O poeta louco e maldito: Leopoldo Maria Panero


Faleceu nesse mês de março o poeta Leopoldo Maria Panero  (Madri,16 de junho de 1948 – Ilhas Canárias, 5 de março de 2014). Seus pais, Leopoldo Panero e Felicidad Blanc, também eram poetas, assim como seu irmão Juan Luis Panero. Panero formou- sem em Letras na Universidade Complutense de Madri e Filologia francesa na Universidade Central de Barcelona. Foi nessa época que o escritor provou várias drogas, entre elas a heroína, que foi fonte de inspiração para vários de seus poemas. A heroína é uma das drogas mais viciantes e prejudiciais ao organismo, não provem crianças! Com duas ou três vezes a pessoa já se vicia e há quem diga que é quase impossível deixá- la. Panero viveu a maior parte da sua vida internado em hospitais psiquiátricos, entrou a primeira vez com 19 anos,  morreu na mais absoluta solidão num deles, já não tinha mais ninguém da sua família. Ele foi apaixonado pela escritora Ana María Moix, que faleceu uma semana antes do Leopoldo.

1394106885_605843_1394142190_noticia_normal

Leopoldo María Panero, sentado num bar na ‘Plaza de las Palomas’ na cidade de León em maio de 2011. (foto: José Ramón Vega González)

Panero era da esquerda radical, anti- franquista (Francisco Franco, ditador da Espanha), ao contrário do seu pai, foi um rebelde nos anos 60 e 70, sua obra poética é singular, ele foi marginado e marginalizado, escritor (e pessoa) tabu na sua geração.

DEDICATORIA

Más allá de donde
aún se esconde la vida, queda
un reino, queda cultivar
como un rey su agonía,
hacer florecer como un reino
la sucia flor de la agonía:
yo que todo lo prostituí, aún puedo
prostituir mi muerte y hacer
de mi cadáver el último poema.

DEDICATÓRIA

Mais além do onde
ainda se esconde a vida, fica
um reino, falta cultivar
como um rei sua agonia,
fazer florescer como um reino
a suja flor da agonia:
eu que tudo prostituí, ainda posso
prostituir a minha morte e fazer
do meu cadáver o meu último poema.
 

Abaixo, dois documentários  (em espanhol): “Depois de tantos anos” (1994, de Ricardo Franco), que fala sobre a família Panero, e em seguida, “O desencanto” (1976, de Jaime Chávarri) , sobre a vida de Leopoldo Panero, pai de Leopoldo Maria, que era “falangista” ( a favor da ditadura):

 
http://www.youtube.com/watch?v=MfJ2l_dVliQ

Leopoldo Panero: a loucura que se fez poesia ou a poesia que fez a loucura? O certo é que seu pai era alcoólatra e uma tia era esquizofrênica, a sua loucura podia ter origem genética.

M80PANERO_2--644x362

Mas, o importante mesmo, é que esse poeta louco nos deixou uma obra importante e visceral, das mais profundas. A bibliografia (em espanhol) do autor:

Por el camino de Swan (1968)

Así se fundó Carnaby Street (Ocnos, 1970).

Teoría (Lumen, 1973)

Narciso en el acorde último de las flautas (1979)

Last River Together (1980)

El que no ve (1980)

Dioscuros (1982)

El último hombre (1984)

Antología (1985)

Poesía 1970–1985 (1986)

Contra España y otros poema de no amor (1990)

Agujero llamado Nevermore (Selección poética, 1968–1992) (1992)

Heroína y otros poemas (1992)

Piedra negra o del temblar (1992)

Orfebre (1994)

Tensó (1996).

El tarot del inconsciente anónimo (1997)

Guarida de un animal que no existe (1998)

Abismo (1999)

Teoría lautreamontiana del plagio (1999)

Poemas del manicomio de Mondragón (1987)

Suplicio en la cruz de la boca (2000)

Teoría del miedo (2000)

Poesía completa (1970–2000) (2001)

Águila contra el hombre: poemas para un suicidamiento (2001)

Me amarás cuando esté muerto (2001).

¿Quién soy yo?: apuntes para una poesía sin autor (2002).

Buena nueva del desastre (2002)

Poemas del manicomio del Dr. Rafael Inglot (2002)

Conversación (2003).

Esquizofrénicas o la balada de la lámpara azul (2004)

Erección del labio sobre la página (2004)

Danza de la muerte (2004)

CD-Libro Moviedisco (2004)

Poemas de la locura seguido por El hombre elefante (2005)

Presentación del superhombre (2005)

Visión (2006)

Outsider, un arte interior (2007)

Páginas de excremento o dolor sin dolor (2008)

Sombra (2008)

Escribir como escupir (2008)

«Conjuros contra la vida» (2008)

Voces en el desierto (2008)

Esphera (2009)

Tango (2009)

La tempesta di mare (2009)

Reflexión (2010)

Locos de altar (2010)

La flor en llamas (2011)

Traducciones / Perversiones  (2011)

Territorio del miedo / Territoire de la peur  (2011)

Cantos del frío (2011).

Poesía completa. 2000-2010 (2013).

Sua obra narrativa:

El lugar del hijo (1976)

Dos relatos y una perversión (1984)

Y la luz no es nuestra (1993)

Palabras de un asesino (1999)

Los héroes inútiles (2005)

Papá, dame la mano que tengo miedo (2007)

Cuentos completos (2007)

Ensaio:

Mi cerebro es una rosa (1998)

Prueba de vida. Autobiografía de la muerte (2002)

Anúncios