“Ulisses”, de James Joyce


Sabe esses livros que provocam amor ou ódio? Então, creio que esse é um assim: eu ODIEI “Ulisses”! Eu tenho que contar para vocês o drama que foi ter que engolir esse livro. Sim, foi engolido a seco, travando, engasgando, na marra. “Ulisses” ficou marcado como a minha pior experiência literária. Eu fiquei aprisionada nela, não avançava, mas não conseguia deixá- la, porque sou uma leitora kamikaze, morro se não chegar na última página de um livro, não consigo abandonar a leitura, não me rendo! Fiquei quatro meses com esse livro queimando na minha cabeceira, incomodando, irritando, “maldito livro!”. A sensação que tive é que minha vida inteira ficou truncada: “se eu não terminar de ler ‘Ulisses’ ficarei inerte eternamente!”. Exageros à parte, foi um livro daninho, não me trouxe nada de positivo, não me divertiu, não me disse nada, não me identifiquei. Um livro sem pé nem cabeça, aborrecido. Infelizmente, tenho que concordar com Paulo Coelho: esse livro é uma droga, mas uma droga dessas pesadas que te provocam uma ressaca horrível, enjôo, dor de cabeça e a sensação de inutilidade. Mas eu não vou falar para você não ler. Sua percepção pode ser totalmente diferente da minha (tomara!). Vai arriscar?

James Joyce era uma tremendo “chato de galochas”. O cérebro do homem jorrava palavras “a torto e a direito”. Alguns trechos são poéticos com certa beleza, isso eu destacaria como algo positivo, mas mesmo assim pareciam desconexos. As longas descrições, como se o narrador ou personagem sofressem de alguma patologia mental, curaram a minha insônia crônica. É um livro esquisito, sem dúvida.

JamesJoyce

Decepção, James Joyce!

Juro que a cada página eu desejei mudar de opinião, “vamos lá Joyce, mostra porque essa obra é considerada ‘pelos críticos’ (se é que leram) uma das maiores da literatura mundial”. Mas Joyce escreveu algo que ele mesmo precisou explicar, porque seria muito difícil alguém entender o livro “monstro” (termo do autor) que ele escreveu durante sete anos. Vou tentar explicar um pouco a parte técnica:

O livro inteiro é uma solene bobagem, mas uma bobagem arquitetada intencionalmente pelo autor, embora incompreensível, um trabalho sem nenhum sentido ou porquê. Ele escreveu vários capítulos, uma epopéia (israelita- irlandesa) e o ciclo do corpo humano e também a história de um único dia na vida. Uma enciclopédia. Cada aventura é uma pessoa, que o autor acha que está conectada num conjunto (que só ele deve ter entendido). O nome “Ulisses” só aparece quatro vezes na extensa obra e é melhor esquecer o personagem “Ulisses” de Homero, porque não tem nada a ver. Um livro que precisou ser explicado pelo próprio autor já é um mau sinal.

E como esse post já deu mais de um tweet, vou parar por aqui, porque não vou perder mais um segundo com esse livro quebra- cabeças inútil e sem- graça. Um livro “pegadinha de mau gosto”. Esse livro não merece o status que tem.

Paulo Coelho, você tem razão!

de

Joyce, James. Ulises. Debolsillo, Barcelona, 2012. 974 páginas