“Os filhos dos dias”, Eduardo Galeano


Eu nunca tinha lido nada de Eduardo Galeano (Montevidéu, 1940), comecei pelo seu recém- lançado livro e levei uma surpresa (ruim). “Los hijos de los dias” é uma cópia do Wikipédia. Galeano escolheu um fato, um acontecimento, uma pessoa, para cada dia do ano e escreveu um livro com 365 micro- textos. Hoje, por exemplo, dia 13 de junho (Dia de Santo Antonio, salve!) ele escreveu sobre um acontecimento de 2010, onde soldados americanos estavam cometendo o suicídio e o Pentágono teve que multiplicar os médicos em saúde mental. Ele termina com uns questionamentos pouco originais (mas que não deixam de ter razão): “Quem são os loucos? Os soldados que se matam ou as guerras que os mandam matar?” Veja (clique para ampliar):

Um livro que qualquer um pode fazer, porque não exige nenhum dote literário, um livro sem mérito, é a impressão que me ficou. Não valeu a espera na fila da Feira do Livro de Madri 2012. Eduardo Galeano não foi simpático nem antipático, foi correto, mas notava- se que tinha pressa. Ele não autografou nenhuma outra obra, só o lançamento. Eis meu exemplar autografado:

Esse texto fala da amizade, parece que foi pescado daqueles textos bonitinhos que rolam no Facebook. No dia 30 de julho (não vou traduzir, porque creio que a maioria dos falantes da nossa lingua pode entender, é só clicar que ele amplia):

Sobre o Brasil, no dia 11 de julho de 1941, Galeano fala da chegada do rádio no país (clique para ampliar):

Também falou do Brasil no dia 7 de dezembro, sobre o poeta baiano Gregório de Matos, que nasceu nesse dia no ano de 1633. Galeano diz que foi o poeta que mais soube enganar o Brasil colonial. Em 1969 (ditadura militar) os livros de Gregório foram queimados numa fogueira porque foram considerados subversivos (clique para ampliar).

Eduardo Galeano na última Feira do Livro de Madrid (maio/2012)

No dia 10 de novembro ele cita o Brasil outra vez, dessa vez pra falar de Dráuzio Varela, que comprovou que o mundo investe cinco vezes menos dinheiro na cura do Alzheimer, que em estímulos para a sexualidade masculina e cirurgia plástica em mulheres (notícia bastante comentada nos meios de comunicação):

Embora Galeano tenha tentado refletir sobre as notícias, dar um toque pessoal, nota- se que ele não é escritor literário, e sim jornalista. Esse livro foi como ler notícias de jornais velhos. Não gostei do homem Wikipédia.

Galeano, Eduardo. Los hijos de los días. Madrid. Siglo, 2012.  428 páginas

Anúncios