O que é bibliomania?


Bibliomania é a mania compulsiva de colecionar livros. A patologia pode ser detectada quando a pessoa coleciona livros iguais, do mesmo autor, mesma edição, sem a menor utilidade e que não teria valor para um verdadeiro colecionador. Mas, no nosso caso, vamos falar de ficção: “Bibliomania”, conto do escritor francês Gustave Flaubert (Ruão12/12/1821 – Croisset, 08/05/1880).

carjat_rectoGustave Flaubert fotografado por Étienne Carjat (Fareins, 28/03/1828 – Paris, 19/03/1906) famoso por fotografar os artistas da época. Fotografou também Rimbaud, Victor Hugo e outros.

carjat_verso (1)

O verso da foto que faz parte da coleção de Bernard Moland, um apaixonado pela obra de Flaubert, que encontrou fotos e documentos inéditos através do Centro Flauvert da Universidade de Rouen, graças à sobrinha de Flaubert, Caroline Commanville (1846-1931) que guardou todo esse precioso material. 

Bibliomania foi escrito quando Flaubert era muito jovem, tinha apenas 15 anos. O relato foi publicado na revista “Le Colibri” da cidade de Rouen. Essa edição espanhola da Gadir foi bem decepcionante, as datas estão todas erradas: a de nascimento colocaram 1836 e Flaubert nasceu em 1821; o ano de publicação de Bibliomania também, colocaram 1847, mas foi 12 de fevereiro de 1837. Portanto, caros leitores, não acreditem em tudo o que está escrito, em caso de dúvida, comparem com outras versões. Infelizmente, há livros com erros de todos os tipos. Graficamente, o livro é bonito, bem feito, capa dura, todo ilustrado pelo artista Marcos Morán, mas com erros de informação imperdoáveis.

O narrador nos conta a história de Giácomo, de aparência tétrica, suja, pouco saudável, que mora em Barcelona:

Era Giacomo, o livreiro; tinha trinta anos e já passava por velho e usado. Era alto, mas encurvado como um idoso; seus cabelos eram compridos, mas brancos; suas mãos eram fortes e nervosas, mas dessecadas e cobertas de rugas; sua roupa era mísera e esfarrapada; tinha um jeito canhestro e atrapalhado; sua fisionomia era pálida e triste, feia, insignificante até. 

Giácomo é fascinado por livros, mal sabe ler, ele gosta do objeto, do que ele significa, nem tanto do seu conteúdo que mal pode decifrar.  Sua forma doentia de amar os livros e manuscritos é tanta, ao ponto de prejudicar a sua saúde:

Aquela paixão o absorvera por inteiro: mal comia, já não dormia; mas sonhava dias e noites inteiros com a sua idéia fixa: os livros.

A sua obsessão pelos livros raros era desmedida, Giácomo é um livreiro que não quer vender seus livros e não mede esforços para ter os que deseja.

Estava, sim, embriagado do que sentira; estava cansado de seus dias; estava bêbado da existência.

Incrível pensar que esse conto foi escrito por um menino de 15 anos. O talento, esse dom inexplicável e divino, já nasce. O talento aliado ao trabalho, fundamentais para se passar a imaginação ao papel, fizeram de Flaubert um dos melhores escritores de todos os tempos . Não deixe de ler!

Você pode ler o conto completo e grátis aqui. 

Não comprem a edição abaixo:

147_BIBLIOMANIA_01

Flaubert, Gustave. Bibliomanía. Gadir, Madrid, 2014. 61 páginas

Não confunda bibliomania com bibliofilia, esse é o amor pelos livros especiais, primeiras edições, livros raros, edições corretas, nesse sentido eu sou uma bibliófila e fico muito chateada quando invisto num livro aparentemente bem cuidado, com erros fatais como os citados.

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