Feira do Livro de Madri 2012


A Feira do Livro de Madri acontecerá, como todos os anos, no Parque del Retiro entre os dias 25 de maio a 10 de junho de 2012. Esse ano o país convidado é a Itália. A Embaixada da Itália na Espanha e o Instituto Italiano de Cultura de Madrid participarão da organização do programa de encontros a nível político e cultural.

O grande escritor e ensaísta italiano Claudio Magris (Trieste, 10 de abril de 1939) irá inaugurar as atividades culturais da Feira. O evento promete trazer grandes nomes da literatura italiana e cita alguns como Roberto Calasso e Erri de Luca.

Foi na Feira do Livro de Madri que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente grandes nomes da literatura como Isabel Allende, Jostein Gaarder, Julia Navarro, Alberto Vázquez- Figueroa, Ángeles Caso, Arturo Pérez- Reverte e o último Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa, entre outros.

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As manias dos escritores


Escrever um livro é muito difícil. Escrever um livro bom é mais difícil ainda. Escrever uma obra- de- arte atemporal é mais difícil que ganhar na loteria, probabilidades mínimas. Escritores que se tornaram clássicos têm que ter algo diferente, especial, e geralmente têm mesmo. Muitos deles foram/ são excêntricos, cheios de manias, veja:

Thomas Mann era super obsessivo com seus personagens, tanto, que criava até uma assinatura para eles.

Gabriel García Márquez precisa estar num quarto com uma temperatura determinada e tem que ter uma flor amarela na mesa, senão não senta para escrever. Sempre trabalha descalço e se não se sentir inspirado não escreve nada.

John Steinbeck escrevia com lápis redondos para não ferir os dedos.

Mario Vargas Llosa escreve todos os dias às 7 da manhã, pontualmente. É obsessivo com a ordem dos seus livros, que são organizados por temas, tamanhos, países e estão rodeados de hipopótamos.

Haruki Murakami acorda às 4 da madrugada e escreve por seis horas. Pela tarde corre 10 km ou nada 1500 metros, lê, escuta música e dorme às 9 da noite. Disse que segue essa rotina sem variações, como se fosse uma hipnose que o faz alcançar um profundo estado mental.

Henry Miller tinha mania de comodidade, que para ele era essencial. Se estivesse incômodo não conseguia escrever nada substancial.

Antonio Tabucchi só escreve em cadernos escolares.

José Saramago só escrevia duas folhas de sulfite por dia, nem uma linha a mais.

Norman Mailer seguia um esquema muito rígido de trabalho, só escrevia segunda, terça, quinta e sexta.

Pablo Neruda escrevia com tinta verde.

John Updike se passava por uma crise de criatividade, pensava no futuro, no seu livro numa biblioteca pública. Imaginava a cena com muitos detalhes e ganhava forças pra continuar a escrever.

Jorge Luiz Borges entrava na banheira de manhã e pensava no que havia sonhado, se valia a pena escrever um poema ou relato.

Jorge Edwards aproveita qualquer papel, em qualquer lugar e anota todas as suas ideias.

Isabel Allende é muito supersticiosa, sempre faz simpatias antes de começar a escrever e só começa seus romances no dia 8 de janeiro. Acende uma vela e só escreve enquanto ela estiver acesa, se a vela apagar ela pára na hora e deixa tudo como estiver.

Ernest Hemingway escrevia com um pé de coelho no bolso.

Michael Chrichton era super obsessivo com seu trabalho, casou cinco vezes e uma das suas esposas reclamou que ele era super ausente, só pensava nos seus livros.

Isaac Asimov vivia para escrever, trabalhava todos os dias da semana, oito horas por dia, não existia feriado nem fim de semana pra ele. Escrevia 35 páginas por dia e só revisava seus trabalhos uma única vez.

Fonte: http://www.papelenblanco.com/

Resenha: “Em busca da felicidade”, coletânea de contos portugueses


Ser feliz é estar distraído. Dulce Maria Cardoso

O livro “Em busca da felicidade” é uma coletânea de dez textos escritos por escritores portugueses e angolanos: Dulce Maria Cardoso, João Tordo, José Luís Peixoto, Lídia Jorge, Maria Antonieta Preto, Maria do Rosário Pedreira, Ondjaki, Patrícia Reis, Pepeleta e Valter Hugo Mãe.

Eu sou especializada, gosto e tenho muito interesse na literatura lusófona, ou seja, todas as literaturas escritas em língua portuguesa, pode ser a brasileira, portuguesa, angolana, moçambicana. Nesse livro conheci escritores, como João Tordo (Lisboa, 1975), que nunca tinha lido. Decidi destacar o conto desse autor, porque foi o que mais gostei. O texto dele em tom de crônica, mas na verdade é um conto,  pois todos os elementos são inventados, conta uma história de quando “ele” ( o narrador) viveu em Londres e conheceu “Elsa” (título do texto). Elsa era uma vizinha e ajudava alguns imigrantes africanos que viviam num bairro pobre de Londres e eram perseguidos pelos neonazistas, os ultra- nacionalistas incomodados com o “preto e árabe” (p. 34), o Samir (nasceu Joaquim e mudou de nome), imigrante de Moçambique. Samir estava sendo vigiado, não podia sair para procurar trabalho, para comprar comida, não podia sair nunca de casa, porque quando saía era espancado por um grupo de ingleses racistas. Elsa pediu ajuda ao vizinho jornalista para denunciar no jornal em que trabalhava, o que não aconteceu porque não tiveram interesse pela matéria. A narrativa nos pega pelo lado emocional, a brutalidade, a perversidade e a violência extremas contra um imigrante completamente indefeso, choca. E sou imigrante, li esse texto chorando. Eu precisei de muitos dias para digerir o bolo que ficou travado na minha garganta. O final é trágico, cortou o meu ar: o imigrante que saiu de Moçambique, “em busca da felicidade”,  não chegou a nenhum lugar.

Marquem nas suas listas de leituras: João Tordo.