Ser feliz é estar distraído. Dulce Maria Cardoso

O livro “Em busca da felicidade” é uma coletânea de dez textos escritos por escritores portugueses e angolanos: Dulce Maria Cardoso, João Tordo, José Luís Peixoto, Lídia Jorge, Maria Antonieta Preto, Maria do Rosário Pedreira, Ondjaki, Patrícia Reis, Pepeleta e Valter Hugo Mãe.

Eu sou especializada, gosto e tenho muito interesse na literatura lusófona, ou seja, todas as literaturas escritas em língua portuguesa, pode ser a brasileira, portuguesa, angolana, moçambicana. Nesse livro conheci escritores, como João Tordo (Lisboa, 1975), que nunca tinha lido. Decidi destacar o conto desse autor, porque foi o que mais gostei. O texto dele em tom de crônica, mas na verdade é um conto,  pois todos os elementos são inventados, conta uma história de quando “ele” ( o narrador) viveu em Londres e conheceu “Elsa” (título do texto). Elsa era uma vizinha e ajudava alguns imigrantes africanos que viviam num bairro pobre de Londres e eram perseguidos pelos neonazistas, os ultra- nacionalistas incomodados com o “preto e árabe” (p. 34), o Samir (nasceu Joaquim e mudou de nome), imigrante de Moçambique. Samir estava sendo vigiado, não podia sair para procurar trabalho, para comprar comida, não podia sair nunca de casa, porque quando saía era espancado por um grupo de ingleses racistas. Elsa pediu ajuda ao vizinho jornalista para denunciar no jornal em que trabalhava, o que não aconteceu porque não tiveram interesse pela matéria. A narrativa nos pega pelo lado emocional, a brutalidade, a perversidade e a violência extremas contra um imigrante completamente indefeso, choca. E sou imigrante, li esse texto chorando. Eu precisei de muitos dias para digerir o bolo que ficou travado na minha garganta. O final é trágico, cortou o meu ar: o imigrante que saiu de Moçambique, “em busca da felicidade”,  não chegou a nenhum lugar.

Marquem nas suas listas de leituras: João Tordo.

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4 comentários »

  1. Olá Fernanda, li o seu texto e fiquei curioso para ler João Tordo, apesar de triste o desfecho da história, parece intrigante e interessante o conto deste escritor português. Parabéns pelo seu blog, uma bela página.
    Se puder visite e conheça o meu blog de poesias http://www.poesiandoaki.blogspot.com
    Um grande abraço, saúde e paz para você!

  2. Ah, a propósito, Darlan só escreve descalço e… digamos… nu, completamente nu, do jeito que nasceu. Sempre pelas quatro ou cinco da manhã, porque depois tem mais o que fazer. O silêncio é algo como genética para ele, água, ar.

    Um abraço.

  3. Ser feliz nem sempre é o amor ,eu sei disso por que o amor mesmo me mostro o que ele faz as fezes com as pessoas as fezes te desse pisona mais as outras nao mais desejo felizidades para quem esta lendo iisso beijos : ana carolina de oliveira escobar

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