A difícil arte de escrever


“Escrever” no sentido literário; escrever uma boa literatura é para poucos. Trechos de livros e pensamentos de autores célebres sobre a difícil arte literária. Alguém se identifica?

1. Machado de Assis na voz de um dos seus personagens em “Iaiá Garcia”: “Uma vez, uma só vez, lembrou- se de escrever um romance, que era nada menos que o seu próprio; ao cabo de algumas páginas, reconheceu que a execução não correspondia ao pensamento, e que saía das efusões não líricas e das proporções de anedota.”

2. Samuel Johnson, poeta inglês: “A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para fazer um só livro.”

3. Lêdo Ivo, “O grande escritor não precisa ser nem muito inteligente nem muito culto. A inteligência e a cultura são contudo indispensáveis nos escritores menores.”

4. Paul Claudel, “Os grandes escritores nunca foram feitos para se submeter à lei dos gramáticos, mas para imporem a sua.”

5. Luis Fernando Veríssimo, “A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo?”

6.  Júlio Dantas, “O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.”

7.  Goethe, “Escrever é um ócio muito trabalhoso.”

8. Aldous Huxley, “Dá tanto trabalho escrever um livro mau como um bom; ele brota com igual sinceridade da alma do autor.”

9. Antonio Callado, “O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo.”

10. Sofocleto, “Só se pode julgar um escritor depois de terem morrido todos os críticos da sua época.”

 

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“Iaiá Garcia”, Machado de Assis


“(…) essa mulher vale mais que seu destino e a lei do coração é anterior e superior às outras leis (…) escuta a voz de Deus e deixa aos homens o que vem dos homens.” (p. 86)

Que  Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21/06/1839 – Rio de Janeiro, 29/ 09/ 1908) foi um dos maiores escritores da língua portuguesa, todos sabemos. Eu só não sabia muito da sua vida pessoal: foi casado com Carolina Novais Machado de Assis, portuguesa, por mais de 30 anos. Segundo as biografias espalhadas pela internet, Carolina era de família nobre, culta e era ela que corrigia os textos de Machado. Até que ponto ela “mexeu” nos textos do escritor? Foi por causa dela, dizem, que ele conheceu escritores do mundo todo e que pôde publicar seus livros. Xiiiii! Machado era Machado mesmo ou Machado era Carolina? Ou os dois? Pensem que no século XIX o machismo predominava, as mulheres tinham um segundo plano. Dúvida plantada. A sua linguagem primorosa terá sido escrita a quatro mãos? Possivelmente, estou blasfemando…tomara! Mas sempre é bom duvidar das coisas sacramentadas. Não toda, mas pelo menos a segunda metade da sua obra deve ter tido interferências de Carolina, segundo relatos de amigos do casal. Carolina e Machado:

Fotos: ABL

Bem, mas vamos com Iaiá Garcia (a Lina, “Iaiá” era seu apelido), filha de Luís Garcia, um funcionário público viúvo, muito reservado e antissocial, amigo da também viúva Valéria Gomes, uma das poucas amizades que mantinha. Ela é mãe de Jorge,  apaixonado por Estela, filha de um ex- empregado da família. Depois da morte de sua mãe, Estela foi viver na casa de Valéria, que a educava. Valéria, descontente com esse romance entre seu filho e Estela,  pois considera a moça inferior, prefere que o filho vá para a guerra do Paraguai com a intenção de separá- los. Jorge, num trecho romântico vai até a casa de Estela para despedir- se antes de ir para a guerra (p.84):

“- Embarco amanhã para o sul. Não é patriotismo que me leva, é o amor que lhe tenho, o amor grande e sincero, que ninguém poderá arrancar- em do coração. Se morrer, a senhora será o meu último pensamento; se viver, não quero outra glória que não seja a de me sentir amado. Uma e outra coisa dependem só da senhora. Diga- me; devo morrer ou viver?”

O pai de Estela, Sr. Antunes, enviava cartas a Jorge quando ele estava na guerra, verdadeiros “epitalâmios” (hinos nupciais), tentava convencer o jovem que sua filha era uma boa opção. Jorge continuava amando Estela e sentiu necessidade de contar sobre esse amor a alguém. Escreveu ao pai de Iaiá Garcia: Luis Garcia. Começaram o trocar cartas, onde Luis dava conselhos ao rapaz e o fazia refletir sobre sua condição de homem e soldado. Numa das cartas, já no final, depois de dar notícias da mãe de Jorge, contou que havia “contraído segundas núpcias com a filha do Sr.Antunes”. A mãe de Jorge, Valéria, foi a madrinha. Estela havia casado com o pai de Iaiá Garcia depois de todas as artimanhas de Valéria, inclusive foi ela que pagou o dote da moça. Jorge odiou a todos, a guerra acabou,  sua mãe faleceu e depois de quatro anos ele voltou ao Rio de Janeiro.

O coração humano é a região do inesperado.” (p. 63)

O engraçado desse livro é que nas 100 primeiras páginas, Iaiá praticamente não aparece, já que na primeira parte do livro ela ainda era menina. Iaiá ajudou a unir seu pai e Estela, de quem gostava muito. A união de Estela e Luis foi “uma viagem com os olhos abertos e o coração tranquilo”. Ambos conscientes que esse casamento por conveniência os faria bem.

A obra de Machado de Assis é dividida em duas fases: a primeira, romântica e a segunda, realista. Iaiá Garcia (1878) é o último livro da sua fase romântica. Interessante ler os usos e costumes da época, o contexto histórico e social, um retrato da sociedade carioca do século XIX, incluindo fuxicos, intrigas e romances por conveniência. A incerteza do que iria acontecer no Brasil por causa da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), a guerra contra o Paraguai e como iria ficar as fronteiras e a questão da navegação entre os países. Outras curiosidades, como os nomes dados às refeições naquele tempo, que eram diferentes e que pode provocar estranhamento no leitor atualmente, veja:

Almoço: era o nosso café- da- manhã, refeição feiita por volta das 8 horas.

Jantar: é o almoço, refeição feita por volta das 14 horas naquele tempo.

Merenda: uma refeição leve, geralmente no final da tarde.

Ceia: a última refeição do dia, por volta das 21 horas.

Machado cita uma revista, o Almanaque de Laemmert (p. 64), que fazia muito sucesso entre os anos de 1844 e 1889, que tinha um formato de livro com várias seções com temáticas diversas e bastante extenso. O anúncio abaixo* é de uma edição de 1880, página 870:

O romance romântico tem uma teia amorosa interessante, envolvente. Parece uma dessas novelas da Globo, só que bem escrita, sem possibilidade de saber logo no início o final da história. Não desista nas 100 primeiras páginas, o melhor vem depois. Como foi o reencontro de Jorge e Estela? Como foi o encontro de Jorge e Iaiá? O enredo é imprevisível, uma das coisas bacanas. Não consegui adivinhar o que aconteceria no final. Não vou contar mais, agora é com vocês!

Eterno! Sabes quanto durou essa eternidade de alguns anos. É duro de ouvir, minha filha, mas não há nada de eterno neste mundo; nada, nada. As mais profundas paixões morrem com o tempo. (p. 208)

Assis, Machado de, Iaiá Garcia. L&PM, Porto Alegre, 2011. 219 páginas

*Fonte: http://www.jangadabrasil.com.br/

Vinte casas de escritores famosos


Aonde viveram/vivem os escritores famosos? O lugar em que viveram influenciaram nas suas escrituras? Não sei, só sei que eram/são assim:

1. Bernad Clavel, escritor francês (Lons-le-Saunier, 29 de maio de 1923 – Grenoble, 5 de outubro de 2010) na cidade de Château- Chalon, França:

2. A casa onde nasceu o escritor português Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935) hoje é um museu em Lisboa.

3. A casa na cidade de Alcalá de Henares, onde nasceu o espanhol Miguel de Cervantes,  escritor de “Dom Quixote de La Mancha”:

4. A casa de Sigmund Freud na Áustria, hoje é um museu:

O divã de Freud:

5. A casa de Pablo Neruda na Ilha Negra, no Chile:

6. Isabel Allende em sua casa nos Estados Unidos:

7. A casa de Paulo Coelho em Tarbes, na França:

8. Carlos Drummond de Andrade, escritor mineiro, nasceu nessa casa em Itabira:

9. Hoje funciona um museu na casa de Guimarães Rosa na Rua Padre João, em Cordisburgo, Minas Gerais:

10. A casa da infância de Clarice Lispector fica na Rua do Aragão, na Boa Vista, Recife,  Pernambuco:

Clarice na sua casa no Rio de Janeiro com seu cachorro Ulisses, importante na vida da escritora:

11. A casa da infância de Manuel Bandeira na Rua União, 163, Recife, Pernambuco:

12. A casa aonde vive Ariano Suassuna com sua esposa Célia há mais de 50 anos no Recife:

13. A casa de Virginia Woolf:

14. Truman Capote, o quarto da casa de praia do escritor em Hampton, EUA.

15. Marcel Proust nasceu e viveu nessa casa na aldeia de Illiers-Combray, França. Sofria problemas respiratórios, asma e seu quarto era vedado e as paredes cobertas de cortiça para evitar ruídos exteriores. Nessa casa escreveu as mais importantes cenas da sua obra- prima “Em busca do tempo perdido”. Na verdade, essa cidadezinha chamava- se Auteill, mudaram o nome em homenagem ao escritor que havia criado o nome fictício “Combray” para ela no seu livro.

16. A casa de José Saramago na ilha de Lanzarote, Espanha:

17. A casa onde nasceu Shakespeare  em Stratford-upon-Avon, na Grã- Bretanha:

18. A casa em Edimburgo onde foi escrita a saga de Harry Potter, da escritora J.K. Rowling, foi vendida para um fã do bruxinho:

19. A casa de Nietzsche, na Suiça, foi nela que escreveu a maioria das suas obras e enfrentou as suas vertigens:

20. A bela casa de Victor Hugo, na capital francesa, ela está aberta para visitas:

Qual você gostou mais?

É hoje! Sorteio de Livro


A Editora Planeta Espanha nos presenteou com um livro (em espanhol) que vai ser sorteado hoje: “La mujer veloz”, Imma Monsó. A escritora espanhola fala nesse romance sobre a tirania dos tempos atuais, a correria, a cultura do imediato.

Para concorrer basta curtir a página do Falando em Literatura no Facebook, e no post sobre o livro, deixar seu e-mail. O resultado sai hoje mesmo, participe!

Boa sorte!

UPDATE: Sorteio realizado, a vencedora foi Laila Moraes, uma leitora de Votuporanga, São Paulo. Em breve mais sorteios!

Vídeo com poemas de Manoel de Barros e desenhos de Evandro Salles


Lindo esse vídeo-histórias chamado “Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo”, com poemas de Manoel de Barros, roteiro de Bianca Ramoneda e música de Tim Rescala. Ele fez parte de uma exposição “Arte para crianças”,  no Sesc Pompéia há algum tempo. Um vídeo para crianças e adultos:

Feiras de livros no mundo


Para quem adora visitar feiras de livros (eu! eu!) deixo aqui uma lista com as principais feiras do mundo:

1. Feira do Livro de Madri, acontece no Parque del Retiro, entre os dias  25 de maio al 10 de junho. Horario: segunda a sexta: de 11:00 às 14:00 e de 18:00 às 21:30 horas. A entrada é grátis.

2. A Liber, Feira do Livro de Barcelona, acontece de 3 a 5 de outubro de 2012.

3. Feira do Livro de Lisboa, Endereço: Parque Eduardo VII, de 24 de Abril a 13 de Maio.

4. Bienal do Livro de São Paulo, aconteceu de 09 a 19 de Agosto de 2012. Endereço: Pavilhão de Exposições do Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana 02012-021 São Paulo

5. Festa Literária de ParatyFlip de 2013 será realizada entre os dias 3 e 7 de julho e celebrará a obra de Graciliano Ramos. Os ingressos dos anos anteriores custaram entre 10 e 40 reais.

6. Feira do Livro de Frankfurt, de 10 a 14 outubro, mas nos dias 13 e 14 são só pra comerciantes e convidados especiais. A entrada não é gratuita. Endereço: Messegelände
Ludwig-Erhard-Anlage 1
60327 Frankfurt am Main
Deutschland

7. Salão do Livro de Paris, de 22 a 25 de março,  de 10h – 21h, e
Domingo, 24 de março: 10h – 20h. Na segunda- feira de manhã, o salão só é aberto para profissionais. A entrada custa 10 euros,  é grátis para estudantes; e maiores de 65, a entrada é gratuita na segunda de tarde. Endereço: Paris Porte de Versailles – Pabellón 1 Boulevard Victor, Paris 15ème

8. Feira do Livro do Porto, aconteceu neste ano de 2012 entre 31 de maio e 17 de junho. Endereço: Avenida dos Aliados, é a  82.ª edição.

9. Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México), de 24 de novembre a 2 de dezembro de 2012.

10. Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, será de 25 de abril a 13 de maio de 2013.

A lista vai estar em constante atualização.