Apaga a luz e acende o tablete


Em primeiro lugar: por que usar o nome “tablet”? Na língua portuguesa há um correspondente perfeito: “tablete”. Não sou purista, mas há um excesso de anglicismos e americanismos no vocabulário do brasileiro.

A ideia desse post surgiu depois de uma discussão no Facebook, onde a maioria das pessoas defendia o livro de papel. Deduzi que nenhuma delas possui um tablete. Isso anda acontecendo muito: “não conheço, mas não gosto”. Depois desse debate, fiquei a pensar sobre os argumentos que as pessoas utilizaram para defender os livros tradicionais: “nada substitui o prazer de folhear um livro, o cheiro do livro, a textura, a magia da biblioteca.”Decidi criar uma lista em prol dos tabletes:

1. A leveza. Os tabletes, ou leitores de livros digitais, pesam uns 200 gramos. Se todos os livros didáticos das crianças estivessem em formato digital, elas não carregariam excesso de peso nas mochilas, aliás, nem precisariam de mochilas, e não sofreriam problemas de saúde por essa causa.

2. Quantidade. Você pode carregar uma biblioteca enorme na sua bolsa: dependendo da memória do tablete é possível ter acesso imediato a 100- 200 mil títulos. O meu, por exemplo, é um bq Kepler de 8 GB com possível ampliação via cartão de memória, sua capacidade aumentaria em até 8 vezes.

3. Preço. Os e-books são muito mais econômicos se você é consumidor habitual de livros, fora que há uma infinidade de livros para baixar grátis pela internet.

4. Espaço físico. Os espaços ocupados pelos livros poderiam ser aproveitados para outras coisas, inclusive nas bibliotecas. Os espaços das estantes poderiam ser habilitados para colocar mais mesas e assim comportar mais leitores. Muitas bibliotecas públicas nas cidades e de universidades estão saturadas por falta de espaço de armazenamento. Exemplifico com a Complutense de Madrid, que guarda os livros da área de Letras em dois edifícios diferentes e há uma longa espera até o livro chegar na mão do estudante, tal processo pode demorar uma manhã ou tarde inteira. Os e-books evitariam esse problema.

5. Higiene. Os tabletes não acumulam poeira, fungos, bactérias, ácaros e todo tipo de micoorganismos prejudiciais à saúde. Fora restos biológicos, insetos e restos de comida.

6. Ecológico. Os tabletes são mais ecológicos do que os livros em papel. A indústria madereira é uma das mais selvagens e que destróem mais a natureza. Reciclar papel também polui, gasta energia, produz papel barato, mas de baixa qualidade e prejudicial à saúde. Só 30% do papel feito no Brasil provem de reflorestamento. O meu prazer de ler produz a derrubada de árvores e eu acho isso uma barbárie.

7. Mais recursos. Os tabletes permitem ampliar a letra, ter acesso rápido a dicionários e fotos, podemos sublinhar, acrescentar notas, selecionar trechos. E apagar isso tudo sem estragar nenhuma página.

8. Leitura noturna. Você pode ler à noite sem ter que acender a luz. Em viagens em trens, aviões, ônibus, você pode ler sem incomodar o vizinho, o mesmo não acontece com o livro de papel.

9. Cheiro. Para os defensores do “cheiro do livro em papel”, que consideram esse ítem essencial. Recentemente tive que comprar um livro (infelizmente, nem todos estão no formato digital “ainda”) que me deixou com dor- de- cabeça pelo seu forte cheiro à química, não sei se de cola ou outra coisa. Cheiro? Cheiro a mofo, à poeira. Prefiro os tabletes inodoros e o cheiro dos pinheiros, vivos, perfumando o ar.

10. Textura. Há tabletes que simulam a textura de papel e que reproduzem o barulhinho  do folhear das páginas.

11. Tinta. A qualidade da tinta digital é idêntica a dos livros, a qualidade das letras num tablete não deixa nada a desejar.

12. Envio grátis. Eu posso comprar e-books do mundo inteiro sem pagar frete. O custo de envio para o exterior de livros de papel são tão abusivos, que é inviável. Você pode ter o título que quiser, no idioma que escolher, ao alcance de um clique.

A única desvantagem do tablete? Esgotar a bateria, mas como todos já estamos acostumados a carregar telefones celulares, faça o mesmo com o tablete e não haverá problema.

O novo provoca uma certa “estranheza”. Alguém aqui sente falta dos discos- de- vinil, das fitas- cassete ou da máquina- de- escrever, por exemplo?

O livro de papel um dia será coisa do passado. As crianças do futuro nos acharão uns inconsequentes por termos destruído tanta mata virgem para fabricar papel. A leitura não pode ter um preço tão alto. Vira a página!

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