Como analisar um texto literário


Há uma variedade enorme de blogs literários: alguns são profissionais, escritos por professores da área de Letras; outros dedicam- se às resenhas com cara de sinopse e sorteio de livros; há blogs de gente muito jovem e com muita energia para ler “trocentos” livros por mês; outros, resenham o que não leram (muito engenhosos!); e ainda há muitos blogs escritos por gente apaixonada por livros, que fazem um trabalho lindo. Todos os citados são louváveis, já que fomentam de alguma forma a leitura. As resenhas em blogs são podem ser prolixas, porque ninguém lê (infelizmente), então as análises têm que ser macroscópicas, uma pincelada no essencial, um pouco da biografia, bibliografia, o texto em si e alguma curiosidade; no entanto, ser sucinto não significa ser descuidado e um mero reprodutor do que já existe. Crie seu próprio conteúdo, cuidado com a ortografia, muito cuidado com as fontes, certifique- se de que as informações são corretas e dê o crédito a quem você copiou. Não há nada errado em copiar, só não pode tomar como seu um texto que não é. Deixo aqui alguns parâmetros teóricos que podem ajudá- lo na hora de repassar para o blog o que você leu. Essa base teórica é do professor e escritor Massaud Moisés (A análise literária, Cultrix, SP, pg. 37), com esse pequeno roteiro tenho certeza que suas resenhas ficarão mais que satisfatórias:

tumii

Essa imagem começou a rolar na internet, a fonte é um blog em árabe.

Primeiro. Escolhida a obra ou fragmento dela, procede- se à sua leitura integral, leitura de contato, descontraída, lúdica, que deve fornecer a uma “impressão” ou “ideia” geral do texto, imprescindível para as fases posteriores da tarefa analítica;

Segundo. Releitura da análise (que pode e deve ser repetida tantas vezes quantas o texto o requerer), com o lápis na mão, assinalando no texto as passagens que mais chamam a atenção ou que envolvem problemas de entendimento;

Terceiro. Consulta do dicionário lexicográfico (e de termos literários), a fim de resolver as dúvidas quanto á denotação das palavras e expressões;

Quarto. Releitura tendo em mira compreender o índice conotativo das palavras e expressões;

Quinto. Apontar as constantes ou recorrências do texto, sobretudo no que toca à conotação;

Sexto. Interpretar tais contantes ou recorrências, que constituem a camada externa das forças- motrizes, com base nos elementos do próprio texto e nas informações que o analista já possui;

Sétimo. Consultar as fontes secundárias caso o texto reclame: história literária, história da cultura, biografia do autor, bibliografia acerca e do autor, seu contexto sócio- econômico- cultural (a Política, a Sociologia, a Psicologia, etc.);

Oitavo. Organizar em ordem hierárquica de importância as constantes ou recorrências, segundo critério estatístico e qualitativo, ou seja, segundo a quantidade de constantes e sua qualidade emocional, sentimental e conceptual;

Nono. Interpretá- las e buscar depreender as ilações que comportam, à luz dos dados selecionados, tendo em vista as forças- motrizes, isto é, a cosmovisão do escritor;

Décimo. Conclusão do trabalho e sua redação final. Como a análise, via de regra, não caminha sozinha, a redação final do trabalho analítico pressupões levá- lo a uma das zonas com as quais se limita, vale dizer, a crítica e a historiografia literária.

Espero que seja útil!

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13 Comments »

  1. Oi, Fernanda. Sou graduada em Letras também e o meu site é o Sopa de Letras. Estou seguindo vários blogs literários e notei exatamente isso: alguns fazem sinopses, outros são prolixos e vários são meros reprodutores de críticas literárias que podem ser encontradas facilmente na internet. Fazer resenhas literárias de qualidade requer estudo e tempo, são poucos os que estão aptos a fazer isto da maneira correta. Parabéns pelo seu trabalho e pelas dicas deste post! Um abraço.

  2. Eu achei legal o post por apontar várias características de blogs sobre livros. Eu nem sou formado em Letras, mas eu tenho um apreço muito grande por Literatura e mesmo não tendo aulas e mais aulas de Teoria Literária, acho que é possível fazer uma crítica de um livro de vários modos, seja de um viés social, ou econômico ou de várias outras áreas do conhecimento. Eu mantenho o meu blog com contribuição de outras pessoas, e caso alguém se interesse, vou deixar o link aqui: http://www.entrenaslinhas.wordpress.com (não sei se isso é permitido pela política desse blog, mas qualquer coisa, pode excluir o comentário sem problemas, caso ele esteja infringindo alguma regra pré-estabelecida). Ademais, o blog ainda está no início e tem poucos dias de posts e manutenção. Abraços.

  3. Agora não sei onde me encaixo. A bem da verdade, o meu blog é um delírio sobre as coisas que amo e livros está no topo da lista. rs

    Mas gostei do seu post, ele me fez pensar no porque tenho sido tão seletiva com relação aos blogues que leio. Um processo digamos natural e comum… rs

    bacio

    • Lunna, na verdade todos os blogs podem ter um pouquinho de cada coisa, não é? Afinal, blog também é um espaço lúdico, de distração. Mas concordo com o que você disse, há uma “seleção natural”, vamos seguindo quem temos maior afinidade.

      Abraços!

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