Virgínia Woolf também não gostou de “Ulisses”, de James Joyce


Eu fico extremamente irritada quando algum intelectual (ou pseudo- intelectual) insinua que não sou uma boa leitora porque não gosto de Ulisses. Eu respeito que eles gostem do livro, mas eles  não aceitam uma opinião contrária, um ponto- de- vista diferente, porque já têm uma visão tendenciosa e “maria-vai-com-as-outras”. A onda de que “Ulisses é genial” está arraigada e nenhuma opinião contrária é válida, é considerada inferior. Mas muitos desses defensores ferozes, devem ter lido muita crítica mastigada para emitir suas opiniões 100% inconsistentes. Até agora nenhum desses pseudos conseguiu emitir uma crítica válida sobre a obra. Corto um dedo quando algum falar algo diferente do que não está nas mil e uma resenhas e críticas espalhadas na internet (díficil falar de algo que não entenderam ou que nem leram). Afinal, quem diz que Ulisses é genial, tem que dizer o porquê dessa genialidade toda…e não dizem! Por que inovou a linguagem? Nem toda inovação é boa, a de Joyce é totalmente dispensável, não precisava existir. Por que fez uma adaptação da “Odisséia” de Homero? Quem inventou essa falácia devia estar drogado, de Homero o livro não tem nada! Eu acho que a Irlanda precisava de um grande ídolo literário no século XX e escolheram essa obra e esse escritor, e todo mundo ( “toda unanimidade é burra”) foi na onda ou têm mau gosto mesmo. O livro é cansativo, com trilhões de referências, a história de um dia na vida de um homem contada de uma forma esquizofrênica, doentia. Tentativas de humor sem- graça. Mas gosto é gosto, não?

tumblr_m8qyttjeQK1qhqff4o1_1280

Virgínia Wollf que era muito inteligente e uma grande escritora, também não gostou de ler “Ulisses”. Leia. Nossa, Virgínia e eu, que “bichos” estranhos! Temos opinião própria.

Anúncios

12 Comments »

  1. Oi Nanda! Pois é, a intelectualidade de uns também é questionável. Nunca fui muito fã desse termo, afinal o que quer dizer ser intelectual, não é mesmo? Todos não temos propensão ao intelecto? Tem gente que só porque leu muitos livros e falou sobre eles já se denomina assim. E concordo com você que todo mundo pode ter opinião sobre aquilo que leu.

    Mas, eu gosto de Ulysses. E, para não endossar o coro desses tais pseudos (rsrs..) vou dizer o porquê: pela construção literária (categorias e estética de criação narrativa), pela linguagem (sobretudo, dialógica, distinta da voz unilateral dos romances do séc. XIX), pelos personagens complexos, pelos monólogos interiores. Mas também concordo que o livro leva muito tempo para ser lido, por ser uma narrativa de fôlego e por conter muitas imbricações. Além do mais, li na faculdade, onde a preocupação é basicamente analítica, então, como uma leitura despretenciosa e sem tal preocupação, acredito que possa ser realmente desinteressante.

    Não é o meu livro favorito, mas julgo ser um livro importante. Li outras coisas de Joyce e ele realmente mantém um estilo próprio que tornou sua obra bastante particular. E desconfie das opiniões literárias de Virginia Woolf. Ela costumava ser bastante voraz nas avaliações que fazia de suas leituras (a queridinha Katherine Mansfield que o diga).

    Enfim, toda leitura é uma questão de gosto e todo mundo pode dizer do que gostou ou não na literatura, não é mesmo? Literatura é sobretudo vida e arte, está em nós e imprime sua marca de acordo com as afetividades. O que também não quer dizer que passar pelas experiências não seja bom.

    Deixa esses “intelectuais” para lá, amiga. Se a sua experiência com o livro não foi legal, então, por que insistir? Leia o que te deixa feliz e o que te ensina algo para a vida.

    Bjo!

    • Por isso sou sua fã! Você gosta do livro e o defende com argumentos e não desqualificando quem não gosta da obra. Eu ando bastante irritada, tive que barrar muitos comentários grosseiros e absurdos de gente que não entende que alguém possa não gostar de Ulisses e essa resposta (à altura) é pra essas pessoas. Beijos, obrigada pelo comentário construtivo.

    • Ullisses foram uma coletânea de sonhos e pesadelos d Joyce. Tem cunho psicológico. Para entende lo terá que ler a interpretação dos sonhos de Freud.

  2. Oi, Nanda! Pois é, a intelectualidade de uns também é questionável. Nunca fui muito fã desse termo, afinal o que quer dizer ser intelectual, não é mesmo? Todos não temos propensão ao intelecto? Tem gente que só porque leu muitos livros e falou sobre eles já se denomina assim. E concordo com você que todo mundo pode ter opinião sobre aquilo que leu.

    Mas, eu gosto de Ulysses. E, para não endossar o coro desses tais pseudos (rsrs..) vou dizer o porquê: pela construção literária (categorias e estética de criação narrativa), pela linguagem (sobretudo, dialógica, distinta da voz unilateral dos romances do séc. XIX), pelos personagens complexos, pelos monólogos interiores. Mas também concordo que o livro leva muito tempo para ser lido, por ser uma narrativa de fôlego e por conter muitas imbricações. Além do mais, li na faculdade, onde a preocupação é basicamente analítica, então, como uma leitura despretenciosa e sem tal preocupação, acredito que possa ser realmente desinteressante.

    Não é o meu livro favorito, mas julgo ser um livro importante. Li outras coisas de Joyce e ele realmente mantém um estilo próprio que tornou sua obra bastante particular. E desconfie das opiniões literárias de Virginia Woolf. Ela costumava ser bastante voraz nas avaliações que fazia de suas leituras (a queridinha Katherine Mansfield que o diga).

    Enfim, toda leitura é uma questão de gosto e todo mundo pode dizer do que gostou ou não na literatura, não é mesmo? Literatura é sobretudo vida e arte, está em nós e imprime sua marca de acordo com as afetividades. O que também não quer dizer que passar pelas experiências não seja bom.

    Deixa esses “intelectuais” para lá, amiga. Se a sua experiência com o livro não foi legal, então, por que insistir? Leia o que te deixa feliz e o que te ensina algo para a vida.

    Bjo!

  3. Infeto Salvador Eu estou lendo esse livro a há cerca de 80 dias e ate agora não consegui entender sequer uma parte da história. Tudo é desconexo e nada, absolutamente nada faz sentido, nem por um instante. Mas continuo a ler pelo fato que a “literância” da escrita é foda. Ja escrevi varios poemas e musicas durante a leitura. É inconcebivel um livro desse tipo naquela época. O cara é um tal “genio” não pelo livro – eu ao menos nao entendi nada -, mas sim pela capacidade de escrever uma porra daquelas sem um Google. Voce encontra informações detalhadas sobre quase tudo, que não se possa imaginar. Hoje! em plena era digital, seculo XXI, creio que não se tenha como escrever um livro como esse de 1922. É muita informação. Será que foi Joyce que criou o Google?

  4. Tentei ler três ou quatro vezes e não consegui.Cansativo,repleto de digressões,,abuso do indireto livre.Sou professora de Português e adoro ler.Tenho muito experiência em leitura, mas confesso, esse Ulisse, não foi.É apenas um comentário, não uma crítica.Joyce foi importantíssimo naquele momento (até hoje, na teoria e crítica literárias.Respeito-o muito.

  5. Prezadas Rosangela e Nanda, Eu alem de amar Woolf (alias fora Saramago ela e minha figura literária favorita), amo Ulysses tb. Joyce resolveu, na minha opinião, escrever um epico materialista do corpo com um descrição minuciosa de seu funcionamento repensando tradições literárias , perpetuando outras e criando seu próprio universo textual. Humilde opinião leiga.

  6. Também fico irritado com esses “intelectuais” que não aceitam uma opinião contrária aos seus clássicos tão queridos. Odeio aquele argumento muito usado de que “você não gostou porque não entendeu”… É ridículo!
    Não posso comentar sobre Ulisses porque não li ainda…
    Acabei de conhecer o blog e adorei!

  7. Oi fernanda, já faz um tempo seu post né, mas só agora pude ver. Estou formando em história e minha monografia é sobre a escrita íntima de Virginia Woolf, pesquisando sobre ela e Joyce, me deparei com seu blog, e que delícia! Enfim, preciso ler algo de Joyce para poder ter uma ideia de como era a sua escrita e para usar claro, na monografia, vi que ele está disponível na biblioteca da minha Faculdade e assim que o ler, (ou pelo menos tentar, rs) eu volto aqui para podermos conversar sobre. rs. Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s