“Ulisses”, de James Joyce


Sabe esses livros que provocam amor ou ódio? Então, creio que esse é um assim: eu ODIEI “Ulisses”! Eu tenho que contar para vocês o drama que foi ter que engolir esse livro. Sim, foi engolido a seco, travando, engasgando, na marra. “Ulisses” ficou marcado como a minha pior experiência literária. Eu fiquei aprisionada nela, não avançava, mas não conseguia deixá- la, porque sou uma leitora kamikaze, morro se não chegar na última página de um livro, não consigo abandonar a leitura, não me rendo! Fiquei quatro meses com esse livro queimando na minha cabeceira, incomodando, irritando, “maldito livro!”. A sensação que tive é que minha vida inteira ficou truncada: “se eu não terminar de ler ‘Ulisses’ ficarei inerte eternamente!”. Exageros à parte, foi um livro daninho, não me trouxe nada de positivo, não me divertiu, não me disse nada, não me identifiquei. Um livro sem pé nem cabeça, aborrecido. Infelizmente, tenho que concordar com Paulo Coelho: esse livro é uma droga, mas uma droga dessas pesadas que te provocam uma ressaca horrível, enjôo, dor de cabeça e a sensação de inutilidade. Mas eu não vou falar para você não ler. Sua percepção pode ser totalmente diferente da minha (tomara!). Vai arriscar?

James Joyce era uma tremendo “chato de galochas”. O cérebro do homem jorrava palavras “a torto e a direito”. Alguns trechos são poéticos com certa beleza, isso eu destacaria como algo positivo, mas mesmo assim pareciam desconexos. As longas descrições, como se o narrador ou personagem sofressem de alguma patologia mental, curaram a minha insônia crônica. É um livro esquisito, sem dúvida.

JamesJoyce

Decepção, James Joyce!

Juro que a cada página eu desejei mudar de opinião, “vamos lá Joyce, mostra porque essa obra é considerada ‘pelos críticos’ (se é que leram) uma das maiores da literatura mundial”. Mas Joyce escreveu algo que ele mesmo precisou explicar, porque seria muito difícil alguém entender o livro “monstro” (termo do autor) que ele escreveu durante sete anos. Vou tentar explicar um pouco a parte técnica:

O livro inteiro é uma solene bobagem, mas uma bobagem arquitetada intencionalmente pelo autor, embora incompreensível, um trabalho sem nenhum sentido ou porquê. Ele escreveu vários capítulos, uma epopéia (israelita- irlandesa) e o ciclo do corpo humano e também a história de um único dia na vida. Uma enciclopédia. Cada aventura é uma pessoa, que o autor acha que está conectada num conjunto (que só ele deve ter entendido). O nome “Ulisses” só aparece quatro vezes na extensa obra e é melhor esquecer o personagem “Ulisses” de Homero, porque não tem nada a ver. Um livro que precisou ser explicado pelo próprio autor já é um mau sinal.

E como esse post já deu mais de um tweet, vou parar por aqui, porque não vou perder mais um segundo com esse livro quebra- cabeças inútil e sem- graça. Um livro “pegadinha de mau gosto”. Esse livro não merece o status que tem.

Paulo Coelho, você tem razão!

de

Joyce, James. Ulises. Debolsillo, Barcelona, 2012. 974 páginas

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50 Comments »

  1. Também estou lendo. Ainda não cheguei à página 100, mas, pelo que li até agora, tenho de concordar com você (e com Paulo Coelho). É tudo muito obscuro em “Ulisses”. Parece um daqueles tratados de filosofia em que o autor escreve só para si mesmo e ninguém mais, como se tivesse receio de ser perfeitamente compreendido.
    Não sou de abandonar uma leitura e não pretendo abandonar esta, mas sei que penarei para terminar.
    Ótima resenha! Tem humor, informação e personalidade. Parabéns!

    • Ufa! O seu comentário é o primeiro que posso liberar, porque até agora só levei “paulada”, com xingamentos incluídos. É uma coisa estranha em se tratando de gente “letrada”, que gosta de literatura, mas não aceita a opinião do outro e de algo que é tão particular, como a leitura de um livro. Por outro lado é bom, também vejo como a literatura desperta paixões. Olha, na página 100 eu já estava “estrebuchando”, cheguei na última chorando que nem bebê, ô livro dolorido! Andei olhando o seu blog e gostei muito, vi que você é escritor também, se quiser divulgar seus escritor, vai lá no Falando em Literatura no Facebook e coloca os links.
      Obrigada pelo comentário simpático!
      Fernanda

      • Sim, sim, é verdade. Livros despertam paixões e sedimentam convicções profundas nas pessoas. E quando expomos as impressões que uma leitura nos causou (sem a pretensão de sermos técnicos ou posarmos de críticos literários), nosso coração acaba flertando com a razão ou algo assim. Nesse terreno, creio que opiniões contra-majoritárias são necessárias e bem-vindas, se consistentes como a sua.
        Muito obrigado pela oferta de um espaço para divulgação, mas por enquanto, como ainda sou iniciante, tenho preferido manter um “low profile” – não para me reguardar de críticas (críticas são ótimas, afinal), e sim por certa timidez, hehe!
        Rodrigo

    • Oi Fernanda! Nunca vi um comentário que expressasse tanto o que sinto. Pra você ter uma idéia, encontrei seu comentário digitando no google ” ulisses é uma bosta” .Estou na página 410 de Ulisses e ele já se tornou o livro mais chato que já li, e olha que já li livros de filosofia chatos (Sartre, Nietsche), li recentemente Moby Dick, que em 750 páginas consegue ser chato em 700 (o livro se salva no final que é muito bom, mas não vou dar spoiler, vai que queira ler). Sou como você, se começo um livro eu termino mesmo que seja angustiante, mas esse tá ganhando de lavada. Espero que melhore, mas pelo visto não. O jeito é terminar de ler logo de uma vez e me livrar desse peso.

    • Pelos comentários que li aqui, percebo que quem leu ou tentou ler Ulisses de James Joyce, o fez através de alguma tradução do inglês para o português e talvez aí esteja o problema com a leitura, pois uma tradução é, na maioria das vezes, uma versão própria do tradutor, com acréscimos e decréscimos e isso acontece muito com as traduções de Ulisses, pois cortam palavras chulas e turvam muitas idéias que Joyce usou na obra. Daí, com certeza, vocês darem razão ao Paulo Coelho, um escritor popular e sem profundidade que, em relação a Ulisses, falou asneiras. Tentem ler no original e encontrarão outro livro, o verdadeiro; caso insistam em ler traduções, vez ou outra, sentir-se-ão decepcionados com esta ou aquela leitura. Saúde a todos.

      • Não leio em inglês; tenho que me contentar com traduções, mas acho que os críticos, como não entenderam nada, resolveram elogiar.O que buscar num livro sem sentido? Não sei…Ana 

        Ana Prosini Revisão de textos Aulas particulares de Português

  2. Joyce está mais para filósofo, que para escritor. Ulisses é uma obra intelectual em um corpo literal. Uma obra inigmatica.
    Também tentei ler varias vezes e não chegava à pagina 80, mas depois fui me familiarizando com a inigmatica obra e com muito esforço consegui.

  3. comecei a ler o Ulisses, e como não consegui mergulhar no livro, como fiz em outras leituras… Decidi coletar algumas opiniões sobre ele e li o que o Paulo Coelho tinha dito. Nunca li nada do paulo Coelho, não me envergonho, nem me orgulho disso. Acho que toda leitura é válida, desde que legue algo ao leitor e aprofunde sua interpretação, em quanto apaixonado por literatura. Mas o que ‘Paul Rabbit” (adorei essa alcunha srsrsrs) é em parte verdade nuna e crua. Muitos dos críticos e dos que dizem que Ulisses é realmente grandioso, tem vontade de dizer o que rabbit disse, mas temem as patadas e ferraduras. Vou terminar de lêr Ulisses, por que como todo viciado tenho que chegar ao fundo do poço… Porém tenho certeza que minha expectativa não será ressuscitada nas próximas páginas vindouras.

  4. concordo! Rabbit sabe vender… E muito! A crítica dele ao Ulisses, ao meu ver foi a coisa mais interessante que ele já fez. Sério mesmo. Ao criticar Ulisses com tamanho despudor, ele lançou o enigima, deu uma pedrada: Para quem Ulisses foi escrito, para o grande público ou para alguns poucos literatos que o reverenciam? O livro é realmente muito chato! Achei que quando começasse a lê-lo não conseguiria desgrudar e hoje to penando pra ler uma página… Rabbit disse o que muito pensam e não dizem sobre um livro tão reverenciado e que no fundo não passa mesmo de um completo balaio de palavras, como um saco cheio de gatos do qual não se sabe como se livrar.

  5. Durante um tempo, na minha juventude, gostava de lei os versos e reversos de um meio-irmão que se julgava poeta modernista. Tempos mais tarde ele confessou haver escrito todas aquelas bobagens sob influencia da maconha e outras canabis mais contundentes. De fato, parecia uma algaravia erudita, pois o vocabulário era extenso e variado.
    Consegui chegar na pag 180 de Ulisses, mas sempre com a impressão de que estava lendo o meu modernista irmão. Haja láudano, canabis e ópio, que na época de Joyce deveria ser um must.
    Mas críticos literários, ou de cinema, ou ainda os gourmets, são todos parecidos.
    Comem sardinha e arrotam caviar.
    But, Paul Rabbit was tottaly right. Joyce é um pé no saco.
    Arthur Spencer

  6. Durante um tempo, na minha juventude, gostava de ler os versos e reversos de um meio-irmão que se julgava poeta modernista. Tempos mais tarde ele confessou haver escrito todas aquelas bobagens sob influencia da maconha e outras canabis mais contundentes. De fato, parecia uma algaravia erudita, pois o vocabulário era extenso e variado.
    Consegui chegar na pag 180 de Ulisses, mas sempre com a impressão de que estava lendo o meu modernista irmão. Haja láudano, canabis e ópio, que na época de Joyce deveria ser um must.
    Mas críticos literários, ou de cinema, ou ainda os gourmets, são todos parecidos.
    Comem sardinha e arrotam caviar.
    But, Paul Rabbit was tottaly right. Joyce é um pé no saco.
    Arthur Spencer

  7. Acabei de ler o livro e acho que a obra deve ser lida com uma pesquisa prévia pois sabidamente não e uma obra fácil isso ajuda a entender o que se está procurando, pois nunca se acha se não souber

  8. “Um livro que teve que ser explicado pelo próprio autor”
    “Livros não devem ser esfinges”
    De fato, achei esse blog procurando análises e críticas sobre o livro para melhor compreendê-lo em sua magnitude. Não acho que a carga de pesquisa e auto-análise que uma obra como esta necessita para ser compreendida diminua seus méritos. A verdade é simples: estamos acostumados a narrativas lineares e expressivas, que abordam seu próprio centro moral e ideológico com fórmulas já testadas e bem sucedidas (vide Paulo Coelho). A experimentação com a própria estrutura (a linguagem) e o exercício da escrita como um ato auto-perpetuante foram esquecidos pelos leitores pós-modernos. O resultado desse condicionamento, infelizmente, não poderia ser outro.
    A primeira regra para escrever um livro de sucesso comercial é garantir a empatia do leitor, e exacerbá-la a um ponto em que este não mais vê a obra como tal, e sim como uma extensão de seus próprios anseios e sentimentos. Parte da responsabilidade da criação desta “fórmula” é do próprio James Joyce, mas sua influência é intríseca demais à estrutura do romance pós moderno para ser explicada em poucas linhas. O que queria dizer, basicamente, é que Ulisses não é um romance como todos os outros, e portanto não pode ser lido como todos os outros romances. Suas expectativas em relação ao que uma obra “deve” ser colidem diretamente com a própria intenção de Joyce ao escrever Ulisses, Um trabalho absolutamente experimental e itnrisecamente fundamentado na aleatoriedade do pensamento humano initerrupto, Ulisses é muito mais que um romance: é um maciço devaneio sobre a condição humana, que se expressa não somente (mas também) no peso da gramática distorcida e na subversão de toda ou qualquer regra literária. O livro é difícil, concordo, mas não incompreensível: para lê-lo com moderado sucesso, basta manter longe da cabeça todas as regras implícitas e fórmulas exaustas onipresentes na literatura atual.

    Por fim, um dos conceitos que ficam (ou ficaram em mim) após ler Ulisses, é de que a observação, assim como a linguagem, é subjetiva. Talvez o problema não esteja em Joyce, mas em Coelho. A pretensão do leitor que espera que a obra seja modelada conforme suas expectativas, e não o contrário, é apenas um dos sintomas que apontam o mal da literatura contemporânea. Neste sentido, Joyce é um tapa na cara e um sabão muito difícil de engolir mesmo.
    Enfim, esper que tenha achado a crítica construtiva. Este livro mudou minha vida, principalmente os olhos com que enxergava minha carreira de escritor; acho que, dada a oportuna chance, ele pode fazer o mesmo com vocês.

    Lucas.

    • Caro Lucas. Eu leio a bastante tempo. Lí muito dos clássicos russos, franceses, alemães, Ingleses e encontrei empatia e uma profunda satisfação em muitas ocasiões.
      Após realizar minhas diversas incursões falhas a Ulisses, tive que me conter para não estereotipa-lo por completo e varre-lo da minha perspectiva.
      Atualmente eu estou lendo Em busca do Tempo Perdido, do Proust. E com Proust, eu tive uma primeira experiência análoga a Ulisses. A mesma negação inicial, que me impedia de ultrapassar as primeiras páginas, logicamente imposta pelo estilo e pelo ritmo. Apesar da negação inicial, eu reincidi, e já estou equalizado ao rítmo Proustiano, inclusive já me apeguei ao conteúdo, apesar de ainda sofrer para manter a concentração nos momentos das descrições atômicas.
      Tudo isso para dizer, que ao ter vencido a negação inicial a Proust, me veio a epifania de que o mesmo pode ter ocorrido com relação a Ulisses, pois existem obras que demandam muito mais entrega e ausência de preconceito na sua leitura, fato que parece confirmar-se após ler o seu post sobre o assunto.
      Enfim, gostaria também de cumprimenta-lo pela maturidade, riqueza de sentido e isenção de vaidade na exposição da sua opinião, e também enfatizar que ela foi bastante útil para que eu me encoraje a retornar a Ulisses.
      Como você falou da sua “carreira de escritor”, por favor, quando tiveres um livro publicado, informe por email que seria uma satisfação le-lo.

      • É evidente que não diminui seus méritos, mas prefiro livros que deem prazer com sua leitura e não tanta dificuldade para chegar ao mérito da questão. Concorda?

  9. Me pergunto se James Joyce, no lugar de ser irlandês, fosse romeno, e tivesse escrito Ulysses, na mesma época, em língua romena, com todas as inovações literárias de estilo e de criatividade, mas em idioma romeno, não inglês. Me pergunto: quem seria, nesse caso, James Joyce hoje com o seu livro Ulysses em romeno? Um Zé Ninguém a quem ninguém daria importância. O que tornou Ulysses uma “obra-prima da literatura universal” foi o poder político do idioma inglês. Arte se torna arte desde que ela tenha a seu favor um mecanismo de poder exterior a ela e que a sustente.

  10. Estou tentando ler o “famigerado” pela enésima vez e não sei se chegarei ao fim (Estou na página 340), mas sou como alguns dos que postaram comentários: não consigo parar de ler. Por que voltei ao livro? Quero participar do Bloomsday, em 16 de junho, aqui em Recife, como ouvinte, para ver se entendo alguma coisa do que Joyce escreveu. O que ele queria? que ninguém o entendesse mesmo? o que sinto é que ele era um pedante, mas tenho em mãos um artigo de Mário Hélio que diz que esse foi o romance mais importante do século 20. Então me pergunto: De que adianta escrever para ninguém entender? Interessante que o “amor da vida” de Joyce era uma mulher “sem qualquer sofisticação nem gosto literário”, e seus biólogos dizem “que ela acreditava que ele faria mais sucesso com a sua bonita voz de tenor que com que escrever histórias numa linguagem que ninguém entendia”. Bom, vamos lá, fica aqui o compromisso. Depois de 16 de junho de 2014, conto para vocês se terminei de ler o livro e o que ganhei participando do Bloosday…

    • Muito legal, Ana! Conta mesmo depois como foi a sua experiência.

      Eu tenho que reler Ulisses para tentar tirar o sabor amargo que ficou.

      Gostei de saber sobre o amor de Joyce…os opostos de atraem, não é? rsrsrs…abraços!

      • Oi, Fernanda, infelizmente não fui ao Bloomsday, nem sei se houve porque andei com problemas de saúde. fica o compromisso para o ano que vem… Uma pena, não?

  11. Sabe o que acontece Fernanda, é que muitas pessoas acham que aquilo que ‘os grandes críticos’ dizem, deve ser tomado como verdade. Eu juro que tentei ler esse livro, mas não consigo virar a página praticamente de tão chato e maçante que é essa história… Muitas pessoas acham que por ter uma escrita difícil e uma construção complexa das frases faz dele um autor que seja um dos melhores, no entanto, o contato com um livro não é simplesmente pela forma com a qual o escritor escreveu, mas depende muito de ‘identificação’. É preciso que haja um contato da obra com o leitor que o emocione, e não estou falando de romantismo ou qualquer coisa, mas é preciso que desperte certo apreço e paixões; e sem dúvida alguma, esse livro é tão apelativo do ponto de vista intelectual que perde o ‘sentimento’.

    Não consigo absorver praticamente nada desse livro, e de tão chato, me faz ter repulsa. James Joyce só poderia ser um garotinho mimado que tentou impressionar as pessoas fazendo algo tipo Homero, mas que fugiu completamente da vida social que estava acontecendo e perdeu o nexo! Só posso dizer que é um livro ruim.

      • QUE BOM QUE ENCONTREI GENTE QUE PENSA COMO EU. ACABEI DE LER “A SOMBRA DO VENTO” E DEU PRA ENTENDER TUDO… SE O QUE SE ESCREVE NÃO DÁ PARA ENTENDER, ENTÃO PARA QUE ESCREVER?

      • Boa sorte Ana!! Realmente é um livro chato e eu quero lê-lo até o final também, mas eu ainda não tive paciência e como eu fui passando vários livros na frente, vai demorar um pouquinho para eu voltar a ler esse daí (rsrs), mas um dia eu ainda termino. 😛

  12. Haha, primeiro a autora do site diz que o livro não lhe agregou nada, para logo em seguida afirmar que há trechos poéticos e com beleza. Ora, então acrescentou algo…

  13. Ulysses! livro delicioso, genial, sensual ! cheio de cheiros, sensações, imagens incríveis, sem falar nos bom humor e inteligência. Impressionante. Amei.

    • Que bom que alguém gostou, não? Li numa entrevista que, no máximo, seis intelectuais conseguiram lê-lo.
      Será que conseguiram mesmo? Estou no meio do livro e não consigo avançar…
      Ana Prosini

  14. Pouca gente informou se leu o original ou a horripilante tradução do Houaiss. Para quem tem um bom vocabulário e domina a língua inglesa, mesmo que a trama não tenha sentido, a força do idioma nos faz persistir em sua leitura até o final. Não consegui chegar a uma conclusão sobre o livro. Preciso comprar o guia para sua leitura.

  15. Considerada, unanimemente, uma das mais importantes e controversas criações literárias da literatura mundial, Ulisses criou formas inusitadas de expressão, inaugurou uma nova linguagem, inventou voz e estilo, e, por muito tempo, devido às suas transgressões literárias, permaneceu censurado.

    A 16 de Junho de 1904, Leopold Bloom, um judeu irlandês, sai de casa para comprar os rins que a mulher adora comer ao pequeno-almoço, ir à Posta Restante buscar as cartas de amor da amante, cumprir as suas obrigações de angariador de publicidade e assistir ao enterro de um velho conhecido no cemitério.
    O Sr. Bloom, como Ulisses através dos mares, vai ser arrastado através de Dublin numa odisseia trivial e aventureira. A ilha dos Lotófagos, a gruta de Polifemo e a caverna de Circe tomam aqui nomes de praças de Dublin, de bares e de bordéis irlandeses; Nausicaa, Penélope, Telémaco e os pretendentes são empregadas de bares, uma cantora, um jovem professor de História falador e boémio, um velho empresário corrupto ou ébrios eloquentes. Será apenas na madrugada seguinte, bem comido e melhor bebido, que Leopold Bloom regressará a casa — Ítaca, após ter sido expulso de um bar por um sujeito intratável, depois também de ter apanhado no bordel uma bebedeira memorável que termina num pandemónio fabuloso e repercorrido, titubeante, a história da vida de um pobre diabo judeu irlandês, enganado pela mulher e que corre atrás de qualquer saia que lhe passa perto.
    Terá pelo caminho refeito todo o percurso da História, paródica e sublime, a história de tudo o que a Humanidade inventou para atravessar a terra: línguas, culturas, metafísicas, filosofias, teologias, erotismos, ritos, brincadeiras, preces, magias, sem esquecer o “whisky”, o vinho tinto e os rins fritos em manteiga, sem esquecer também os prodígios da palavra humana, única alavanca de Arquimedes que poderia, sem ponto de apoio, levantar o mundo.

    • Oi, Leda, é preciso ser mágico para encontrar tudo isso no livro. Estou na metade, não consigo sair dela, e não vejo nada a não ser uma chatice extrema. Abraço! Ana

  16. Machado de Assis foi genial sem precisar fazer “experimentações linguísticas”. Era claro, objetivo e magistral, sem perder a estética literária. Tentei ler James Joyce algumas vezes, mas os livros sempre acabam parando no telhado do vizinho. É chatíssimo! Quando encontro esses tipos de autores consagrados pela “crítica” (um bando de gente chata) lembro-me sempre de Graciliano Ramos: “Deve-se escrever da mesma maneira com que as lavadeiras lá de Alagoas fazem em seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

  17. A estranheza de ler Ulissys reside, principalmente, no fato de a narrativa se desenvolver no interior dos personagens, não havendo recuo narrativo nem qualquer tipo de artifício literário a distinguir o tempo da ação dos pensamentos das personagens. Joyce utilizou-se da técnica
    “stream of consciousness”, para “entrar na cabeça” delas, as dissecando e mostrando a atividade cerebral das personagens. Além disso, frisa-se que Ulissys nunca fora uma unanimidade de crítica, e muitos escritores, ao longo dos anos, se manifestaram negativamente em relação à obra.

  18. Interessante compararem Machado de Assis com Joyce. E dizerem que ele não fez experiências linguísticas. Como o Império era embolorado e preconceituoso, inteligentemente ele “se contratou”. Concessões e Avanços. É da Vida ( mas é triste, pra quem cria). A parte significativa de Machado começa com uma aventura ousada. Memórias Póstumas saiu em folhetim e foi recebida com estranheza. Furava toda a estética de romances Vitorianos.Onde, como se sabe, o Personagem é a Sociedade Estabelecida. Não a “pessoalidade”.Um crítico chegou a afirmar : ” Memórias Póstumas será mesmo um Romance”? Pois é. É.De qualquer forma ULISSES faz a rotação mais ousada e que nunca mais deixaria a Literatura ser a mesma. Mergulha na VIDA.Grandes artistas não vivem para a FAMA ( pô, gente !…Paulo Coelho ___ excelente letrista…mas… Coelho? …Aí já estão brincando… Literatura é algo mais divertido e sério…). Daí essa inserção significa que Arte não é mero produto. É Enigma.Agora a barreira da Língua é suprema.Quem dera que criássemos uma imagética puramente HUMANA, geral.Mas só acontecerá quando e se avançarmos.Um grande na Língua Portuguesa, como o Rosa, dificilmente agradará a leitores de inglês, ou mesmo francês. A ousadia fica meio limitada pelo peso do Português, onde os voos sonoros são feitos com extremo sacrifício.Rosa, influenciado por Joyce teve de se render ( e isso não é ruim ) aos moldes da Cultura Latina formadora e deformadora do Brasil. Não há nada perfeito.Ulisses deve ser enfrentado aos poucos. Não se baseia em Enredo. É vivencial. Dizer que o que acontece cabe num twitter ( Coelho, numa declaração infeliz pra de lá…Ai, Brasil de Academus…Nativelho…)mostra um desconhecimento completo do que se pretende( ou pretendia… hoje o Romance não se arrisca a definir a vida… (Interpretações, diria o sábio Nietzsche !…) . E nisso Joyce escalou a Cordilheeira. Viva a obra fala… O resto é Comentários. Aliás, situados no tempo/ral. Abraços.Jsunny/RecantodasLetras.

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