Uma carta de amor: Lord Byron a Caroline Lamb


Em Agosto de 1812, o poeta Lord Byron  (Londres, 22/01/1788 – Missolonghi, 19/04/1824) escreveu uma carta para a sua amante aristocrata Caroline Lamb, também escritora. Byron, casado com Anna Isabella Milbanke, teve inúmeras amantes, inclusive uma prima e sua irmã Augusta, com quem teve uma filha chamada Medora. Com a esposa teve uma filha, Ada Lovelace, que foi escritora e matemática. Os laços de sangue parece que não eram importantes para o poeta.

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Montagem de um retrato de Caroline e Lord Byron

A carta de Byron é típica de um “bico doce”, lábia ele tinha. O texto é de amor e despedida, mas indo sem querer muito ir. O post-scriptum é ainda mais esclarecedor, parece um homem apaixonado e nas mãos de Caroline. Veja a carta do poeta a Caroline:

Minha querida Caroline:

Se as lágrimas, que você já viu e sabe que sou muito propenso a derramar; se a agitação com que me separei de você, uma agitação que deve ter percebido ao longo de toda essa relação, a mais nervosa das relações possíveis, não começaram até o instante em que se aproximava o momento de deixar- te; se tudo o que disse e fiz, e que continuo estando totalmente disposto a dizer e fazer, não demonstraram o bastante quais são- e serão para sempre- meus verdadeiros sentimentos por você, meu amor, não tenho outra prova para oferecer- te.

Sabe Deus que desejo que sejas feliz, e quando te abandone, ou melhor, quanto você, por um sentido do dever a seu marido e mão, me abandone, haverá de reconhecer a verdade do que de novo te prometo e juro: que nenhuma outra, de palavra e obra, ocupará jamais o lugar no meu afeto que é e será sempre sagrado para ti, até que eu seja nada.

Nunca conhecei até esse instante, a loucura de…minha queridíssima e mais amada amiga, não posso expressar- me, não é o momento de palavras; mas sinto orgulho, prazer melancólico, ao sofrer do que você mesma apenas se poderia conceber porque não me conheces. Agora vou sair com o coração abatido porque- minha presença esta noite acabará qualquer fofoca absurda que os acontecimentos do dia possam fazer feito correr- pensa agora que sou frio, severo e engenhoso, pensam outros, pensa inclusive sua mãe por quem de fato temos tanto que sacrificar, muito, muito mais por minha parte do que nunca saberás ou poderás imaginar.

Promessas para não amar- te, ah, Caroline, é uma promessa passada, mas atribuirei todas as concessões ao motivo apropriado e nunca deixarei de sentir tudo o que você ha viu, e mais ainda, tanto que só poderá saber o meu próprio coração, talvez o seu. Que Deus te proteja, perdoe e abençoe, para sempre, inclusive mais além.

O seu apaixonado,

Byron

Ps: Esses sarcasmos que te levaram a isto, minha queridíssima Caroline, não iam dirigidos à tua mãe nem à amabilidade dos seus parentes.Há algo na terra e no céu que me faria mais feliz do que te ter feito minha há bastante tempo? E não menos agora que então, senão mais que nunca nesse momento; sabes que com gosto renunciaria a tudo aqui e mais além da tumba por você; se me contenho, podem meus motivos serem mal entendidos? Não me preocupa quem o saiba, ou que uso se faça disso, é para você e só para você a quem estão devidos, era e sou seu, livre e completamente, para obedecer, honrar, amar e fugir contigo quando e como você mesma possa e queira determinar.

Essa carta faz parte do livro 99 cartas de amor, Random House Mondadori, Barcelona, 2007, pg. 281, com minha livre tradução.