Ariano Suassuna: candidato ao Nobel de Literatura 2012


Segundo o site Cátedra da Puc- RJ, o escritor paraibano Ariano Suassuna, é candidato ao Nobel de Literatura 2012.

Ariano Suassuna é escritor consagrado no Brasil, com obras míticas como a maravilhosa peça teatral “O Auto da Compadecida”.

O resultado sairá no dia 10 de dezembro, vamos torcer!

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“Navegando” no dispensável, Rubem Alves


Quando terminei de ler esse livro, a primeira coisa que me veio na cabeça foi: “esse livro não precisava existir!”. Ele é todo errado, cheio de ideias furadas, de absurdos, incoerências e até falta de respeito. O livro foi escrito no ano 2000 e não no século XV.

Rubem Alves ( Boa Esperança, Minas Gerais, 15/ 09/ 1933) que, segundo o meu amigo Wiki, tem formação em teologia, psicanálise e filosofia, é escritor e educador, com um curriculum tão invejável, como pôde escrever um livro tão simplório e desinformado?!

O livro tem uma seleção de quinze crônicas que tentaram ser poéticas, mas passaram longe disso, foram divididas em capítulos assim: “O MAR”, “O CAIS”, “PARTIDAS”, “VIAGENS” e “NAUFRÁGIOS”, títulos (o melhor do livro) não têm nenhuma coerência com os textos. Realmente, um livrinho “Titanic”, poderia ter ficado na gaveta ou no fundo- do- mar. Nessa hora que eu penso que, às vezes, o nome, a fama, é que faz a publicação, porque se esses textos fossem enviados para algum editor com o nome de algum desconhecido, certeza que no primeiro parágrafo já teria sido descartado. Vamos lá…

Logo na primeira frase da primeira crônica, “Em louvor à inutilidade”, ele diz “Brinquedo não serve para nada.” Não vou comentar sobre todos os absurdos dessa afirmação, mas cito só as básicas: os brinquedos servem para divertir, interagir e educar. E o escritor continua: “Objeto inútil. Útil é uma coisa que pode ser usada pra algo. Por exemplo, uma panela.” (p. 13) Quando eu li isso já vi que não poderia mais levar esse escritor a sério. E piorou. Ele disse que foi fazer uma palestra para o pessoal “da terceira idade”. A primeira coisa que disse que a idade deles era legal, porque chegaram na idade em que podem ser inúteis. As pessoas tomaram como uma ofensa. E é. Ninguém gosta de ser chamado de inútil em nenhuma idade. O texto inteiro apresenta um absurdo atrás do outro.

Na segunda crônica, tudo foi de mal a pior. Se esse homem é psicanalista, eu sou física nuclear. Em “A síndrome do pânico”, ele mesmo diz que conhece “pouquíssimo” do assunto ( e por que falar de algo que não entende?!). Ele usou a chacota, a graça sem- graça, a ironia, pra falar de problemas psicológicos e falou superficialmente de um tema sério e que atinge milhares de pessoas no mundo todo. Foi ofensivo. Ele diz que não acredita que a “Síndrome do Pânico” seja provocada por um desequilíbrio químico do organismo, como já foi provado cientificamente, e que a pessoa entra em pânico por ver algo que “lhe dá grande pavor”, como a visão de um cão feroz. Quem entende o mínimo do assunto, sabe que a Síndrome acontece em qualquer lugar, na fila do supermercado, no banco, cozinhando em casa, que o Pânico é sorrateiro, silencioso, que não precisa nenhuma visão pavorosa ( real ou imaginária) pra acontecer. Um psicoterapeuta que não entende do mal da humanidade?! (do medo?!)

Os demais textos são também ruins, muitas citações de outros escritores ou para “encher linguiça” ou para tentar passar uma imagem de grande erudição. Para dizer que existe algo de bom nesse livro: as citações de outros escritores que ele usa entre os capítulos e nas crônicas em si, mas que têm mais utilidade “desencaixadas” das ideias do autor do que no contexto.

Resumo: um livro incoerente, sem unidade, inconsistente, com ideias frágeis, também contraditório, que fecha com um texto dramático sobre a morte do amigo do escritor, onde ele praticamente chama “deus” de assassino, que ele (deus) estaria feliz e que era o culpado pela sua dor. Uma pessoa totalmente desequilibrada.

Quando leio livros assim fico mais a favor ainda dos e- books. Um verdadeiro crime derrubar árvores pra imprimir isso.

Veredito: NÃO RECOMENDADO!

As cartas da filha de Drummond para o seu pai


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31/10/1902- Rio de Janeiro, 17/ 08/ 1987) poeta consagrado no Brasil, tinha um lado doce, carinhoso, era um paizão com a sua única filha Julieta, que faleceu de câncer generalizado 12 dias antes da morte do poeta. Ele tinha um relacionamento super estreito com a filha e não suportou a sua partida.

Fonte: Estadão

Os dois trocavam apelidos carinhosos: Enquanto Drummond chamava Maria Julieta de “julica”, “filha amada” e “filhareca”, Julieta retribuia com “Cacá”, “papai querido” e “poeta amado”.

Olha o capricho de Julieta Drummond escrevendo ao seu pai com apenas 8 anos:

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

( “As sem- razões do amor”)

Apaga a luz e acende o tablete


Em primeiro lugar: por que usar o nome “tablet”? Na língua portuguesa há um correspondente perfeito: “tablete”. Não sou purista, mas há um excesso de anglicismos e americanismos no vocabulário do brasileiro.

A ideia desse post surgiu depois de uma discussão no Facebook, onde a maioria das pessoas defendia o livro de papel. Deduzi que nenhuma delas possui um tablete. Isso anda acontecendo muito: “não conheço, mas não gosto”. Depois desse debate, fiquei a pensar sobre os argumentos que as pessoas utilizaram para defender os livros tradicionais: “nada substitui o prazer de folhear um livro, o cheiro do livro, a textura, a magia da biblioteca.”Decidi criar uma lista em prol dos tabletes:

1. A leveza. Os tabletes, ou leitores de livros digitais, pesam uns 200 gramos. Se todos os livros didáticos das crianças estivessem em formato digital, elas não carregariam excesso de peso nas mochilas, aliás, nem precisariam de mochilas, e não sofreriam problemas de saúde por essa causa.

2. Quantidade. Você pode carregar uma biblioteca enorme na sua bolsa: dependendo da memória do tablete é possível ter acesso imediato a 100- 200 mil títulos. O meu, por exemplo, é um bq Kepler de 8 GB com possível ampliação via cartão de memória, sua capacidade aumentaria em até 8 vezes.

3. Preço. Os e-books são muito mais econômicos se você é consumidor habitual de livros, fora que há uma infinidade de livros para baixar grátis pela internet.

4. Espaço físico. Os espaços ocupados pelos livros poderiam ser aproveitados para outras coisas, inclusive nas bibliotecas. Os espaços das estantes poderiam ser habilitados para colocar mais mesas e assim comportar mais leitores. Muitas bibliotecas públicas nas cidades e de universidades estão saturadas por falta de espaço de armazenamento. Exemplifico com a Complutense de Madrid, que guarda os livros da área de Letras em dois edifícios diferentes e há uma longa espera até o livro chegar na mão do estudante, tal processo pode demorar uma manhã ou tarde inteira. Os e-books evitariam esse problema.

5. Higiene. Os tabletes não acumulam poeira, fungos, bactérias, ácaros e todo tipo de micoorganismos prejudiciais à saúde. Fora restos biológicos, insetos e restos de comida.

6. Ecológico. Os tabletes são mais ecológicos do que os livros em papel. A indústria madereira é uma das mais selvagens e que destróem mais a natureza. Reciclar papel também polui, gasta energia, produz papel barato, mas de baixa qualidade e prejudicial à saúde. Só 30% do papel feito no Brasil provem de reflorestamento. O meu prazer de ler produz a derrubada de árvores e eu acho isso uma barbárie.

7. Mais recursos. Os tabletes permitem ampliar a letra, ter acesso rápido a dicionários e fotos, podemos sublinhar, acrescentar notas, selecionar trechos. E apagar isso tudo sem estragar nenhuma página.

8. Leitura noturna. Você pode ler à noite sem ter que acender a luz. Em viagens em trens, aviões, ônibus, você pode ler sem incomodar o vizinho, o mesmo não acontece com o livro de papel.

9. Cheiro. Para os defensores do “cheiro do livro em papel”, que consideram esse ítem essencial. Recentemente tive que comprar um livro (infelizmente, nem todos estão no formato digital “ainda”) que me deixou com dor- de- cabeça pelo seu forte cheiro à química, não sei se de cola ou outra coisa. Cheiro? Cheiro a mofo, à poeira. Prefiro os tabletes inodoros e o cheiro dos pinheiros, vivos, perfumando o ar.

10. Textura. Há tabletes que simulam a textura de papel e que reproduzem o barulhinho  do folhear das páginas.

11. Tinta. A qualidade da tinta digital é idêntica a dos livros, a qualidade das letras num tablete não deixa nada a desejar.

12. Envio grátis. Eu posso comprar e-books do mundo inteiro sem pagar frete. O custo de envio para o exterior de livros de papel são tão abusivos, que é inviável. Você pode ter o título que quiser, no idioma que escolher, ao alcance de um clique.

A única desvantagem do tablete? Esgotar a bateria, mas como todos já estamos acostumados a carregar telefones celulares, faça o mesmo com o tablete e não haverá problema.

O novo provoca uma certa “estranheza”. Alguém aqui sente falta dos discos- de- vinil, das fitas- cassete ou da máquina- de- escrever, por exemplo?

O livro de papel um dia será coisa do passado. As crianças do futuro nos acharão uns inconsequentes por termos destruído tanta mata virgem para fabricar papel. A leitura não pode ter um preço tão alto. Vira a página!

“A náusea”, Jean- Paul Sartre


Algo me aconteceu, não posso continuar duvidando. Veio como uma doença, não como uma certeza ordinária nem como uma evidência. Instalou- se pouco a pouco, eu me senti estranho, algo incomodado, nada mais (…). E agora cresce. (“A náusea”, p. 17)

Jean- Paul Sartre ( Paris, 21/06/1905 – Paris, 15/ 04/ 1980) existencialista e marxista- humanista (correntes de pensamento que também sou simpatizante) marido da filósofa Simone de Beauvoir.

Fumava cachimbo, o que produziu o escurecimento dos seus dentes. Sartre fumava, mas não só: também experimentou uma droga extraída de uma espécie de cactus chamada “mescalina”; aconteceu em 1929, mesmo ano em que conheceu a sua futura esposa Simone. A mescalina é um alucinógeno, causa efeitos como a sinestesia, é estimulante, provoca gargalhadas, potencializa os sentimentos, a introspecção, mas também tem efeitos negativos muito ruins como a depressão, paranóias, insônia, náuseas, alucinações, pânico, entre muitos outros. “A náusea”! Sartre contou numa entrevista, que ao consumir essa droga, viu caranguejos e que eles o perseguiam. Em “A Náusea”, ele fala dos tais caranguejos e outros seres (não usem drogas, crianças!):

Deixei cair meu braço ao largo das costas da zeladora e logo vi um jardim com árvores baixas e largas dos quais se penduravam imensas folhas cobertas de pelos. Formigas, centopéias e larvas corriam por todas partes. Havia animais mais horríveis ainda: seus corpos eram uma fatia de pão de forma tostada colocadas debaixo de pombas; caminhavam de costas com patas de caranguejo. (p. 101)

As drogas foram consumidas também por outro escritor que defendia seu uso para fins de “expansão da mente”, Aldous Huxley, contemporâneo de Sartre, além de ser viciado, era defensor do consumo de LSD (não foi boa ideia, morreu por causa dela).

Para estimular a sua imaginação, use o amor, a literatura, a música…o próprio Sartre cita Ella Fitzgerald, sugerindo o poder de cura que a música pode exercer sobre as pessoas. Enquanto tocava no bar “Some of these days”, Roquentin sentiu- se melhor, a Náusea o abandonou:

Não sabemos se Sartre escreveu “A náusea” baixo o efeito de algum alucinógeno, mas o fato é que o livro é impressionante. Impressiona por causa das perfeitas descrições do personagem Antoine Roquentin passando mal, são vertiginosas. Roquentin, um escritor de 30 anos, depois de viajar muito pelo mundo, decide morar na cidade (imaginária) de Bouville, de repente começa a sentir- se estranho e começa a agir, a mudar de hábitos e pensamentos por causa do que sente. Enxerga as pessoas deformadas, tem vertigens, a sua percepção da realidade e das pessoas muda. É um homem solitário, seus únicos interlocutores são Anny, sua ex- namorada, uma zeladora a qual mantêm relações sexuais e o Autodidata, que é um personagem sem nome próprio, mas sabemos que é um leitor ávido, ele lê pela ordem alfabética dos autores na biblioteca da cidade; homossexual e pederasta; Roquentin o vê tocando meninos na biblioteca, acabou aí a amizade e o Autodidata foi expulso da biblioteca.

Com os sentimentos à flor- da- pele, Roquentin passa a vivenciar sensações físicas que mudarão o sentido da sua vida. É o Existencialismo de Sartre gritando, pedindo a liberdade do “ser”. O homem só é homem com o seu conjunto de emoções, com suas idiossincrasias, a vida só tem sentido assim.

Nunca senti como hoje a impressão de carecer de dimensões secretas, de estar limitado no meu corpo, aos pensamentos leves que sobem como bolhas. Construo minhas recordações com o presente. Em vão trato de alcançar o passado: não posso escapar. (p. 62)

Sartre fala sobre uma verdade curiosa: a vida é menos interessante que a ficção. O dia a dia mata a aventura, além de tudo ser muito parecido, sem novidades. Quando a pessoa vive, não acontece nada. A decoração muda, o povo entra e sai, e isso é tudo. Nunca há começos. Os dias se sucedem aos dias sem tom nem som, numa soma interminável e monótona. Mas ao contar a vida é diferente, tudo muda; (p. 71) Todas as dificuldades dos personagens “parecem ser mais preciosas que as nossas, estão douradas pela luz das paixões futuras.” (p. 72) E pelo fim. Sabemos qual será o fim da história, controlamos o futuro.

“A Náusea”, que primeiro foi chamado de “Melancolia”, foi o primeiro romance filosófico de Sartre, começou a escrevê- lo em 1931 com 26 anos, a versão definitiva saiu em 1938.

Sou livre: não me resta nenhuma razão para viver, todas as que provei soltaram- se já e eu não posso imaginar outras. (p. 248)

Sartre, Jean- Paul. La Náusea, Madrid, Alianza Editorial, 2011.

71ª Feira do Livro de Madri 2012


No dia 25 de maio começará mais uma edição da Feira do Livro de Madri, que acontece no Parque del Retiro, região central da capital espanhola.

O fotógrafo espanhol Chema Madoz (Madri, 1958) criou o cartaz da feira esse ano. Ele tem um trabalho importante e muito premiado na área da fotografia conceitual. O fotógrafo utiliza objetos do cotidiano associando significados que vão além do seu uso habitual. Para o cartaz da Feira do Livro, ele utilizou os balões das histórias em quadrinhos saindo dos livros para dar a ideia de que os livros falam, dialogam com o leitor, uma explosão de vozes. “Para mim, os livros sempre foram uma caixa- negra da história do pensamento, que vão desenhando, com o passar do tempo, um magnífico mosaico da humanidade.” E acrescenta: “a leitura proporciona colocar- te em um ponto em que você pode ver a realidade através dos olhos do outro e isso sempre me pareceu um exercício interessante e enriquecedor.” Curiosamente, um dos livros preferidos de Madoz é “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

O país convidado desse ano é a Itália, espera- se grandes nomes da literatura italiana contemporânea, além de uma homenagem especial ao escritor italiano Antonio Tabucchi, falecido recentemente.

Notinha feliz


A partir de hoje ganhamos uma parceira de peso: a editora espanhola Planeta, que é uma multinacional com sede também no Brasil. Espero que a parceria seja frutífera e que possamos fazer muitos sorteios e promoções de livros para os leitores do Falando em Literatura.