Uma mulher apaixonada


Eu tenho um caso de amor e ódio com o passado: adoro relembrar as coisas bonitas e num apego desesperado, tentar revivê- las de alguma forma, nem que seja num mundo imaginário ou naquele estado de semiconsciência do mundo onírico. Às vezes é muito bom, mas às vezes provoca angústia, já que o passado vive no presente de outra forma, mesmo porque já não sou a mesma, o tempo é outro, não estou no mesmo lugar, nem com as mesmas pessoas. Na verdade, o passado é relativo, pelo menos o passado que nos marca, esse também vai conosco, vive no presente, só a indiferença é o esquecimento. No entanto, não podemos deixar que o passado nos prive de conhecer novas coisas, pessoas e horizontes. O apego ao passado pode ser muito negativo, quando podemos ter muito mais benefícios e prazeres com o presente. Há que se deixar levar…

Eu tentei resistir, tentei agarrar- me às páginas cheias de mofo, guardar todos os livros da minha vida em estantes herméticas, catalogadas, resisti à todas as novidades, porque achava que o que tinha era melhor. Mas o cerco foi se fechando, o espaço foi diminuindo e eu senti a necessidade de crescer, de jogar tudo pela janela e começar de novo, de outra forma.

Comprei um tablet! E agora posso dizer que sou uma mulher apaixonada por essa nova forma de leitura, super prática, barata (inclusive gratuita) dos e-readers! Quanto tempo, espaço e dinheiro perdi com os meus livros ocupando todo meu espaço, fora que um e-book é muito mais ecológico, não sei quantas árvores mortas existem nas minhas estantes. Eu era uma defensora do livro de papel e confesso que errei, que existem mil e um argumentos à favor dos livros eletrônicos, hora de ir mudando os costumes pouco a pouco. Vou contando…