A flor e a náusea


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O Brasil imerso numa revolução social. A gota d’água foi a subida do preço do transporte público em São Paulo, mas isso foi só o pretexto. Há muito tempo o brasileiro está cansado de pagar tantos impostos e não ter nada em troca. Nada de Segurança, nada de Saúde, nada de Educação. São Paulo sempre foi uma capital revolucionária, sempre serviu como exemplo ao resto do país de como se deve lutar quando o governo nega os direitos básicos. A maré humana saiu às ruas para exigir mudanças sociais e políticas básicas para toda sociedade democrática e próspera. É o mínimo que o brasileiro merece!

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O Brasil é um país belíssimo, cheio de recursos naturais e gente trabalhadora. Esse poema de Carlos Drummond de Andrade cai como uma luva para o atual momento social que o Brasil vive. Ele fala sobre um sujeito que está cansado, cheio de náuseas por viver uma rotina injusta, mas vê numa flor feia e desbotada alguma esperança. A revolta, a revolução é o caminho. A inércia promove a corrupção e o enriquecimento de quem já é rico. A classe trabalhadora cada vez mais pequenininha e sem voz, esmagada na falta de tudo. A flor feia nasceu no meio do asfalto e dessa forma não passou despercebida. A revolução brota na rua! Do livro “A rosa do povo”, o poema “A flor e a náusea”:

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Uma flor nasceu na rua!

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

E soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

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