Dia Nacional do Livro no Brasil


O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (António Vieira)

dia-nacional-livro

foto: http://www.brasilescola.com

Sabe qual foi o primeiro livro editado no Brasil? “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga em 1808, pela Imprensa Régia fundada por D. João VI, o rei de Portugal e do Brasil. Foi num dia 29 de outubro que o Brasil ganhou a sua primeira biblioteca em 1810, a Real Biblioteca Portuguesa no Rio de Janeiro, por esse motivo, hoje é comemorado o Dia Nacional do Livro desde 1966. Hoje essa biblioteca chama- se Fundação Biblioteca Nacional, no edifício antes funcionava o Hospital da Ordem Terceira do Carmo.

Fundacao-Biblioteca-Nacional

Linda a Biblioteca Nacional, não?! Uma boa forma de comemorar é visitando essa  biblioteca ou qualquer outra da sua cidade .

Marília_de_Dirceo

Trecho de Marília de Dirceu, um longo poema do Arcadismo brasileiro escrito por Tomás Antônio de Gonzaga, primeira obra editada no Brasil. Acima imagem do frontispício (primeira página que antecede a página do título) de  uma edição portuguesa de 1824, você pode ler o poema na íntegra, aqui.

PARTE I

Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, d’ expressões grosseiro,

Dos frios gelos, e dos sóis queimado.

Tenho próprio casal, e nele assisto;

Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

Das brancas ovelhinhas tiro o leite,

E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,

Dos anos inda não está cortado:

Os pastores, que habitam este monte,

Com tal destreza toco a sanfoninha,

Que inveja até me tem o próprio Alceste:

Ao som dela concerto a voz celeste;

Nem canto letra, que não seja minha,

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Mas tendo tantos dotes da ventura,

Só apreço lhes dou, gentil Pastora,

Depois que teu afeto me segura,

Que queres do que tenho ser senhora.

É bom, minha Marília, é bom ser dono

De um rebanho, que cubra monte, e prado;

Porém, gentil Pastora, o teu agrado

Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Os teus olhos espalham luz divina,

A quem a luz do Sol em vão se atreve:

Papoula, ou rosa delicada, e fina,

Te cobre as faces, que são cor de neve.

Os teus cabelos são uns fios d’ouro;

Teu lindo corpo bálsamos vapora.

Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,

Para glória de Amor igual tesouro.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Leve-me a sementeira muito embora

O rio sobre os campos levantado:

Acabe, acabe a peste matadora,

Sem deixar uma rês, o nédio gado.

Já destes bens, Marília, não preciso:

Nem me cega a paixão, que o mundo arrasta;

Para viver feliz, Marília, basta

Que os olhos movas, e me dês um riso.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

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3 Comments »

  1. Fernanda, suas postagens estão sempre nos ensinando. Tanto as datas como o puxão de orelhas para visitarmos a biblioteca de nossa cidade, que muitas vezes por falta de visitações está entregue ao abandono total.
    Como eu tenho uma irmã mais nova que se chama Marília e eu sempre brinquei com ela falando sobre a Marília de Dirceu… não me esqueço disso.
    Grande abraço,
    Manoel

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