Dia de São Jorge: dia de flores e livros na Espanha


O Dia Internacional do Livro foi instituído pela UNESCO em 15 de novembro de 1995 em Paris. A tradição começou em Barcelona com a “Festa do livro espanhol”, em 1926. A data de 23 de abril foi escolhida porque coincide com a morte de Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega no ano de 1616.

O Dia Internacional do Livro é celebrado em mais de 100 países. A tradição espanhola manda  presentear livros aos homens e rosas às mulheres.

Vários eventos literários pela cidade:

A editora Planeta e a lista de autógrafos dos escritores da casa em Barcelona, clique aqui.  O jornal “El País” transmite o evento de “Sant Jordi” (São Jorge em catalão) no seu blog: clique aqui.

Aqui a agenda de atividades da livraria La Central, clique aqui.

Bate- papo com escritores espanhóis promovido pelo jornal Público, clique aqui.

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“Calima”, Lêdo Ivo


Como todos os homens, sou inacabado/ Jamais termino de ser (p. 10)

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Foto: Fernanda Sampaio

Lêdo Ivo (Maceió, 18-02-1924) escritor de prosa e verso, esteve no dia 13 de abril de 2011 na cidade de Madri (Espanha) apresentando o seu livro “Calima” (“Mormaço”), em português e espanhol.

“Calima” é um livro de poemas denso, um pouco triste, que fala muito da morte, mas também do amor e da vida, como se fosse uma conclusão de tudo. Da sua jornada,  tudo o que ficou  e não ficou. Poema (p. 80):

Não te iludas mais

nessa caminhada.

Não há diferença

entre um mausoléu

e uma cova rasa.

O tempo não passa

de um filho da puta

que, ao passar por nós,

de nós leva tudo

e não deixa nada.

E da fugacidade das coisas (p. 36):

Coração presunçoso

De nada adianta

negar a verdade.

Não temos passagem

para a eternidade


O mormaço avança

e envolve a cidade.

Tudo é provisório.

Nada é realidade. (…)

A apresentação foi no 2º andar da livraria La Central do Museu Rainha Sofia. Cheguei e fiquei observando Lêdo Ivo folheando livros no 1º andar. Ele passou por mim e eu o cumprimentei, trocamos algumas palavras, “brasileira de onde?!”, simpático. Subiu para o 2º andar pelo elevador e eu subi pelas escalas, a sala já estava cheia. Fiquei de pé o tempo todo, poucas cadeiras para muitos assistentes. A apresentação começou com o crítico Juan Manuel Bonet (Paris, 1953) que é crítico literário e o mais importante expert em pintura da Espanha, depois a leitura dos poemas feita por Lêdo em português e Martín López-Vega (1975, Poo, Asturias) poeta e editor, em espanhol.

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Juan, Lêdo e Martín. (Foto: Fernanda Sampaio)

“Calima” é uma edição bilingue (português e espanhol) e consta de 120 poemas que falam de temas diversos, de Maceió e de Paris, de sentimentos e realidades, outros são puro lirismo e outros a crua realidade.

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Foto: Fernanda Sampaio

O meu livro autografado por lêdo Ivo

Ivo, Lêdo. Calima. Vaso Roto, Barcelona, 2011. 313 páginas


 

 

Lêdo Ivo em Madri


No ano passado , Lêdo Ivo (Alagoas, Maceió, 18 de fevereiro de 1924), esteve em Madri apresentando o seus livros “Plenilunio” e “Rumor noturno”. O imortal ocupa a cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras:

Foto: Ciela Fraguas

A finalidade da vida é a própria vida. Viver é aprender a viver, aliás é uma coisa que você não aprende nunca, você morre sem ter aprendido a viver.

O sotaque melodioso, nordestino, a simpatia e a risada gostosa você pode ouvir nessa entrevista do escritor concedida para a  jornalista Rita Siriaka.

E esse grande poeta brasileiro, que também é cronista,  jornalista, ensaísta e romancista, estará em Madri mais uma vez apresentando o seu livro “Calima”, na livraria La Central do Museo de Arte Reina Sofia, quarta- feira,  dia 13 de abril, das 19:30 – 22:30.

Vamos?! E já que é abril:

Soneto de Abril

Agora que é abril, e o mar se ausenta,
secando-se em si mesmo como um pranto,
vejo que o amor que te dedico aumenta
seguindo a trilha de meu próprio espanto.

Em mim, o teu espírito apresenta
todas as sugestões de um doce encanto
que em minha fonte não se dessedenta
por não ser fonte d’água, mas de canto.

Agora que é abril, e vão morrer
as formosas canções dos outros meses,
assim te quero, mesmo que te escondas:

amar-te uma só vez todas as vezes
em que sou carne e gesto, e fenecer
como uma voz chamada pelas ondas.

Lêdo Ivo