ninguém entra mais em labirintos, a preferência é pelos atalhos. Chega- se antes, mas não se aprecia a paisagem, o caminho. A aprendizagem, que só o tempo proporciona fica prejudicada. Os bons pratos precisam de tempo para serem degustados, mas o fast- food prevalece. Até as pessoas são descartáveis na hora das relações de trabalho. A balança é descompensada e sofre o lado mais fraco. A troca é injusta, desigual. Quantos precisam sofrer para um só ficar rico?

Reflexões depois de assistir a conferência “Desigualdade na era moderna líquida”, do filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman (19-11-1925, Póznan- Polônia) catedrático emérito das universidades de Leeds e Varsóvia, que impressiona pela vitalidade, memória e lucidez aos seus 85 anos. Foi um imenso prazer ouvir Bauman por quase…

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Resenha: “Pedro”, Luiz Taques


Luiz Taques(Corumbá, Mato Grosso do Sul, 1958) é um jornalista e escritor que vive em Londrina (Paraná). Sua obra consta de dois livros de contos, um infantojuvenil e o último, “Pedro”(2013), romance.

tn_620_600_taquesEu não costumo aceitar livros de escritores desconhecidos, porque as experiências anteriores foram 99% negativas. A maioria nem cheguei a colocar no blog para não prejudicar os autores, mas “Pedro” achei que valia a pena. Apesar de alguns problemas técnicos, pensei que Taques seria um escritor de futuro. Espero, sinceramente, que essa crítica, para mim, construtiva não irrite muito o autor e seja encarada como positiva. A editora Kan (de Londrina) pela voz de Regina Utsumi enviou- me dois exemplares, um deles autografado. Agradeço a ambos pela gentileza. A leitura e a resenha andam juntas, vou anotando as minhas impressões. E essa leitura não acabou bem. A princípio achei que a obra teria salvação, mas a leitura acabou no capítulo 8 e com muita indignação.

O livro começa com um erro de extensão, 79 páginas, o que entraria para a categoria “conto”. Narrativa para ser considerada romance de acordo com o cânone literário, deve estar entre 300 a 1200 páginas. No Brasil isso não é respeitado, desde José de Alencar e Machado de Assis. Coisa diferente acontece na Europa, os autores antigos, modernos e pós- modernos levam isso muito mais a sério. A escassez de páginas incomoda um pouco, porque dificilmente pode- se desenvolver todas as fases do romance em tão poucas páginas, fica a sensação de incompletude, de fases essenciais que foram queimadas. Muita gente vendendo conto como romance, acho importante a categorizarão correta e pelo menos atender o mínimo aceitável no padrão brasileiro, 100- 200 páginas. Um conto não pode ser nomeado romance na marra, só porque você quer. Dito isso, vamos ao texto em si:

“Pedro” está ambientado na zona rural, em uma cidade fictícia chamada “Buraco quente” (nome também de um sanduíche), calorosa como o próprio nome diz. O texto nos transporta ao pantanal mato-grossense e com uma chamada de atenção à pesca predatória, os peixes pescados antes do tempo. O narrador- personagem (texto narrado em primeira pessoa, o protagonista conta e vive a história ao mesmo tempo) é Pedro, que narra a história da sua numerosa família que vive condicionada pelo rio, pela morte do pai pescador, a tristeza da mãe e as lembranças amargas pela falta de recursos. Essa é uma narrativa construída em cima das memórias do narrador, a princípio; no quarto capítulo o protagonista introduz a questão do adultério da mãe totalmente sem sentido e porquê. O narrador emplaca um diálogo mental com o irmão ausente, falando sobre prostituição e outros temas. O diálogo continua com períodos super extensos, repetição de palavras, que essa generosa resenha comparou com um fluxo de rio– justamente, o ponto mais negativo da obra: a forma (até então pensei assim). Entendo que o autor quis reproduzir a fala oral do filho do pescador, mas os períodos compridos demais e o excesso de vírgulas, poluiu o texto. Escrever parágrafos tão extensos é arriscado e difícil, o leitor pode ficar confuso como eu fiquei logo na primeira página:

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Prestem atenção no trecho sublinhado e no verbo “cometa”. Eu parei a leitura aí, voltei três vezes a frase para entender o que essa palavra significava. “Cometa Halley” e até pensei que fosse erro de impressão, “será ‘comenta’?” O trecho é assim:

(…) é que toda a gente de Buraco Quente resolva imitar o que a gente aqui de casa fez com o próprio quintal, e então, toda a gente de Buraco Quente, cometa (…)

Ficaria melhor assim:

(…) é que toda a gente de Buraco Quente resolva imitar o que a gente aqui de casa fez com o próprio quintal e cometa (…)

O estilo não pode comprometer o entendimento do texto. Se a pretensão foi a fluidez de um rio, nesse caso funcionou como um estanque ou pesque- pague.

Também não gostei dessa metáfora pobre:

(…) o vazio é como uma página de papel sulfite em branco. (p.33)

Existem coisas que jamais deveriam estar na página de nenhum livro, em nenhuma boca de personagem, porque além de não fazerem sentido, são altamente ofensivas, além de inverossímeis. Provocam preconceitos, por isso não vou reproduzir aqui. Para mim é inadmissível qualquer escritura que compare mulheres na menopausa com frutas murchas e afins. Parei de ler no 8º capítulo, para mim detonou a obra o autor ter colocado na fala do seu personagem a invalidez das mulheres na menopausa da pior maneira possível. Não só como mulher, mas como ser humano, não apoio nenhum tipo de estigma ou preconceito que denigra a nossa feminilidade. A ficção tem muito mais força muitas vezes que a própria realidade. Há que se ter cuidado com afirmações machistas e destrutivas que as mulheres lutam há tantos anos para desfazer.

No começo dessa resenha senti uma espécie de remorso pela crítica ruim que viria, mas termino com a certeza que é o tipo de livro que não precisa existir. Sinto muito a quem possa ferir, pior fiquei eu. Luiz, continue como jornalista, que é o que você faz bem, parece. Deixe a literatura para quem sabe, ou mude a sua direção, você errou tanto na forma quanto no conteúdo.

Eu iria sortear esse livro entre os leitores do blog, mas vai ficar na gaveta.

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Taques, Luiz. Pedro. Kan, Londrina, 2013. 79 páginas

Resenha: Safo, a poetisa grega


Safo foi uma poetisa grega que nasceu na ilha de Lesbos, possivelmente em Mitilene, no final do século VII a. C., portanto, uma das escritoras mais antigas da humanidade.  Platão, dois séculos depois, referiu-se a ela como “a décima musa”. A poetisa é uma figura enigmática, não se conhece muito sobre ela, sua história é uma colcha de retalhos, como a sua obra fragmentada. Safo pertencia a uma sociedade chamada “thiasos”, onde as mulheres eram preparadas para casar. Ela era professora de poesia, fundou uma escola de literatura, suas discípulas apaixonavam- se por ela. De acordo com seus poemas (totalmente autobiográficos), a escritora mantinha relações com as alunas, daí surgiu a expressão “lésbica” para as mulheres homossexuais, por causa do local onde a poetisa morava. A poesia de Safo comprova que a homossexualidade realmente é muito antiga e aceitada na Antiguidade. E, possivelmente, a palavra pejorativa “safado(a)” tenha origem em Safo. Há quem acredite que a origem seja árabe, mas creio na origem grega.

SafoSafo, poetisa grega

Por que é importante ler esse tipo de obra? Por vários motivos, cito alguns:

1. mostrar a atemporalidade da poesia, a de Safo tem mais de 2600 anos.

2. saber o que pensavam as mulheres naquela época (ou pelo menos uma delas),

3. seu valor histórico incontestável,

4. usos e costumes da época,

5. conhecer a construção do discurso, a arquitetura dos versos,

6. conhecer a base, a origem do fazer literário,

7. pelo prazer da leitura em si, já que a escritura de Safo tem grande valor literário.

8. Safo escreveu a primeira poesia lírica (conhecida) que se fez na Europa.

O livro “Poemas y Testimonios”, bilingue espanhol- grego, reúne toda a obra lírica de Safo. Veja o poema “A paixão”, Safo sente ciúmes de uma mulher quando um homem se aproxima, os sintomas físicos da paixão, sentimento arrebatador:

A PAIXÃO

Um semelhante aos deuses aparece

aquele homem que frente a ti se senta,

de perto e quando docemente falas

te escuta, e quando ri

Sedutora. Isto- sem dúvida- faz meu coração palpitar dentro do peito.

Olho para ti um instante e da minha voz

nem um fio me atende,

a língua permanece inerte e um sutil

fogo debaixo da pele flui ligeiro

e com meus olhos nada chego a ver

e zumbem meus ouvidos;

me transborda o suor, toda invadida 

um tremor, e mais pálida fico

que a erva. Não falta- me parece-

muito para estar morta.

(tradução: Fernanda Jiménez)


Eu já vi vários poemas com esse título, esse é muito mais antigo:

PLENILÚNIO

Os astros em torno da formosa lua

por detrás escondem sua radiante imagem

cada vez que, cheia, vivamente ilumina

a terra.

                        como prata.

(Tradução: Fernanda Jiménez)


O IMUTÁVEL

Para as belas

– para vocês-

meu pensamento

nunca é mutável.

(Tradução: Fernanda Jiménez)


Os deuses do Olimpo (que não são apenas doze, segundo alguns autores da Antiguidade) estão presentes em muitos poemas:

A VIOLÊNCIA DE EROS

Eros sacudiu minhas entranhas

como um vento abatendo- me no monte

sobre os carvalhos.


Há muitos poemas de um e dois versos, fragmentos ou inteiros, não se sabe. Veja alguns, que no livro estão numerados:

29

Apaixonei- me de ti, en um dia longinquo, Atis.

Parecia- me uma menina desajeitada e pequena.

30

BELEZA INTERIOR

Pois belo é quem é belo em quanto ao seu olhar.

Mas também o bom tem que ser logo formoso.

31

PERFIL DUVIDOSO

Não sei o que decidir: dois são os meus pensamentos.

32

TOCAR O CÉU

Mas de tocar o céu inabarcável não me vejo capaz.

(tradução: Fernanda Jiménez)


Pieria é uma cidade da Grécia:

35

LAS ROSAS DE PIERIA

E morta jazerás, e não haverá um dia nem uma recordação de ti nunca no futuro: porque não participas das rosas de Pieria; e sim, invisível inclusive na mansão de Hades, irás errante entre apagados mortos, caída do teu vôo.

(tradução: Fernanda Jiménez)

Termino com um poema onde Safo diz quem é e para quê veio. Dois versos desafiantes, que evocam a liberdade das mulheres, por isso, Safo tornou- se referência nas lutas feministas. Também faz pensar se não é uma afirmação sobre a homossexualidade de Homero (possivelmente):

55

COMPARAÇÃO COM HOMERO

Safo é o meu nome, e destaquei entre as mulheres

com minha poesia tanto como Homero entre os homens.

(tradução: Fernanda Jiménez)


Um livro interessantíssimo! Só de pensar o quanto é antigo já emociona. Coloque os clássicos na sua lista de leituras, verá o quanto é enriquecedor.

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Safo. Poemas y Testimonios. Edición de Aurora Luque. El Acantilado, Barcelona, 2004. 190 páginas

PDF grátis da obra “Tempo e narração”, de Paul Ricoeur


A obra “Tempo e narração” do filósofo e antropólogo francês Paul Ricoeur (falecido em 2005) está esgotada na Espanha (e no Brasil?); por sorte, achei o PDF grátis (em espanhol). Corra e faça o download antes que desapareça! Obra importantíssima para o pessoal de Letras, pois trata da teoria da narrativa.

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Paul Ricoeur, além de fantástico, era bem- humorado com seus óculos de lentes móveis.

A obra consta de três volumes, o crédito vai para o blog Tempo espiral (abra o link e clique nas capas dos livros para baixar).

Enjoy it!