A redoma de vidro, Sylvia Plath


                        A ideia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites más. (Friedrich Nietzsche)

Um dos livros mais complicados que li na minha vida, não porque seja uma leitura difícil de entender, rebuscada, mas no sentido da temática: a depressão e o suicídio.

O romance autobiográfico (mas não totalmente, pois os nomes de pessoas e lugares foram modificados, o termo mais adequado seria “Roman à clef”) da poetisa americana Sylvia Plath (Boston, 27/10/1932 – Primrose Hill, Londres, 11/02/1963), “A redoma de vidro” (em Portugal “A Campânula de Vidro” e na Espanha “La campana de cristal”) publicado pela primeira vez em 1963 sob o pseudônimo de Victoria Lucas, narra a sua própria história em duas épocas: num período em que foi estagiária numa revista feminina em Nova York e durante a sua depressão/distúrbio bipolar e tentativa de suicídio em Massachusetts.

A personagem principal, Esther Greenwood, uma estudante universitária brilhante, que conta as suas aventuras e noitadas por Nova York com suas amigas Doreen e Betsy, pessoas que admira, mas que não se sente identificada; também não se identifica com o estilo de vida nova yorquino, que não a estimula, a aborrece, o que ela deseja mesmo é ser escritora. Ela conta sobre o drama da intoxicação alimentar que sofreu num jantar da revista em que estagiava, da tentativa de estupro que sofreu, do seu desejo de ter sua primeira experiência sexual, do medo da gravidez, do casamento e de uma futura vida como esposa e mãe. Tinha medo de casar com a pessoa errada. Em muitos momentos cita seu namorado Buddy Willard, um futuro médico que contraiu tuberculose e que depois descobriu ser um hipócrita.

Quando voltou para a casa dos seus pais em Massachusetts para passar o verão, sua mãe  deu a notícia de que não foi aceita para um curso de redação que ela desejava muito, ficou muito decepcionada e começou a fazer reflexões sobre o seu futuro, queria fugir dos estereótipos impostos às mulheres, decidiu que iria escrever um romance, mas admitiu que não tinha experiência para escrever um livro. Começou a ter dificuldades para dormir e a partir daí descreve todos os processos labirínticos da depressão, que ela descreveu com a metáfora da “redoma de vidro”, como se estivesse em uma vida paralela, presa, não podia sair. Esther foi diagnosticada como doente mental e começou a levar eletrochoques. Ela decidiu que não queria mais passar por isso, seu estado piorou, e surgiram as ideias suicidas, começou a escolher a melhor forma de sair da vida. Tentou o afogamento, cortar os pulsos e a intoxicação com ansiolíticos falida. Ela consegue recuperar- se em outra clínica diferente da primeira com a ajuda financeira de Philomena Guinea, escritora e sua mentora.

O suicídio de Sylvia Plath acontece aos 30 anos, quando já era mãe de dois filhos e separada pelas infidelidades do poeta inglês Ted Hughes. A poetisa teve o cuidado de vedar a porta do quarto em que os filhos pequenos dormiam para que o gás não os matasse, deixou a janela aberta, leite e biscoitos. Na foto abaixo, Sylvia e os filhos Frieda e Nicholas:

Foto de Sylvia Plath e o marido Ted Hughes, que trocou Plath pela também poetisa Assia Wevill, que morreu da mesma forma que Sylvia, suicidou- se com gás, que também matou a sua filha de apenas 4 anos.

Sem dinheiro, sem sucesso profissional e amoroso, adoece outra vez e usa gás de cozinha para suicidar- se. Possivelmente Sylvia sofria de transtorno bipolar, fosse hoje, poderia ser facilmente controlado. O drama da depressão foi herdado pelo filho caçula de Plath, Nicholas, que suicidou- se no Alasca em 2009, não era casado e nem tinha filhos. Era um solitário professor universitário que não conseguiu vencer a depressão. Na foto Sylvia e Nicholas, ambos com um triste final:

Esther ou Sylvia não conseguiu encontrar o seu lugar no mundo, não conseguia ser o que era e não aguentou com o peso da vida imposta, acabou prisioneira na sua caixa de vidro, onde tudo via, sabia, sentia, mas não conseguia encontrar a porta de emergência, perdeu- se em si mesma em busca de uma perfeição impossível.

Está sendo produzido agora o filme baseado em “A redoma de vidro” (“The Bell Jar”). Julia Stiles é a produtora e protagonista da história. Uma nova versão para o filme rodado em 1979, estrelado pela atriz Marilyn Hasset.

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