18 de abril: Dia Nacional do Livro Infantil


Hoje comemora- se o Dia Nacional do Livro Infantil no Brasil por causa do escritor Monteiro Lobato, que nasceu no dia 18 de abril de 1882, em Taubaté, interior de São Paulo e faleceu no dia 4 de julho de 1948.

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A obra infantil de Lobato começou a ser questionada pelo seu teor racista, onde ele compara a tia Anastácia (que é afro- descendente) com uma  “macaca” em “As caçadas de Pedrinho” (1933), mas não só: foram descobertas 20 cartas de conteúdo fortíssimo e chocante, cartas trocadas com outros escritores, que mostram a afinidade que os escritores tinham com as ideias nazistas e com a defesa do Ku Klux Klan, uma espécie de seita americana que tinha o objetivo de excluir e dizimar a raça negra:

Uma ideia unia Monteiro Lobato, Renato Kehl e Arthur Neiva. Os três eram adeptos de um conceito esdrúxulo chamado eugenia. A ideia, surgida na França na metade do século 19 e sistematizada pelo médico François Galton, era definida pelo próprio como “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer qualidades raciais das futuras gerações, física ou mentalmente” – e na prática representava, entre outras coisas, uma exaltação da superioridade da raça “branca” em relação às outras. Ou seja, racismo. 
Ele tocou várias vezes, por exemplo, no tema da Ku Klux Klan, o grupo fundado logo após o fim da Guerra Civil Americana (1861-1865) no estado do Tennessee e que tinha como principal objetivo impedir a integração social dos negros recém-libertados – proibindo-os, por exemplo, de adquirir terras e também promovendo assassinatos traiçoeiros como uma forma de “higiene racial”. Escreve Lobato a Neiva, em 1938: “Um dia se fará justiça ao Ku-Klux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva”.

O Conselho Federal de Educação classificou a obra de Monteiro Lobato como racista, mas o Ministério da Educação vetou o parecer, mas houve alguns estados do Brasil que excluíram suas obras da grade curricular. Independente dos seus pensamentos (lamentáveis, claro) a obra do escritor é um retrato social da época, além de ter sim um grande valor literário. As histórias do Sítio do Pica- pau Amarelo estão acima de qualquer ideologia ou pensamento político. A Arte tem que estar acima disso tudo, afinal, que grande escritor passaria no teste da moralidade? Que devemos fazer, encerrar num porão toda a produção cultural que não for politicamente correta? A minha resposta é não, apesar de achar Lobato um sujeito desprezível. A data de hoje é uma comemoração agridoce, talvez não seja muito adequada tal honraria para um sujeito que desprezava os negros e os considerava inferiores num país de maioria negra. Eu mudaria essa data sim, retiraria a homenagem, mas não a sua obra, essa nunca deve ser proibida.

E você, que acha dessa polêmica toda?