Fundido em Branco, Luis Martinez- Falero


                                         “O estrangeiro crê que sua memória
                                           retém ainda a imagem da sua terra
                                           e contudo
                                           o único que fica que é a pergunta:
                                           o lugar impreciso da chegada
                                          o lugar impreciso do regresso.” (p. 43)

O poeta espanhol Luis Martínez- Falero Galindo (Albacete, 1965) é doutor e professor de Teoria da Literatura na Universidade Complutense de Madrid. Sua obra poética consta de cinco livros:

* Memória do desterro (1989)

* Plenitude da matéria (1998)- Prêmio Adonáis de Poesia

* Teoría da devastação (1995)

* Palimpsestos (2005)

* Fundido em branco (2011)- Prêmio hispanoamericano de poesia Juan Jamón Jiménez 2011)

E é sobre o seu último livro, Fundido em branco (“Fundido en Blanco”), que vou falar um pouco aqui, pois é uma verdadeira obra- de- arte da poesia na atualidade. Poemas intimistas,  possivelmente confessionais ( o poeta emigrou de Albacete a Madri) mas que falam de sentimentos universais: solidão, esquecimento, saudades, medo…

Sofri um processo de identificação, como se toda aquela solidão, morte, esquecimento e saudade fossem meus. Quando uma obra te faz passar pela catarse aristotélica, que é uma espécie de purificação da alma através de um processo de descarga emocional, pode ter certeza que esse é um bom livro. A literatura pode ter essa função catártica de liberar conflitos interiores através das emoções, como também acontece em outros âmbitos artísticos como o teatro ou quando você assiste um filme dramático. Com esses poemas eu sofri esse processo, porque os tomei como meus e liberei emoções- aquelas da imigrante na Espanha, que não sabe quando vai voltar para casa- se é que algum dia vai voltar.

O livro é belo, bem escrito, original, rico em imagens e existe um capítulo justamente com esse nome: Imagens. Vozes, sombras, corpos transfigurados em silêncio, o tempo e as fissuras que ele provoca e tudo o que se perde. Resquícios de memória, “ventos que já não movem moinhos”. Aquele velho moinho, o amornamento (p.35), nem frio nem calor, mas resiste.

Eu tive a sorte de ganhar um exemplar autografado pelo poeta:

                                             Luis Martinez- Falero, outubro de 2011.

O livro pode ser comprado online na Livraria Popular .

*O primeiro desenho é de Keiko Fuentes

*O segundo desenho é de José Garrido

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