Os prejuízos da literatura ruim


Esse post surgiu de uma discussão desagradável com uma pessoa lá no meu perfil do Falando em Literatura no Facebook. Obrigada, valeu um post! Eu defendo literatura de qualidade, isso é inegociável. Literatura boa não tem que ser “difícil” nem “chata”, judiação com a nossa querida literatura e seus escritores quem pensa assim. Pode ter livro considerado muito bom que eu, você, qualquer pessoa, pode não gostar.  Você não é obrigado a gostar de tudo, mas mesmo assim, esses livros irão te acrescentar muito mais do que qualquer best- seller água-com- açúcar, enlatados e afins. Mas agora eu não vou falar dos benefícios da boa literatura e sim dos malefícios dos livros ruins:

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1º. Raiva. Se você tiver o mínimo de bom senso e cair na armadilha de comprar um desses livrinhos, quando começar a leitura vai passar uma baita de uma raiva. “Putz, por que comprei isso?!”

2º. Prejuízo financeiro: investir num livro descartável é jogar dinheiro fora. Não é melhor investigar, saber mais sobre o autor e também sobre a obra ao invés de engolir tudo o que as editoras tentam nos vender como grandes obras?

3º. Tempo: perder tempo com literatura ruim é um péssimo investimento. Muito melhor alimentar o nosso cérebro com aprendizados dos grandes escritores clássicos e contemporâneos.

4º. Vício: se você começar a ler livros “fáceis”, pode achar que toda literatura mais elaborada, com muitos recursos de estilo, com uma narrativa que te coloque para pensar, “difíceis”.

5º. Abandono: literatura ruim pode te fazer abandonar a leitura e a literatura.

6º. Espaço: um livro ruim vai ocupar espaço na sua estante, criar poeira, jamais será relido, nem indicado para outras pessoas.

7º. Esquecimento: livro ruim será esquecido assim que fechado, não vai remexer o seu interior, desestruturar nem para o bem nem para o mal.

8º. Leitor: livros ruins formam leitores ruins, que possivelmente formarão novos péssimos escritores. Por favor, não, não!

9º. Vestibular, ENEM: literatura ruim não cai em concursos, então para quê perder tempo com isso?!

10º. Futuro: quando você estiver mais velho e experiente vai se arrepender de todas as leituras ruins que fez. Palavra de honra!

11º. Constrangimento: livro ruim você tem até vergonha de mostrar que está lendo. Esconde na bolsa, disfarça. Não é melhor ter orgulho do livro que carrega consigo?! E a vergonha alheia que nos proporciona aquele leitor orgulhoso de literatura descartável…(ideia da leitora Michele Viviane Vasconcelos)

bad books

E agora um pedido: leia algum livro considerado ruim e depois compare com qualquer bom escritor ou escritora nacional, não precisa sair do Brasil. Perceba, anote as diferenças e venha contar aqui no Falando em Literatura, a sua opinião será publicada. Ah, e se quiser, pode completar a lista acima…o que a literatura ruim pode nos trazer? A melhor resposta vai ganhar…um livro BOM!

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55 Comments »

  1. Uma literatura (obra) que desconsidera, subestima o leitor. Por exemplo, ao criar personagens com ações previsíveis, finais felizes, entre outros. É o que acontece em muitas telenovelas, em filmes…adaptações. A tentativa de tornar a “leitura” mais “fácil”, mais comercial.

    • Perfeito! Esse tipo de literatura molda o leitor e deveria ser o contrário, o leitor deveria interagir, entrar na história e fazer parte dela. As grandes obras fazem isso. É como vc disse, bem comparou com um telespectador de novela, que já sabe tudo o que vai acontecer, mas fica ali, embobado, impassível, hipnotizado por meses…

  2. Licencinha, vamos aos costumes, como diria aquele detetive de panfleto policial ruim. O panfleto, não o policial, deixando claro. Bom ou ruim é tão relativo quanto quanto, quanto, quanto, bom e ruim? Moldar, prender, arrebatar, sorver, essas coisas qualquer literatura faz, só depende do lugar onde você está na vida. Paulo Coelho, eu acho literatura ruim. Já o ex-presidente da França, tem O Diário de um Mago na cabeceira, vai entender os franceses. A Bíblia tem estilo, os personagens são fortes e há um final que de feliz não tem nada. Entretanto, quem lê a obra de verdade? O ponto que me importa, principalmente no Brasil, é incentivar a leitura, pode ser jornal, revista (até a Veja), uma bula de remédio, o fato é que não lemos. E só iremos para patamares outros com leituras inicialmente fáceis, que não exijam muito. O que quero dizer é que essa literatura tem esse valor, a de formar leitores. Se conseguirmos que eles se viciem em ler, irão para coisas mais pesadas como, sei lá, Sartre.
    Concorro mesmo assim?

    • Claro que concorre! Só que eu já passei desse ponto de achar que ler “qualquer coisa” é melhor que não ler. Eu acho que ler coisas ruins é pior que ler nada. O outro ponto…isso de literatura boa e ruim eu vou pelos cânones, eu sou profissional da área de Letras e faço essa distinção e classificação sim. Claro que o gosto pessoal conta muito, mas o bom leitor sabe diferenciar leitura comercial e descartável da literatura artística e atemporal. Não preciso citar nomes, você é inteligente e bem instruído. Existe muita moda passageira no mundo literário e o tempo acaba selecionando o joio do trigo.
      Valeu, abraços!

  3. Pensamento: O livro ruim em regra é recheado de fórmulas vazias e frases de efeito. Não possibilita o pensamento. Quem se apropria desse tipo de “literatura” reproduz lugares comuns e tem a ideia equivocada de que está consumindo cultura. Não vejo vantagem alguma nesse tipo de leitura. Ao contrário, pode conduzir um provável bom leitor a um caminho estéril.

    • Literatura com certeza é arte, e para tal exige-se habilidade específica. Agora, é bom não confundir literatura ruim com qualquer tipo de leitura, pois há leituras que não possuem literariedade e, apesar disso, desenvolvem o senso critico de quem está começando. Por outro lado, é importante destacar que ler literatura ruim, ao invés de aumentar, diminui a capacidade de raciocínio crítico, “emburrecendo” mais o leitor.

  4. Fernanda, sensacional a sua postagem. Felizmente tenho visto ao percorrer blogs muitos jovens lendo, comentando e gostando dos clássicos brasileiros. Esse costume está mudando a opinião de que livro bom é livro chato. A gente se sacrifica para lê-lo. Parabéns por essa postagem.
    Muitas pessoas confundem artigos de notícias de jornal, história em quadrinhos, com clássicos de literatura. Concordo que devam ler o que quiserem. Só não se deve confundir um artigo de jornal com Os Sertões de Euclides da Cunha.
    Valeu, Fernanda.
    Grande abraço,
    Manoel

  5. Interessante proposta, é melhor não ler nada do que uma leitura ruim. Quem lê e não exige qualidade naquilo que lê, corre o risco de diminuir o seu vocabulário e perder a capacidade de se expor de forma eloquênte e assertiva.
    Quero ter a chance de concorrer ao livro.

  6. Olá Fernanda! Gostaria de focar nesse ponto de que é melhor não ler livro algum ao invés de ler um ruim. Eu sinceramente não sei o que é pior…. Penso que a literatura ruim é semelhante a alimentação Fast-Food, que eleva nosso colesterol lá nas alturas, tem açúcar numa quantidade absurda, etc. É melhor morrer de fome ou comer algo que te mata aos poucos? Se passarmos a vida toda nos alimentando de Mc Donald’s teremos nossa saúde completamente comprometida no decorrer do tempo. E se optarmos pelo jejum eterno, também morreremos….
    Então depende “freguês”. morte lenta ou imediata?
    Grande abraço e parabéns pelo post.

  7. Perfeito! Muito bom o post! Já passei umas raivinhas com livro bom, mas, com certeza não foi a raiva de terminar o livro mais vazia do que iniciei… Mas, livro ruim… uma forma fácil de identificá-lo: é aquele que está na moda, aquele que todo mundo corre nas livrarias pra comprar e pedir um autógrafo. Aquele que te deixa com cara de pamonha pudorenta – mas, uma pamonha ainda capaz de exibir o livro da moda no metrô “estou lendo”…

    Como tudo relacionado às artes está tão degradado, não é mesmo? Teatro, música, literatura, artes plásticas… é tudo tão pobre e sem intenção de melhorar.
    Ontem assisti a um documentário sobre a vida/obras do Leonardo Da Vinci. Me senti tão pequena diante desse cara… não era só aptidão, era dedicação, esforço, estudo.

    E a biografia de Cole Porter (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cole_Porter)? Um gênio que, pelo o que pude compreender, foi obrigado a usar sua genialidade para produzir mel, açúcar e finais felizes em musicais da Broadway. E, veja, que tudo o que produziu é digno de nossa admiração hoje, pois, não vejo nada que se compare, na atualidade. Mas, para Cole, produzir comercialmente o limitava ou reduzia suas possibilidades de criação…

    Se temos vontade, vontade é poder. Então temos que começar por algum lugar. Que comecemos produzindo coisas horríveis ou consumindo coisas horríveis. Mas, a vontade pode te conduzir além. Melhorar, conhecer as técnicas, se dedicar. Se não, vira uma brincadeira de criança. E, vejo, que muitos pseudo-artistas passam a vida brincando. E seus “fãs” acredito fazerem parte da creche eterna.

    Se você tem vontade, mas, só produz fezes, então, tá na hora de mudar o rumo e largar o osso. Apesar de que o osso, o dinheiro, muitas vezes fala mais alto e o cara vai continuar a c*g*r, a produzir porcaria.

    Muito relevante seu post, mas, apesar de a todo momento tentarmos tirar o ser humano da lama, tentando mostrar caminhos que podem acrescentar em suas vidas (e me incluo como residente da lama), a maioria até gosta dessa lama e não tem intenção nenhuma de largar…

    São poucos o que reparam, os que comparam. Mas, com certeza, haverá sempre aqueles cuja sensibilidade os farão perceber e evoluir. Então, começaremos o movimento contrário às fezes, naturalmente.

    Adorei o post.

  8. Venho acompanhando este ótimo blog a um certo tempo. Um dos melhores sobre literatura. Parabéns Fernanda pelo ótimo “trabalho” :-). Mas discordo em alguns pontos deste post. O bom e o ruim é algo extremamente subjetivo, e cada um deve ter a liberdade de formar seus conceitos. Liberdade individual é um tema bastante sensível, complexo e que deve ser tratado com sutileza. Impossível categorizar ou classificar em dois, três ou quatro níveis. Na minha opinião existem bons livros na literatura mercantil, assim como existem péssimos livros entre os ditos eruditos.
    Vou tentar ser um pouco mais explícito com um exemplo: certo dia descobri entre os pertences da empregada doméstica de minha casa uma pilha grande de livros, daqueles pequenos e populares que se vendem em bancas relatando paixões impossíveis, triângulos amorosos e etc… Fiquei surpreso ao saber que ela lia tanto. E confesso que tive vontade de pedir um emprestado. 🙂

    • Eduardo, concordo com tudo o que você disse! Reparou que eu não citei nenhum autor ou livro? Claro que o gosto pessoal conta, mas não podemos negar que existe boa e má literatura. Não vale tudo…mas obviamente, você não é obrigado a gostar de tudo o que é classificado como literatura de qualidade, isso é indiscutível.
      Abraços!

  9. O que traz a literatura ruim? Ilusão. Ilusão de que se acrescenta algo para a vida.

    A boa literatura (sim, independente de preferências) alimenta a alma. Os bons escritores, geração após geração, escrevem para compartilhar ideias, sentimentos, construções. A boa literatura é arte. Arte de verdade.

    A má literatura existe apenas para fins mercadológicos. Seguem uma espécie de roteiro para conquistar em massa. É como uma música pop previsível, daquelas cujo refrão fica dias na cabeça, mesmo que você a tenha escutado uma única vez na vida. É pobre. É sem inspiração. É falsa.

    É claro que existe também a boa literatura que vende (porque há um bom marketing por trás). Murakami, por exemplo. Bem, não o acho genial, mas ele é um bom contador de histórias. Ou os livros do Leminski publicados no ano passado pela Companhia das Letras.

    Torço por um país em que as pessoas sintam que ler é essencial. E que partam em busca dos seus escritores favoritos. O mundo está, sim, cheio deles.

  10. Fernanda, peço vênia… Só se sabe o que é bom depois que se passa pelos “ruins”. Os jovens precisam ser incentivados a ler e sou a favor de que eles leiam o que gostam. Ler, ler, ler… Muito e sempre. A “boa” literatura requer maturidade – tanto de leitura quanto de vida. “Para entender poesia, tem que ler poesia”. Para “sorver” Tolstói, tem que ter vivido… E lido… Muito. Só percebemos a beleza de uma boa literatura, quando temos parâmetros para comparação. Sou a favor de toda e qualquer leitura, inclusive porque isso contribui para a formação do raciocínio crítico. Abraços

      • Eh…ha livros que pertencem ao lixo, ao papel reciclavel…a leitura eh perda de tempo, e tempo eh precioso. ocorrem-me alguns titulos enqto escrevo isso. Pertenco a um clube de leitura e alguns dos livros escolhidos estavam nessa categoria. Lixo em varios niveis, daqueles em que nada messmo de aproveita…isso mata de raiva…o dinheiro investido, o papel de boa qualidade empregado…o tempo do leitor! eh um crime! Nao deveria haver espaco pra lixo …os recursos sao limitados, nosso tempo, etc etc. desculpem-me a falta de acentos, etc

    • Isto Perla, perfeito! A leitura deve estar de acordo com o nível de maturidade e educação do leitor, para que assim se torne prazerosa. Com o passar do tempo, é natural o amadurecimento, e a abertura para leituras mais profundas (aqui chamada de boa). Lembro que tentei ler Saramago anos atrás, e não gostei. Hoje ele é meu autor preferido. Ler deve sempre ser uma atividade prazerosa, e existe algo mais subjetivo do que o prazer?
      Coloco aqui mais algumas questões: Literatura é arte? Podemos classificar a arte em boa ou ruim?

      • Exato, Eduardo! É óbvio que a técnica importa, mas tudo é subjetivo. E digo mais! Um dia desses uma amiga me disse que não gostava de Clarice Lispector porque achava ela muito chata. Clarice escreve mal? Não! O problema é que ela ainda não está na “fase” de Clarice… Mais ou menos por aí… Abraços.

  11. Olá Fernanda, digitei no Google: “qual a diferença entre literatura boa e literatura ruim” e uma das páginas que surgiu foi do seu Blog, enfim, não encontrei uma resposta didática da forma como queria, na verdade queria saber em que se fundamenta uma boa ou má literatura, mas vi no texto e nos comentário muitas opiniões subjetivas, algumas esclarecem alguns pontos da boa e da má literatura mas não de forma didática como eu queria.

    Exemplo, muita gente diz que Paulo Coelho é um mau escritor, um dia perguntei a um amigo qual livro dele você acha o mais ruim…ele disse: O Alquimista, por curiosidade perguntei, porque é ruim? Ele ficou em silêncio e depois disse: por que a história é ruim e ele (Paulo) escreve mal, bom daí a ele escrever mal eu entendo mas porque a história é ruim (pois uma história pode ser boa e mal contada), qual é a história, Ele disse: é um cara que procura alguma coisa sobre um tesouro, eu desconfiei, e insistir, quando você leu este livro? Ele: tem muito tempo. Eu disse: qual livro bom você me indica? Ele: Dom Casmurro, Eu: e porque é bom? Ele: Ora, o Machado é o maior. Eu: mas, porque? O que tem a história de Dom Casmurro com a do livro O Alquimista que faz um ser bom e o outro ruim? Ele: ficou em silêncio. Eu pensei: este coitado nunca leu estes livros, no máximo um resumo na internet e quer tirar onda de que entende de cultura literária ou se leu não entendeu nada e só repete o que ouve todo mundo falando, há, lembrei, pedi para ele citar outro autor ruim além de Paulo Coelho para eu ter uma ideia melhor e ele disse: Hum, tipo, tem aquele livro “50 Tons de Cinzas” é muito ruim a autora escreve péssimo. Eu disse: mas estes eu já conheço são muito batidos, cite mais um e eu me contentarei. Ele disse, só lembro estes dois.

    Sei que Dom Casmurro é bom e Onze Minuto de P. Coelho é ruim, porque li os dois e vi a diferença, mas não posso falar sobre O Alquimista porque não li e não posso avaliar todos os livros de um escritor lendo apenas um, vai que em algum momento o cara acertou a mão, tipo aqueles cantores de uma música só.

    Se Onze Minutos tivesse sido escrito por Machado com certeza a história seria contada diferente no conteúdo e na forma, assim penso.

    Fernanda, você concorda que a boa literatura teria que conter e/ou contém determinados parâmetros de conteúdo e forma narrativa (que os críticos sérios utilizam para separar o joio do trigo e dizer se uma história merece ou não ser lida) e quais são eles? E o que você identifica como artifícios de estrutura narrativa e conceito nos livros ruins?

    E teve um comentário que achei interessante: “Na minha opinião existem bons livros na literatura mercantil, assim como existem péssimos livros entre os ditos eruditos.” do Eduardo castor.
    Alguém consegue me exemplificar um sucesso comercial “absoluto”, tipo 50 Tons de Cinzas, mas que seja bom? E um livro erudito que seja ruim?

    Parabéns pelo Blog, gostei. Abraços!

    P.S.: Só para constar porque procuro uma resposta didática para a minha pergunta, embora respeite a opinião contrária não acredito que: “O bom e o ruim é algo extremamente subjetivo, e cada um deve ter a liberdade de formar seus conceitos.” Porque seria como dizer que pinga de boteco copo sujo 80% misturada com álcool é boa para o pinguço porque ele é alcoólatra e Whisk 12 anos é bom para o apreciador porque ele tem bom gosto e dinheiro. A verdade é que mesmo sem ter bom gosto se o alcoólatra tivesse dinheiro escolheria o Whisky, ou até mesmo uma cachaça artesanal pura, mas neste caso o preço e a qualidade seria análogo ao Whisky. Então não pode ser subjetivo nesta situação.

      • Caríssima Fernanda, foi exatamente por não querer ler um “livro técnico” para chegar à resposta da minha pergunta que eu perguntei eu seu Blog, logo, a preguiça que te acometeu não foi a mesma que me fez fazer a pergunta. Mas, eu confesso que estou com preguiça de ler um “livro técnico” sobre o assunto…neste momento!

        Esperava uma resposta mais suscinta, resumida e direta mas, não uma receita de bolo, apenas um norte para utilizar como ferramenta de escolha e saber quando um crítico esta sendo coerente, sincero e eficiente (quando aprova ou desaprova uma obra) em relação a um livro ser bom ou ruim e quando esta sendo tendencioso, imparcial ou mesmo ineficiente, para evitar cair em armadilhas e perder meu tempo e dinheiro com livros ruins.

        A pergunta esta aberta ao cavalheiro (ou a dama), que possa prestar esta gentileza e tiver conhecimento para tal, e me salvar de ter que ler um “livro técnico” neste momento. Como a preguiça é um dos sete pecados capitais, prometo ler um “livro técnico” no futuro, mas não agora! Abraços querida!

  12. Washington, na minha opinião, não existem livros bons ou ruins. Existem livros chamados “comerciais” (os tais best sellers que os pseudointelectuais abominam) e os livros mais elaborados, nos quais é perceptível a destreza do autor em “manejar” as palavras e “destrinchar” sentimentos… Quer uma dica? Leia o que te dá prazer. De tanto ler, sua mente ficará treinada e você começará a perceber a diferença. Eu poderia te indicar vários livros “bons” para mim que podem ser “chatos” para vc… Mas se eu pudesse te dizer um só nome, diria: Tolstói. Profundo conhecedor da alma humana. Mas… Tudo depende da sua vivência, maturidade, experiência… Tente ler “O Diabo”. É bem fininho, mas visceral. Se não gostar, ótimo! Leia o que o que te dá prazer e o que te faz feliz! Pode até haver boa e má literatura, mas jamais haverá leitura ruim. Abraços! (http://visaoliteraria.blogspot.com.br/2009/10/o-diabo-leon-tolstoi.html)

      • Imagino que um intelectual seja alguém que realmente detenha o saber que se autoatribui, que seja douto em determinada área do saber e possa discorrer com conhecimento de causa sobre o tema em si a que se propõe a dedicar ou debater, sem cair em contradições banais, cometer erros grotescos, confundir premissas básicas e muito menos chegar a conclusões sem nenhum parâmetro para nortear seus argumentos, enfim, alguém que possua uma cultura relevante que lhe dê conhecimento sistêmico que lhe permita avaliar um cenário, um fato ou uma obra com um olhar distânte o suficiente de seus próprios gostos e achismos.

        O pseudointelectual seria uma farsa que tenta parecer ser o que não é. E comete os erros que alenquei no final do primeiro parágrafo. Desmascarados e com suas falácias destruídas, perdem a diplomacia e passam a atacar o seu interlocutor, já que no capo das idéias foi derrotado e não possuem grandeza para aceitar que precisam estudar e aprender mais.

        Abçs..

      • Vamos aprofundar um pouco o assunto. Então, para você o intelectual tem que passar pelo ensino formal, ter carreira universitária, ser doutor? Só para citar alguns nomes, Saramago, Ray Bradbury e Leonardo da Vinci eram autodidatas, você não os considera intelectuais? Leonardo, por exemplo, foi pintor, cientista, matemático, músico, engenheiro, poeta, etc e nunca pisou numa universidade.
        É conhecido que muitos doutores de canudo na mão são uma farsa…alguns não escreveram a própria tese. Há casos desmascarados e a maioria fica por isso mesmo.
        Conclusão: o ensino formal não faz o intelectual, inclusive o meio acadêmico é cheio de “amiguismos”, muitos entram por isso, não por suas capacidades intelectuais.
        E no caso de um livro, existe a parte “séria”, a técnica, que o leitor- crítico pode observar e é geralmente comum a todos, mas existe a parte lúdica, o gosto, a identificação do leitor com o livro de acordo com seus conhecimentos prévios e vivências e isso é absolutamente pessoal.
        Abraços!

      • No meu texto em momento algo disse que o intelectual teria que ter diploma disto ou daquilo, usei a palavra “douto” como sinônimo de sabedoria sendo esta diplomada ou não. E não a palavra “doutor” que séria um título acadêmico. Exatamente por isto concordo com você na primeira questão!

        Já na segunda questão, existe algo que se chama “exceção da regra”, esta prática aplica-se em quase todo tipo de avaliação para não correr o risco de cair na generalização, o que é um erro crasso! Sendo assim, considero que a maioria dos nomes grandiosos citados por você são casos excepcionais que acontecem em raríssimas oportunidades, você há de concordar que não nascem Leonardo da Vince e José Saramago em todas as décadas, logo, são casos que não podem entrar na avaliação, você não pode colocar um Luiz Felipe Pondé junto com Aristóteles ou Sócrates por uma série de fatores e contextualização, ainda assim Pondé é um pensador excepcional com Diploma, da mesma forma que existem diplomados que não pensam, e não diplomados que pensam e muito, e outros que também não pensam.

        Sobre literatura, qual a função de um crítico pergunto eu? Bom, o cidadão tem dinheiro quer investi-lo em um livro que lhe traga entretenimento com qualidade, presume-se que quem procura uma crítica especializada não esta aberto a se aventurar em qualquer tipo de leitura, ou não procuraria a assistência desta para decidir-se entre comprar ou não um livro e lê-lo.

        Para tudo existem no mínimo dois lados, bom e ruim, certo e errado, grande e pequeno é normal considerar que na literatura tenha-se desenvolvido critérios para dizer o que é uma obra de literatura e o que não é.
        Logo considero que o gosto pessoal do crítico PROFISSIONAL não pode ser fator decisivo, assim sendo, mesmo que este não curta literatura de aventura ou infantil deve-se considerar se o escritor conseguiu contar uma história preservando o mínimo de cuidado estético com a elaboração do texto e adaptando-o ao público alvo sem precisar escrever mal.

        Gostar de “Crepúsculo” ou “50 Tons de Cinza” é um direito de quem leu e gostou agora querer obrigar um crítico a considerar uma obra prima ou mesmo um entretenimento de qualidade já é infantilidade e falta de bom senso, desejo sustentado na vaidade de querer que o mundo se molde ao seu bel prazer, ridículo, se fosse assim, a crítica perderia sua razão de ser.
        Gostar de “Crepúsculo” ou “50 Tons de Cinza” é um direito de quem leu e gostou agora querer obrigar um crítico a considerá-los obra prima ou mesmo um entretenimento de qualidade já é infantilidade e falta de bom senso. É ruim, não satisfaz a cultura literária e pronto!
        Nunca li um crítico sério chamar leitor de idiota por lê estes livros, já li dizer que o livro é idiota e ruim! O fato de lê-lo não torna, necessariamente, um leitor idiota, mas sim o motivo que o leva a ler este tipo de livro e gostar. Um intelectual pode ler literatura ruim a título de observador científico estudando tendências de mercado. E quem deveria fazer este tipo de trabalho (crítica) são os intelectuais “sinceros” da área que possuem condições de imparcialidade.

        Já li livros que foram uma perda de tempo e de dinheiro, uma crítica especializada teria me salvado deste prejuízo!

      • Correção: “já que no capo das idéias”, leia: “já que no campo das idéias”.
        Errar é humano, insistir no erro é que é o problema…rsrs!!

      • No meu comentário em momento algum disse que o intelectual teria que ter diploma disto ou daquilo, usei a palavra “douto” como sinônimo de sabedoria sendo esta diplomada ou não. E não a palavra “doutor” que séria um título acadêmico. Exatamente por isto concordo com você nesta primeira questão.

        Ainda assim, existe algo que se chama “exceção da regra”, esta prática aplica em quase todo tipo de avaliação para não correr-se o risco de generalizar, o que é um erro crasso! Sendo assim, considero que a maioria dos nomes grandiosos citados por você são casos excepcionais que acontecem em raríssimas oportunidades, você a de concordar que não nascem Leonardo da Vince e José Saramago em todas as décadas, logo, são casos que não podem entrar na avalição como modelo (penso eu), você não pode colocar um Luiz Felipe Pondé junto com Aristóteles ou Sócrates por uma série de fatores e contextualização, ainda assim L.F. Pondé é um pensador excepcional com Diploma, da mesma forma que existem diplomados que não pensam, e não diplomados que pensam (e muito), e outros que também não pensam.

        Sobre a segunda questão literatura, qual a função de um crítico pergunto eu?
        Bom, o cidadão tem dinheiro quer investí-lo em um livro que lhe traga entretenimento com qualidade ou conhecimento, presume-se que quem procura uma crítica especializada não esta aberto a se aventurar em qualquer tipo de leitura, ou não procuraria a assistência desta para decidir-se entre comprar ou não um livro e lê-lo.

        Para tudo existem no mínimo dois lados, bom e ruim, certo e errado, frio e calor, grande e pequeno e é normal considerar que na literatura tenha-se desenvolvido critérios para dizer o que é uma obra de literatura (a boa) e o que não é (a ruim).

        Logo, considero que o gosto pessoal do crítico PROFISSIONAL não pode ser fator decisivo, assim sendo, mesmo que este não curta literatura de aventura ou infantil deverá-se considerar se o escritor conseguiu contar uma história preservando o mínimo de cuidado estético com a elaboração do texto ou adaptando-o ao público alvo sem precisar escrever mal e usado clichês idiotas.

        Gostar de “Crepúsculo” ou “50 Tons de Cinza”(para citar livros conhecidos) é um direito de quem leu e gostou. Agora querer obrigar um crítico a considerá-los obra prima ou mesmo um entretenimento de qualidade já é infantilidade e falta de bom senso, isto sim é ser idiota. É ruim, não satisfaz a cultura literária e pronto!
        Nunca li um crítico sério chamar leitor de idiota por lê estes livros, já li dizer que o livro é idiota e ruim! O fato de lê-lo não torna, necessariamente, um leitor idiota mas sim o motivo que o leva a ler (comprar) este tipo de livro e gostar. Um intelectual pode ler literatura ruim a título de observador científico estudando tendências de mercado e prestar serviço de consultoria literária para jornais e revistas. E quem deveria fazer este tipo de trabalho (crítica) são os intelectuais “sinceros” da área que possuem condições de imparcialidade.

        Já li livros que foram uma perda de tempo e de dinheiro, uma crítica especializada teria me salvado deste prejuízo!

        Abraços!

      • No meu texto em momento algo disse que o intelectual teria que ter diploma disto ou daquilo, usei a palavra “douto” como sinônimo de sabedoria sendo esta diplomada ou não. E não a palavra “doutor” que séria um título acadêmico. Exatamente por isto concordo com você nesta primeira questão!

        Ainda assim, existe algo que se chama “exceção da regra”, esta prática sempre se aplica em quase todo tipo de avaliação para não correr-se o risco de generalizar, o que é um erro crasso! Sendo assim, considero que a maioria dos nomes grandiosos citados por você são casos excepcionais que acontecem em raríssimas oportunidades, você a de concordar que não nascem Leonardo da Vince e José Saramago em todas as décadas, logo, são casos que não podem entrar na avalição, você não pode colocar um Luís Carlos Pondê junto com Aristóteles ou Sócrates por uma série de fatores e contextualização, ainda assim L.F.Pondê é um pensador excepcional com Diploma, da mesma forma que existem diplomados que não pensam, e não diplomados que pensam e muito, e outros que também não pensam.

        Sobre a segunda questão, literatura, qual a função de um crítico pergunto eu?
        Bom, o cidadão tem dinheiro quer investí-lo em um livro que lhe traga entretenimento com qualidade, presume-se que quem procura uma crítica especializada não esta aberto a se aventurar em qualquer tipo de leitura, ou não procuraria a assistência desta para decidir-se entre comprar ou não um livro e lê-lo.

        Para tudo existem no mínimo dois lados, bom e ruim, certo e errado, grande e pequeno é normal considerar que na literatura tenha-se desenvolvido critérios para dizer o que é uma obra de literatura (a boa) e o que não é (a ruim).
        Logo considero que o gosto pessoal do crítico PROFISSIONAL não pode ser fator decisivo, assim sendo, mesmo que este não curta literatura de aventura ou infantil deve-se considerar se o escritor conseguiu contar uma história preservando o mínimo de cuidado estético com a elaboração do texto e adaptando-o ao público alvo sem precisar escrever mal e/ou recheá-lo de clichês banais!.

        Gostar de “Crepúsculo” ou “50 Tons de Cinza” é um direito de quem leu e gostou agora querer obrigar um crítico a considerar uma obra prima ou mesmo um entretenimento de qualidade já é infantilidade e falta de bom senso, desejo sustentado na vaidade de querer que o mundo se molde ao seu bel prazer, ridículo, se fosse assim, a crítica perderia sua razão de ser.

        Gostar de “Crepúsculo” ou “50 Tons de Cinza” é um direito de quem leu e gostou agora querer obrigar um crítico a considerá-los obra prima ou mesmo um entretenimento de qualidade já é infantilidade e falta de bom senso. É ruim, não satisfaz a cultura literária e pronto!
        Nunca li um crítico sério chamar leitor de idiota por lê estes livros, já li dizer que o livro é idiota e ruim! O fato de lê-lo não torna, necessariamente, um leitor idiota, mas sim o motivo que o leva a ler este tipo de livro e gostar. Um intelectual pode ler literatura ruim a título de observador científico estudando tendências de mercado. E quem deveria fazer este tipo de trabalho (crítica) são os intelectuais “sinceros” da área que possuem condições de imparcialidade.

        Já li livros que foram uma perda de tempo e de dinheiro, uma crítica especializada teria me salvado deste prejuízo!

  13. Ler os livros de crítica literária de Harold Bloom e Massaude Moisés já é um bom começo para todos aqueles que querem ter dicernimento sobre o que é má ou boa literatura. Quando nós começamos a ler boa literatura, passamos a não achar graça nenhuma em perder tempo com má literatura, livros mau costurados, com personagens inverossímeis , enredos implausíveis e finais previsíveis.Quando lemos a literatura russa e francesa que vai do inicio do Séc.18 ao começo do Séc.20, da americana que vai do Séc.19 a o inicio da década de 50, nos da um aperto no coração constatar quanto de literatura ruim tem desprestigiado nossas bibliotecas e livrarias.

    • Muito bem, Adriano! Gosto muito de Massaud Moisés que tive o prazer de conhecer pessoalmente e Harold Bloom, “Porque ler os clássicos” é uma obra fantástica. Você está certo, quando a pessoa consegue separar o joio do trigo, é o começo de uma etapa muito mais edificante. Abraços!

  14. Sou escritor e me considero um péssimo escritor, porém estou sempre em busca do aperfeiçoamento. Assim acredito que especialmente no Brasil a leitura deve ser estimulada de alguma forma, o importante é não deixar de ler. Com os leitores em nosso reduto poderemos influenciá-los a apreciarem o que é bom de verdade. Já com eles fora do “celeiro”…

  15. Achei muito bom o blog e aproveito o espaço para parabenizar a todos pelo bom gosto e pela autora do blog pela iniciativa. Vou começar meu comentário com um breve atrevimento, dizendo que, no meu ponto de vista, existem duas possibilidades para literatura boa: temática de qualidade e de impacto, por exemplo, com um enredo que retrate um momento histórico de forma a aproximar o leitor de algo bem próximo da realidade. Neste tipo de livro o estilo não importa tanto, ou importa pouco, um exemplo é Guerra e Paz, onde Tolstoi desconstruiu a imagem que muitos tinham do imperador francês Napoleão Bonaparte, afirmando, no afamado romance, que um homem é só um homem, e que personagens fortes, só podem servir à literatura, pois na política são péssimos exemplos quando vistos de perto.
    Esse tipo de história satisfaz por nos dar a impressão que muitas coisas “importantes” ou “insólitas” acontecem no período de uma vida.
    Uma observação minha sobre romances históricos, ou qualquer livro que trate de uma boa história, é que eles nos reconfortam também por nos dar a impressão de que estamos no topo de um período de tempo, podendo sermos juízes, ou, em outra hipótese, podendo nos dar o luxo de pensar que as coisas fazem algum sentido. Outro tipo de livro bom é o que expõem uma desconstrução da própria narrativa, sem que se quer tenha uma história ou narrativa para contar, este tipo de romance é profundo, psicológico, e, ao contrário dos livros de narrativa contínua, e extensa, eles costumam perturbar o leitor, ao ter a sensação de que o tempo parece estático, e de que a vida não faz o menor sentido. Um exemplo de livro que prima pela estética narrativa: Mês de Cães Danados – do autor gaúcho Moacyr Scliar.

    Abraço a todos!

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