Os dados estão lançados, Jean- Paul Sartre


Há um certo preconceito contra os grandes nomes da literatura: “Ah, é muito chato!” ou “É muito difícil de entender!”. Não, longe disso. Pense que se eles passaram a fazer parte dos cânones da literatura mundial é porque têm algo especial, que vale a pena conhecer. Geralmente são mesmo brilhantes.

Um desses grandes escritores é Jean- Paul Sartre (Paris, 21 de junio de 1905 – Paris, 15 de abril de 1980) sua literatura deveria ser mais popular do que é. Esse mês o francês faria 106 anos.

Sarte escreveu um romance genial e delicioso de ser lido, “Os dados estão lançados”, de 1947 (“La suerte está echada”, título da edição espanhola que eu li e o título original: “Les jeux sont faits”, onde o escritor conta uma história metafísica, mística, mas sem ser religiosa.

A morte depois da vida e a vida depois da morte. Depois que uma pessoa morre é possível voltar à vida? Os personagens Pierre e Eve tiveram essa oportunidade que é dada só em casos especiais. Os dois foram assassinados, suas vidas eram muito diferentes, não se encontraram, não deu tempo. O ser que rege o Universo e que cuida da vida e da morte, o “Diretor”, também comete erros, então o artigo 140 vem para reparar possíveis equívocos:

“Se em consequência de um erro, um homem e uma mulher destinados um ao outro, não se encontram durante a sua vida, podem reclamar e obter autorização para voltar a Terra, dentro de certas condições para ir viver ali o amor e a vida em comum que lhes foi indevidamente  frustrada.” (p. 77)

Os dois têm uma nova oportunidade, mas descobrem que o destino é mais forte que o livre- arbítrio, que por mais empenho que se coloque em algo, a vida parece estar encaminhada para uma direção determinada. Essa mensagem deixada por Sartre pode provocar duas reações: resignação e alívio, “já que o Destino rege a minha vida, não tenho culpa ou mérito por tudo que me acontece, vou relaxar!”; ou desesperança e temor, “por mais que eu faça e me esforce, a Sorte está lançada, não tenho controle sobre a minha vida, qual será o meu Destino, então?”.

Essa obra de Sartre foi levada ao cinema, produção francesa pós- guerra (1947), de Jean Delannoy:

Livro totalmente recomendado não só para quem gosta de temas místicos, metafísicos, pois é um livro que fala sobre coisas comuns a todos os seres humanos. Quem nunca questionou alguma vez: há vida após a morte? Para onde vamos quando morremos? Os mortos nos podem ver? A visão de Sartre sobre essas coisas é interessante, numa narrativa deliciosa e ágil.

Existe uma versão disponível, tradução portuguesa grátis, clicando aqui.

Sartre, Jean- Paul; La suerte está echada, Losada, Buenos Aires, 2004. 155 páginas

Preço: 7 euros

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