“Umma”, Darlan Matos Cunha


“Viagens e livros são climas propensos onde achar gente. ( p. 52)

“Umma” é um romance narrado em 3ª pessoa, um narrador que sabe tudo, vê tudo, destrincha a personalidade de Umma. É dividido em três capítulos: “grãos de areia e alergia”, “outras e mesmas a/feições” e “umas e outros e outras”. Há também poemas entremeados no romance.

Umma é uma mulher sui- generis, uma mulher que arrasa por onde passa, independente, uma trapezista, colecionadora de aranhas, poetisa, cantora, cozinheira, bela por fora e por dentro, uma Sherazade brasileira. Nora é a amiga apicultora de Umma, as duas subiram ao cume do Machu Picchu. Como seria o rosto de Umma entre tantas?

“Mulher ao espelho”, Pablo Picasso

” (…) a vida é mesmo severa, embora larga para quem é folgado; e se alguém vive sob sobressaltos, isso leva à insônia, à úlcera péptica, ao péssimo humor, às preliminares do suicídio, ao silêncio, sim, a vida é curta feito pepino em conserva.” (p. 12)

O escritor mineiro de prosa e verso, Darlan Matos Cunha. Foto: Flickr do escritor

Numa tentativa de definição de Darlan Matos, eu diria que o escritor é um Mário de Andrade pós- moderno. Ele brinca com a linguagem, que é rica, variada e muito arraigada nas coisas brasileiras, deita e rola, neologista. A sua escritura sempre tem um toque de humor, o que é de se agradecer, porque já estamos sisudos demais, chatos demais, estressados demais, estamos carentes de humor na vida e na literatura. “Paliavana” é o nome do blog do escritor; “fotemas”, o avatar de Darlan no Flickr (o escritor também é fotógrafo); Darlan também estudou Psicologia, mas não gosta muito de citar em sua biografia. Será modéstia?!

“Palavras lindas são paliavana e voorara, energúmeno e anticristo, jegue e carestia. Com fotos e temas, fotemas, eis o fotógrafo arrecadando migas sobre muros, ecos de algo que ele pretende escape da solidão de uma gaveta.” (p. 31)

Darlan Matos é um erudito, tem um vasto conhecimento na área das Ciências Humanas e de Saúde, foi no poema “Chave” (p. 34) que li uma palavra que não conhecia, entre muitas outras, já que ler Darlan é uma salada lexical das mais variadas: “consumpção”, que em medicina significa “definhamento”. Nota- se o seu conhecimento na área médica em mais essa analogia:

 “Se se encara a vida como sendo uma rede de canais similares às artérias e veias (veja que os rios são as veias e artérias da terra), pode- se entender melhor a tão intrincada e ao mesmo tempo tão simples essência do mundo, que é a da interdependência.” (p. 53)

O meu exemplar, presente do autor, com sua dedicatória carinhosa.

Eu, brasileira, imigrante há mais de 10 anos, entendo bem dessa citação abaixo:

“Quanto mais se anda mundo afora, mais oportunidade se tem de travar conhecimento com certas alegrias, certos espantos, doces e sais de muitos tipos de profundidades, e isso nos leva para dentro de nós mesmo (…)” ( p. 53)

Um presente, o “Umma” dedicado,  jamais vou esquecer, uma honra!

Umma e Ultal se encontraram, mas o amor começou a doer. “Todo dia é dia de alguma coisa a última vez.” (p. 176)

 Cunha, Darlan M., Umma, Virtualbooks, Minas Gerais, 2011. 194 páginas

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9 Comments »

  1. Amiga Fernanda,

    fico-lhe grato por sua percepção apurada do livro Umma, e por divulgá-lo com o interesse único de bem situar a Literatura entre o máximo de pessoas (não só a minha modesta literatura).

    São quatro e cinquenta da matina. Cá está o café ou ‘cachaça preta’. Posso eu agora, furtivamente, verter umas lágrimas, devido a essa resenha ?

    Darlan M Cunha

    • Modesto é o escritor (e não a sua literatura riquíssima), que por causa de sua escritura psicológica/ filosófica me fez pensar em um monte de coisas sobre a vida e as pessoas.
      Café? Aceito! Um dia quero ter a honra de tomar um café contigo, com direito a pão de queijo mineiro e uma viola pelo meio. Ah, esqueci de contar o seu dom pra música, entre tantos outros.
      Abraços e obrigada!

    • Querido e velho amigo, Darllan…. (que algumas vezes vc grafou duplicando o ‘L’). Estive em Santa Bárbara, revi sua especial casa e senti saudades dos nossos bons tempos por lá… A última vez que de vc tive notícias, foi através de um pequeno ‘folder’ de um show seu, de “Música LatinoAmericana”, penso que no Chico Nunes (BH). A querida Luiza, minha mãe, segue vivendo com alguma qualidade, já com 84 anos; minha irmã Denise, “idem”, com “a mesma data”, como diria nosso velho amigo comum (e meu pai), Domingos… Dê-nos notícias e, quem sabe, aparece por aqui? Forte abraço!! Demósthenes

      • Caro Demósthenes,

        Responderei em termos rápidos, por enquanto, logo dizendo que mal pude crer nesta visita. Faz tempo que procurei rapidamente por você (não uso Twitter e nem FaceBook).

        A última vez em que vi a Dona Luiza, uma senhora de absoluta distinção, foi no bairro Santa Teresa, onde eu praticamente vivi, desde que vim continuar o científico, e depois servi o Exército, gostei de estudar sociologia e psicanálise, publiquei vários livros – inclusive um sobre a turma mundial do Clube da Esquina, sim, senhor, já que “sou do pedaço”, como bem diz o povão.

        Minha mãe, Dona Maria José, fará 84, no dia 13 de abril, deste, ano, mas poucos dias depois ela voltará aos EUA, porque TODA a família mora lá há mais de vinte anos – filhos, filhas, netas, netos, bisnetas, bisnetase uma trineta, a Isabela, nascida na Flórida, no ano passado.

        Se alguma vez grafei meu nome, que é raro e bonito, com dois “ll”, isso foi por puto descuido, ou picardia , algo assim. Por exemplo, em nenhum das minhas obras meu nome tem essa grafia dupla. Sou uma pessoa culta, sofisticada, poliglota, como você sabe – e nunca deixei de me lembrar de vocês, nem aqui e nem no exterior.

        Minha companheira, Dra. Antje K. Lia Gulden, alemã, doutora / bacharel em Química já é falecida.

        Nunca tive parentes em SB, apenas raríssimos amigos, como você e a Denise, um doce de garota, sempre educada. Assim também sua mãe e seu pai o qual seguraria e segou qualquer barra para mim, eu ainda jovem. Fiquei vinte e cinco anos sem ir até lá. Fui rever a minha casa de mais de 200 anos, que continua uma barbaridade de linda. Lembro-me de que eu era o único jovem aceito na roda de pessoas como seu pai (que visitei no hospital), e o inesquecível Rubens (Rubão), dos Correios. Eles adoravam conversar horas comigo, e vice-versa, versando sobre diversos assuntos, que não caberiam entre aquele bando de analfabetos de SB – com alguma exceção, talvez.

        Ah, e aquela pinga com pepino e limão, e um violão, não há como se esquecer daquilo, daquela roda lá na sala silenciosa.

        Fiquei na minha, quando visitei a casa, autorizado por aquela família distinta, de doutores engenheiros da Petrobras, meus amigos desde a época em que morei lá. Foi com a Sra. mãe deles, Dona Conceição Tomazzi Penna com quem tive meu primiero emprego, na Coletoria Estadual, junto com o Dr. Geraldo e o Dr. Salathiel Nunes Pereira da Cunha, amigos do senhor Elviro, meu pai, falecido há três anos, da terrível patologia Alzheimer. Eu tinha uns quinze nos, algo assim, no meu primeiro emprego, isso, é óbvio, enquanto a família estava lá. Fiquei muito emocionado com aquela visita, feita de sopetão, onde fui tratado como um rei pela família Tomazzi – herdeiros e herdeiras, voltei no outro dia para BH.

        Moro no bairro Buritis, BH. Quando puderem, telefonem para 97183-7145, ou para o fixo 3378-8553, para marcarmos uma visita aqui ou na sua casa. Mas lhe peço que em hipótese alguma passe nenhum destes números para ninguém, porque eles são para a minha família nos EUA, para coisas minhas no hospital, e para os raros amigos chegados que tenho. Raros sabem o meu número. É aquela velha história, que seu pai, de vez em quando dizia, e a qual até hoje a minha mãe fala: “Antes sozinho, do que mal acompanhado”.

        Na minha página no Blogspot, você poderá ter uma pequena ideia de alguns dos meus livros, até porque o título deles está em separado, logo à direita da página, com foto minha e meu nome nas capas.

        PALIAVANA4
        http://paliavana4.blogspot.com

        UAÍMA
        https://uaima.wordpress.com

        Aquele abraço a todos. Apareçam.
        DARLAN M CUNHA

      • Amigo Darlan,

        Enviei uma mensagem-teste lá para o darlan.in@gmail.com.
        Mas vou aqui…

        Surpresa mesmo foi tê-lo, em resposta (longa para os dias de hoje, rss), tão rápida e de ‘bate-pronto’.

        A final, em tempos tão econômicos e lacônicos, escrever uma ou duas páginas, transforma-se nas velhas cartas (ou missivas) de tempos imemoriais…..

        Registro, com alegria, que as nossas velhas mamães estejam vencendo, galhardamente, a ‘casa dos 80’, ambas com 84 anos (Luiza completou idade em fevereiro último, 3) e d. Maria José chega a essa vetusta idade no próximo abril, 13, quando o céu já se aproxima da beleza máxima dos maios belorizontinos.

        Registrei, de imediato, teus acessos…. e quero mesmo passear em tão belo bairro, para rever teus dedos, de boas unhas, cujo ‘toques’ no pinho, sempre fizeram ecoar lindos acordes e seduziram-nos a todos….

        O ‘seu’ Elviro sofreu desse mal difícil que vc relatou, e minha querida mãe parece caminhar para isso, amalgamando momentos de lucidez remota com esquecimentos ‘próximos’…. Ainda me lembro da Rua Pouso Alegre, 282, onde, alguma vez, tive a alegria de visitar….do alpendre até a sala de visitas….

        Ah! “Volver a los 17…”, se é que é isso que eu imagino que seja….

        A tua família, realmente, parece-me que, a tempo e modo, conseguiu encontrar porto seguro na velha América…. e isso já fazia parte de teus registros poéticos, logo ali nos anos 70, quando anotava a nossa dependência prática, de produtos alienígenas….
        A começar do velho whiskey, vodkas e bebidas que tais…. (ainda me lembro de uma frase sua, algo tipo “veste o teu robe-de-chambre”, clareie teus dentes com “Kolynos” e renda-se…. difícil lembrar detalhes, muita vez….

        E foi sim, num fino caderno pautado, de capa cor de rosa, que alguns registros com sua inconfundível letra, devem ter registrado alguma grafia de “L” dobrados; creio estar guardado em sítio de recreio, na velha Mateus Leme, MG., onde tenho pouco frequentado mas que hora dessas irei conferir…. É bem possível que, talvez, tenha se tratado de um ‘puto descuido’ ou mesmo a velha picardia com aquilo que exige acidez… rs.

        A tua querida Antje, eu conheci ali na rua Goiás, dentro de bem decorado e confortável apartamento, uma mulher doce, de rara inteligência, sensibilidade e alegria, transmitida por olhos brilhantes e inesqueciveis… apreciadora de uma ótima vodka ou algo destilado e correlato.

        Costumo dizer que a velha Alemanha produz as melhores coisas, a inteligência e a beleza de seu povo, parte delas….

        Santa Bárbara costumo dizer, deve ter ajudado a construir aquela velha frase: “…tu não envelhecestes, pois já nascestes velha….” (ou algo bem parecido com isso). Parada, no sentido intelectual ao menos, ‘no tempo e no espaço’, à par, porém, de existirem pessoas sensíveis e especiais, que lá habitam, em pequeno número, de certo e onde tenho “meia dúzia de 3 ou 4 amigos” (expressão que meu velho e querido Domingos gostava de usar) e outros tantos colegas dos velhos tempos….

        Convidado, há pouco tempo, para um ‘encontro dos santabarbarenses ausentes e presentes’ lá fui eu, hospedar-me no Hotel Quadrado (o outro, Santa Bárbara Hotel, depois de reformado e ter me recebido certa vez, foi novamente fechado, embora sua estrutura permaneça íntegra, tal qual a tua velha e linda casa, de ‘3 imponentes lances verticais).

        O amigo e de certo benfeitor da Cidade, Dr. Anchieta, tem feito o que pode para manter em funcionamento, em reformas sucessivas, vários prédios antigos, como o ótimo hotel QUADRADO, o “QUADRADINHO’, aquela casa quase de esquina em frente ao Bar do Niquinho, o Bar da Estação (rumo ‘a estação de trens, cuja ramal foi, infelizmente desativado), e uma casa dos pais de Joana, ex amor de Luiz Carlos Viegas Jorge, um dos “craques” de bola, irmão de Afonsinho e com quem vc deve ter jogado bola ou tido como adversário, no velho campo de futebol, ali à “beira rio”, e onde hoje funciona (a casa) como pizzaria, muito boa mesmo, estando à altura do nível da urbe….

        Tomar pinga com pepino evoca, sim, e até com aroma e direito a que a boca ‘se encha d’água’, o velho e querido nosso pai e amigo, além de Rubens Sodré (também de saudosa memória e uma inteligência perspicaz e brilhante).

        Tocar violão entre amigos, naquela “sala silenciosa”, ainda nos traz à lembrança a canção de Chico Buarque que vc puxava para nosso gáudio: “…todo dia ela faz, tudo sempre igual, me sacode às 6 horas da manhã, me sorri um sorriso sem igual e me beija com a boca de hortelã…”.

        Aaah! um amigo sempre novo, para nos brindar com Bob Dylan, Chico, Caetano, Carlos Santana….

        Lerei, sim, o que o Blogspot colocar disponível, juntamente com as minhas leituras milhares e diárias…. ligados ao direito, principalmente ao direito do trabalho….

        Ontem, na correria da noite alta, passava da meia noite, eu tirei, atabalhoadamente, umas duas ou três fotos que te enviarei por e-mail, ou pelo WhattApp (se for o caso), de um certo velho troféu que enfeita a sala da minha mãe querida, em festival vencido em Juiz de Fora, nos idos anos 70 (setembro de 1971), e que vc, numa rara manifestação de alegria e contentamento, levou de presente para o meu pai….naqueles tempos em que vencer algo dependia, à exclusividade, da qualidade pessoal do vencedor…

        Gostará de rever a bela peça, conservada como de sempre….

        O aperto de horário me obriga a encerrar a prosa, por ora e por hoje, neste instante….

        Em que gostaria de contar nossas noites sem fim na velha TAPERA (de Pedro Lúcio), com vc tomando a minha hoje preferida bebida destilada (Campari, limão e gelo) e eu tomando “Gim Tônica, que me levou àquele fenomenal porre, que fez com que eu jamais dela bebesse novamente, alçando ao doce-amargo CAMPARI… Salute, Campari!!).

        Bons tempos, meu amigo….

        Um grande abraço!!!

        Falamos e bora lá marcar uma prosa, que – promete -, será longa!!

        Tim, tim!!!

        Demósthenes,
        seu menor amigo (como “seu” Domingos diria).

        PS: Nós também nunca o esquecemos, pois o amor entre as pessoas continua eterno….!

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