Lewis Carroll sob suspeita, as duas Alices


Hoje é a data da morte do escritor, matemático e fotógrafo inglês Lewis Carroll. Seu nome de batismo era Charles Lutwidge Dodgson, nasceu em Daresbury em 27 de janeiro de 1832 e faleceu de uma pneumonia em Guildford no dia 14 de Janeiro de 1898. Filho de um reverendo da igreja anglicana, estudou Matemática em Oxford, trabalhou na universidade como professor.

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A polêmica e desconfiança rondam o nome do escritor, porque ele andava sempre rodeado de crianças e as fotografava nuas. Ele adorava fazer truques de magia, contar histórias para elas, daí a aparição do livro “Alice no País das Maravilhas”, inspirado na filha do reverendo e escritor Henry George Liddell, a menina Alice Liddell, que foi fotografada por Carroll durante sua infância até os 16 anos. A menina fingindo- se de mendiga:

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Carrol fotografava crianças nuas com o consentimento dos pais, fazia piqueniques, tornou- se uma espécie de “tio” para os filhos dos amigos. A foto abaixo é numa dessas ocasiões, com Louisa MacDonald e as quatro crianças MacDonald:

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O comportamento de Carroll é mal visto, sua sexualidade questionada e muitos pensam que a sua relação com Alice era sexual. Desde 1930, três biografias publicadas por Donald Thomas, Michael Bakewell e Morton Cohen sugerem que era pedófilo. Em 1967, Laurence Irving, cenógrafo, filho de uno de los amigos de Carroll, disse, respondendo ante todas essas especulações que corriam em Oxford, que Carroll era “uma sátira obscura em pele de cordeiro”, insinuando sua culpa.

En 1999, Karoline Leach publicou outra biografia sobre Carroll, In the Shadow of the Dreamchild, na qual menciona a falta de informação e de argumentos de seus predecessores, citando a incompreensão no seu tempo e sociedade, a qual criou- se o mito de Carroll acerca de sua sexualidade. Mas como dizem, amigos, “onde há fumaça há fogo.” Carroll beijando a menina Alice. Isso o que ele fazia diante de uma câmara e por detrás dela?

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“Alice no País das Maravilhas”, publicado em 1865, é uma obra cheia de enigmas matemáticos e trechos incompreensíveis para os dias atuais, já que conta coisas referentes ao momento da sua escritura e que só fazem sentido na língua inglesa. O livro teve bastante sucesso na sua época e influenciou Walt Disney e Salvador Dalí.
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Quase 150 anos depois de sua publicação, “Alice no país das maravilhas” continua vivo, teve várias versões cinematográficas e para a televisão, as crianças continuam lendo a história da Alice, que toca num coelho e é transportada para um mundo mágico, de seres absurdos, numa atmosfera onírica. A história é cheia de ironia e indiretas para pessoas do convívio de Carroll, portanto, na obra há duas interpretações possíveis: uma para as crianças e outra para os adultos. A Alice lúdica, inocente e a Alice que foi maculada, uma Lolita de Nabokov, a Alice que beijava na boca do filho do padre, que posava sensual diante da lente do fotógrafo. Carrol sob suspeita: um anglicano ultra-conservador do século XIX, que tirava fotos de meninas nuas em poses sensuais contrariando religião e sociedade supõe uma força maior…desejo sexual ou arte?
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Retrato de Evelyn Hatch, 1878 por Lewis Carroll
Certeza que você não lerá “Alice” com os mesmos olhos, certo?!
Fontes: http://www.smithsonianmag.com/ e http://molhoingles.com/