Resenha: “Meninos, eu conto”, de Antônio Torres


“Meninos, eu conto” está “classificado” como literatura infanto- juvenil, mas é adequado para todas as idades. E atenção, professores: altamente recomendado para ler na escola!

Antônio Torres (Sátiro Dias, antigo Junco, Bahia, 13-09-1940)  é um mestre do romance, mas aventurou- se também pelo conto e saiu com essas três histórias: Segundo Nego de Roseno, Por um Pé de Feijão e O Dia de São Nunca. É como se fosse um livro de memórias sobre a infância do escritor, daquelas coisas que marcam quando somos crianças, mas que podem ser as histórias de qualquer um, principalmente os que moraram nas cidades pequenas. Então, conta Antônio…

Segundo Nego de Roseno

Essa é a história de um menino que mora no Junco, quando ainda era um povoado e que trabalha na roça junto ao pai. As missas esporádicas eram a única diversão, no tempo em que ainda não havia chegado o progresso, nem os carros, quer dizer, só havia a fubica do Nego de Roseno, um carrinho desses da Ford fabricado nas décadas de 30 e 40:

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Esse era um tempo em que se sabia o valor real das coisas.

Por um pé de feijão

Aqui outra vez o menino, alter- ego de Antônio Torres nos contando a vida simples do Junco. E de como a alegria pode virar tragédia em um segundo, e que por sua vez, transformar- se em resignação e luta.

O dia de São Nunca

A chegada de três forasteiros mudam a rotina de um menino doente e sozinho. Órfão do pai alcoólatra, a mãe trabalha na roça e é rezadeira. Quem nasceu/morou na Bahia, com certeza ainda hoje, ouve ladainhas assim, com suas diferentes versões (alô, Tia Nio, saudades!) :

Com dois te botaram
com três eu te tiro
com pernas de grilo
que vem do retiro.
É de metetéia
é de manenanha
que esse menino fique bom
de hoje pra manhã. (p- 46-47)

 

Esse conto mostra personagens que debocham da crença alheia, da inocência, a soberba que torna o humano tão feio. Gente que rouba de quem não tem o que ser roubado. A falta de qualquer escrúpulo.

Terminei o livro com um suspiro profundo. Belo!

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Torres, Antônio. Meninos , eu conto. Record, Rio de Janeiro, 2011.  67 páginas. ePud

 

 

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