Gente linda é gente que lê


Quando andamos pela rua e vemos gente compenetrada com suas leituras, não dá vontade de ler também? “Ahhh…por que não trouxe meu livro!” Gente linda, é gente que lê no ônibus, no metrô, no banco da praça, no avião, embaixo de uma árvore, na sala de espera do médico, na cafeteria…gente que não pode andar sem um livro, gente que inspira! (Todas as fotos são minhas, cópias com créditos, ok?)

O leitor e a bicicleta, Parque del Retiro, Madri3055075073_cec2176b2b_z

Lendo em dupla, Parque del Retiro, Madri3055077449_9a3fa906a3_z

Leitor solitário, Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa3598141478_701f8840de_z

Leitura e descanso, jardim do Museu do Prado, Madri.
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Concentração, Parque del Retiro, Madri.3748958862_db4402304a_z

Leitura e cerveja, cidade de Madri.4014096954_97b3e03021_z

João Ubaldo Ribeiro na praia de Calafell, Tarragona, Espanha2833449306_d5063357eb_z

Leitura e sol, jardim do Museu do Prado
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Santa Iria de Azóia, Lisboa3235582137_a0f7a268bd_z

Uma pequena intelectual, dias felizes, são dias com livros! Arroyomolinos, Madri.3253185711_c78728f850_z

Parque das Nações, Lisboa.3281038950_d7ffd8667a_z

Santa Iria de Azóia, Lisboa.3310526209_bbde43f452_z

E você, costuma ler aonde?

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Dois anos da morte de Moacyr Scliar


Reinventar-se: eis aí um bom lema para o ano que se aproxima. Reinventar-se como profissional, como cônjuge, como pai ou mãe ou filho ou filha, reinventar-se como amigo, reinventar-se como cidadão ou cidadã, reinventar-se como pessoa. Num mundo em que a invenção é um acontecimento contínuo, em que as mudanças se sucedem de maneira vertiginosa, mexer um pouco com nós mesmos pode ser algo muito bom, um grande começo de ano, um grande recomeço de vida. (Zero Hora (RS), 26/12/2010)

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Dia de lembrar o grande escritor gaúcho, membro da Academia Brasileira de Letras, Moacyr Scliar, falecido há 2 anos, aos 73 anos.

Descansa em paz, mestre!

Sorteio de livro!


O livro a ser sorteado é um que a nossa parceira, a editora Planeta da Espanha, nos enviou:

La más bella historia de amor de Paula Cortázar, de Antonio Gómez Rufo. O livro está escrito em espanhol.

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Sinopse (da Editora Planeta e minha livre tradução)

Daniel, um soldado espanhol, regressa ferido do Afeganistão. Uma bomba deixou o seu rosto desfigurado, mas uma cirurgia estética o converte num homem de uma beleza perfeita, abrindo portas para viver uma vida diferente. Com o que ele não conta, nem Paula, sua namorada, é com a sucessão de surpresas e acontecimentos que uma sociedade como a atual é capaz de provocar para satisfazer seus instintos e tratar de esquecer suas necessidades. Gómez Rufo desmascara, com uma linguagem depurada até os ossos, a grande farsa social, propondo um emocionante brinde ao amor.

Sinopsis

Daniel, un soldado español, regresa herido de Afganistán. Una bomba le ha dejado desfigurado el rostro, pero la cirugía estética lo convierte en un hombre de una belleza ideal, abriéndole las puertas para vivir una vida distinta. Con lo que él no cuenta, ni tampoco Paula, su novia, es con la sucesión de sorpresas y acontecimientos que una sociedad como la actual es capaz de provocar para satisfacer sus instintos y tratar de olvidar sus necesidades.
Gómez Rufo desenmascara, con un lenguaje depurado hasta los huesos, la gran farsa social, proponiendo un emocionante brindis al amor.

Antonio Gómez Rufo

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Madrid, 1954
Antonio Gómez Rufo nasceu em Madri e estudou Direito e Criminologia na Universidade Complutense. Considerado um dos melhores escritores espanhóis, é autor de uma dezena de livros, assim como a biografia de Berlanga e de diversos livros sobre Madri. Sua obra, elogiada pela crítica espanhola e internacional, foi traduzida ao alemão, holandês, búlgaro, português, francês, grego, romeno, polaco e italiano. Prêmio Fernando Lara de Novela e Prêmio Independência Dois de Maio pelo “Segredo do rei cativo (2005), foi finalista do Prêmio Nacional de Narrativa com “A alma dos peixes” (2000). Também é autor, entre outras, de “As lágrimas de Henan, os mares do medo” (2003, Prêmio da Associação de livreiros de Cartagena), “Adeus aos homens” (2006), “O senhor de Cheshire” (2006, Prêmio Ducal de Loeches), “Balada triste em Madri” (2007), “A noite do tamarindo” (2008) e  “A abadia dos crimes” (2011).

Antonio Gómez Rufo nació en Madrid y estudió Derecho y Criminología en la Universidad Complutense. Considerado uno de los mejores escritores españoles, es autor de una docena de novelas, así como de la biografía de Berlanga y de diversos libros sobre Madrid. Su obra, elogiada por la crítica española e internacional, ha sido traducida al alemán, holandés, búlgaro, portugués, francés, griego, rumano, polaco e italiano. Premio Fernando Lara de Novela y Premio Independencia Dos de Mayo por El secreto del rey cautivo (2005), fue finalista del Premio Nacional de Narrativa con El alma de los peces (2000). También es autor, entre otras, de Las lágrimas de HenanLos mares del miedo (2003, Premio de la Asociación de Libreros de Cartagena), Adiós a los hombres (2006), El señor de Cheshire (2006, Premio Ducal de Loeches), Balada triste en Madrid (2007), La noche del tamarindo (2008) y La abadía de los crímenes (2011).

O sorteio será realizado no dia 29 de fevereiro (sexta- feira). Para participar é só curtir a página do “Falando em Literatura” no Facebook aqui e curtir o post do sorteio lá no Facebook. Boa sorte!

Dia de São Valentim, “Vamos discutir a relação?”


Hoje, Dia dos Namorados na maioria dos países ocidentais, o texto: “Amor, vamos discutir a nossa relação?” (Mário Prata)

vjsuave-maisamor3_slideDISCUTIR: defender ou impugnar (assunto controvertido); questionar.
RELAÇÃO: comparação entre duas quantidades mensuráveis. (Aurélio)

Há alguns anos, eu e minha mulher (hoje ex-) fomos convidados pelo cantor e compositor João Bosco para assistirmos ao show dele no Teatro Municipal de Santo André. Como não sabíamos o caminho, João Bosco, que ia com a Kombi da gravadora, ofereceu-se para uma carona. Pegamos ainda o genial jornalista policial Otávio Ribeiro (Pena Branca) e sua noiva no Hotel Cineasta no centro de São Paulo e lá fomos nós. Pena tinha acabado de escrever um livro chamado Barra Pesada.

Quando chegamos, o teatro estava superlotado, não havendo mais espaço nem no chão. O produtor do João nos arrumou quatro cadeiras e lá ficamos nós num cantinho do palco. No centro, com foco de luz, apenas o João, o banquinho e o violão.

Foi quando tudo se deu. Pena Branca e a noiva começaram uma discussão no palco. Lá no cantinho, para constrangimento meu e da Marta, enquanto João Bosco reclamava de “um torturante bandeide no calcanhar”. Da discussão partiram para um bate-boca de baixíssimo nível. Altos brados e baixos calões. Começaram a se xingar. O que aconteceu é que as mais de mil pessoas que lotavam o teatro começaram a desviar os olhos do centro do palco para o canto. Ali, naquele pequeno espaço cênico, estava acontecendo um outro espetáculo. Um casal DISCUTIA A RELAÇÃO, com o João Bosco fazendo um mero e distante fundo musical. Foi um sucesso, para desespero meu e da Marta, meros figurantes sem fala, porém boquiabertos. Não sei se o meu saudoso Pena Branca continuou com a moça depois daquele dia. Sim, porque quando se começa a DISCUTIR A RELAÇÃO é, quase sempre, porque não existe mais relação. Apenas discussão.

DISCUTIR A RELAÇÃO é um ato recente. Antigamente, lá pelos anos 60, não se fazia isso. Quando o namorado ou a namorada chegava para o outro e dizia: “Sabe, eu estive pensando…” Pronto, o ouvinte já sabia que era o fim. Não havia mais o que discutir. Saía cada um para o seu lado dizendo que houve (que saudades) uma “incompatibilidade de gênios”. Isso resolvia tudo.

E os nossos pais jamais discutiram a relação. Nem mesmo a relação sexual. Dava-se uma porrada e não se falava mais naquilo. As mulheres (infelizmente) sabiam do seu lugar ao lado do fogão, sem o fogo do amado.

Mas o mundo girou, a lusitana rodou, vieram os psicanalistas e as feministas. Sim, foram eles que instigaram as mulheres a DISCUTIR A RELAÇÃO. Sim, são sempre as mulheres que começam (e acabam) as discussões e as relações. Os terapeutas, porque colocam na cabeça da gente que devemos dizer tudo que pensamos da pessoa amada para ela e não para o melhor amigo. E as feministas, bem, as feministas…

Mas, antes de surgir a expressão DISCUTIR A RELAÇÃO, tivemos outros nomes para a mesma desgastante peleja. “Vamos dar um tempo’ não durou muito. Depois surgiu “Nossa relação está desgastada”. Por que não “gastada”?

Hoje, modismo ou não, não há casal que não DISCUTA A RELAÇÃO, pelo menos uma vez por semana, igualando ao número de atividades sexuais. DISCUTE-SE A RELAÇÃO nos mais variados lugares. Alguns sombrios, outros perigosos.

O melhor lugar para se discutir a relação é na sala. Está-se próximo do uísque, da televisão que pode ser ligada a qualquer momento e mesmo da porta, para uma saída furtiva e quase sempre covarde. E é ótimo DISCUTIR A RELAÇÃO andando em círculos, com um copo na mão, um ouvido na fera e um olho no futebol. Sim, as mulheres adoram esta atividade aos domingos. Eu tenho um amigo que, quando quer sair sozinho com os amigos, diz: “Vou até lá em casa e dou um jeito de DISCUTIR A RELAÇÃO com a patroa, ela fica irritada e eu tenho um motivo para voltar aqui para o bar’.

DISCUTIR A RELAÇÃO no quarto só tem duas saídas. Tudo terminar numa belíssima e lacrimejante cena de amor (às vezes, até com uns tapinhas carinhosos) ou a ida de um dos meliantes para o outro quarto. No quarto, é impossível se tratar deste assunto impunemente. Principalmente se os dois atletas estiverem deitados. E nus. E se houver alguma faca por perto. Vide Robbit.

No carro, é um perigo. Deveria haver multa para esses casais que colocam em risco não apenas a vida deles, como também dos transeuntes e demais carros. DISCUTIR A RELAÇÃO dentro do carro sempre acaba em trombada na cara. E quem está dirigindo leva sempre a pior. Ou então propor um rodízio. Segunda, não discutem casais com final 1 e 2. Terça, 3 e 4. E assim por diante.

Agora, não há nada mais desagradável do que DISCUTIR A RELAÇÃO por telefone. É um horror. Geralmente é de madrugada. Longos silêncios… “Você está me ouvindo? Você está aí?” A gente não vê os olhos da outra pessoa, o sarcástico sorrisinho, a pequena lágrima rolando. Sem falar na conta do telefone.

E no restaurante, vocês já repararam? Sempre tem alguns casais que chegam calados, comem calados e calados saem. Um não dirige a palavra para o outro. Ledo engano. Eles estão, em silêncio, DISCUTINDO A RELAÇÃO. Acho uma covardia DISCUTIR A RELAÇÃO em silêncio. Eles não falam nada. Ela fica quebrando palitos e ele rasgando o guardanapo de papel. Imundando o restaurante.

Já os mais modernos DISCUTEM A RELAÇÃO via Internet. Ele digita um disparate para ela na Vila Madalena, o texto vai para um satélite, dali vai para Columbus (Ohio, USA), volta ao satélite, baixa na central do Rio de Janeiro e, finalmente, entra no computador dela em Pinheiros, a uns 500 metros de distância. Depois é a vez dela fazer o mesmo. Coitado do satélite que tem que decifrar aqueles palavrões todos. Em português, é claro!

Mas o pior não é DISCUTIR A RELAÇÃO. O pior é pagar fortunas a um profissional, sentar-se numa poltrona ou divã e ficar ali, durante 50 minutos, por intermináveis semanas, meses a fio, anos seguidos, repetindo tintim por tintim como foi a nossa última conversa com o ser amado, fazendo um esforço danado para lembrar fala por fala, todos os diálogos. E o terapeuta lá, com aquele olho de peixe morto, caído, quase bocejando, ouvindo, pela oitava vez, naquela mesma tarde, a mesma nauseante história de amor.

Sim, porque com ele a gente não DISCUTE A RELAÇÃO. Discutimos, no máximo, o preço. Da nossa dor.

Texto extraído do livro “100 crônicas de Mário Prata”, Cartaz Editorial – São Paulo, 1997, pág. 163.O escritor Mario Prata, natural de Uberaba (MG), nasceu no dia 11 de fevereiro de 1946.

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Mario Prata é natural de Uberaba (MG), nasceu no dia 11 de fevereiro de 1946. É dono de uma extensa obra, escreveu novelas, literatura infantil, obras para o teatro e tetevisão, jornalismo, crônicas e também é produtor.

Feira Medieval na Espanha


Como morreu quem nunca amar
se fez pela coisa que mais amou,
e quanto dela receou
sofreu, morrendo de pesar,
ai, minha senhora, assim morro eu.

(Cantiga de amor, de Paio Soares de Taveiroos, trovador galego da primeira metade do século XII )

A pequena cidade de Chinchón, que data do ano de 1086, fica à 44 km da cidade de Madri, na Espanha. O governo local promove todos os anos uma feira medieval, que reproduz usos e costumes da Idade Média. Veja:

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Pablo Neruda será exumado depois de 40 anos da sua morte


O corpo do poeta Chileno Pablo Neruda será exumado após 40 anos da sua morte. Neruda era comunista e faleceu 12 dias depois do golpe de Estado de Augusto Pinochet. Existe uma desconfiança de que o poeta possa ter sido assassinado e que não tenha morrido de câncer de próstata como se pensava. O juíz Mario Carroza tomou essa decisão, confirmada na página da Fundação Pablo Neruda, depois que o motorista e guarda- costas de Pablo Neruda, Manuel Araya, que o acompanhou na sua tentativa de fuga de Santiago ao México, afirmara que o poeta recebeu uma injeção letal no estômago no dia 23 de setembro de 1973. Ele também foi preso e, quem sabe por medo, calou durante quase 40 anos.

pablo_nerudaTerá sido o poeta Prêmio Nobel de Literatura de 1971 assassinado pela ditadura de Pinochet? Em breve saberemos.

Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás… Seremos…

Pablo Neruda

Leitura de mãe para filha


Trago comigo uma imagem de infância: a minha mãe, dona Ana, sentada no sofá da sala com um livro aberto. Nada de televisão ligada, rádio, só o silêncio, ela e o livro. Essa cena me provocava paz e segurança. As tardes eram calmas, eu sentava junto da minha mãe, também com um livro, era nosso momento de evasão. Acho que eu lia coisas que não eram pra minha idade, eu pegava os livros dela, lembro de três títulos:

“Eram os deuses astronautas?”, do suiço Erich von Däniken, publicado em 1968. A edição era exatamente essa, não lembro se li, mas esse livro ficou na minha memória.

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“As meninas”, de Lygia Fagundes Telles, escrito em 1973, também achei a edição da minha infância, essa:

404987_741E um pouco mais adiante, em 1991, lembro desse título “A estrutura da bolha de sabão”, De Lygia Fagundes Telles, também.

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O gosto pela leitura é herança, exemplo. Pais que não pegam num livro, dificilmente terão filhos leitores. A minha filha, Laura, tem o mesmo exemplo que tive da avó dela. Hoje eu agradeço à dona Ana por ter me dado esse recurso, essa ferramenta: o gosto pela leitura.

Lembra desses livros, mãe?