Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe


A vida do homem não é mais que um sonho. (Goethe)

Johann Wolfgang von Goethe (Hesse, Alemanha, 28/08/1749- Turíngia, Alemanha, 22/03/1832) escritor, dramaturgo e cientista, fez escola e inaugurou o Romantismo. É  considerado pela crítica um dos melhores escritores do mundo. Participou do “Sturm und Drang”( “Tormenta e ímpeto” ) que foi um movimento artístico- literário alemão que serviu como lema do Romantismo.

Sim, sou só um vagabundo, um peregrino nesse mundo.Por acaso sois algo mais?(p. 121)

“Os sofrimentos do jovem Werther” (1774) é o romance precussor do Romantismo e também foi o primeiro livro alemão conhecido internacionalmente. A obra reúne muitas características do movimento romântico: o individualismo e o subjetivismo, o instinto e  a exacerbação dos sentimentos, o escapismo e a imaginação, a religiosidade, o sonho, o culto à natureza, a melancolia, a idealização da mulher e do amor, etc.

O personagem principal, o jovem Werther, artista sensível às coisas do mundo e do amor, sai da cidade para morar numa pequena aldeia alemã, buscava recolhimento, a natureza e o escapismo (fuga da realidade). Lá conhece Lotte, noiva de Albert. Começa a frequentar a casa de Lotte e acaba apaixonado pela mulher, que por sua vez, ama o seu noivo.

Que aconteceria se Albert morresse? (p.123)

Werther tenta ocultar esse amor impossível, sublime, mas ao mesmo tempo angustiante, viveu todas as contradições do amor. O jovem  conta a história em forma de cartas, o destinatário principal é seu amigo Wilhelm, também escreve um diário. Livre tradução:

Ela é sagrada para mim. Todo desejo se aplaca na sua presença. E quando estou com ela, não sei o que me acontece, é como se a minha alma percorresse todos os meus nervos. (p. 84)

Werther sente apreço pelo noivo de Lotte. Albert é um homem nobre e carinhoso, o que provoca ainda mais confusão no jovem apaixonado. Ele tenta afastar- se de Lotte, mas não consegue, sofre quando vê o casal junto, tenta fingir normalidade:

Aperto os dentes e zombo da minha própria desgraça. (p. 86)

Certamente, Albert é a melhor pessoa do mundo. (p. 89)

Na época da publicação de “Os sofrimentos do jovem Werther”, ocorreu uma onda de suicídios entre os jovens da época. Em plena explosão do Romantismo, cujo Amor é o que move o homem e o mundo, Goethe conseguiu reproduzir em palavras o sentimento dos leitores, causando grande comoção. Esse sentimento amoroso que vai do sublime ao trágico, fatal, amor sem saída, que vai minando e corroendo o coração como um bicho ruim,  que leva a uma única via possível: a morte.

(…) Sem dúvida, é mais fácil morrer que aguentar com entereza uma vida atroz. (p. 91)

Goethe mostrou o amor que dilacera a alma, vira pesadelo, delírio, prisão. A narrativa passa a ser dor, sufoco, pena. Werther despede- se de Lotte em 10 de setembro de 1771 e sai do povoado. Começa a segunda parte do livro. O jovem volta para a cidade e demonstra uma leve recuperação, começa uma carreira diplomática no governo de Napoleão. A falta de poesia na linguagem exigida no seu trabalho o deixa irritado:

Que não falte nenhum ‘i’ e nenhuma conjunçãozinha. (p. 107)

A vida burguesa desgosta a Werther, sabe que “a diferença de classes é necessária” (p. 109), mas essa não deveria impedir as relações e as alegrias que essa interação proporciona. Talvez uma mensagem/crítica que Goethe quis fazer à sociedade da época.  Não esqueceu Lotte, apesar de todas as distrações da cidade. Werther acaba deixando o trabalho e volta a Wahlhein para ver a sua amada. Lotte também descobriu- se apaixonada por ele.

O suicídio.

Tal e como a natureza tende ao outono, se fez outono em mim e ao meu redor. (p. 124)

********************************

No link a seguir, você pode fazer uma visita virtual à bela Casa- museu de Goethe.

Casa de Goethe

Biblioteca de Goethe

Wilhelm, que seria de nosso coração em um mundo sem amor? (p. 83)

A edição da “Austral” espanhola vem com muitas citas, que me dispersaram muito da história do livro, que é o que realmente interessa. Tudo vem “mastigado”, com um prólogo mais extenso que o próprio livro, creio que isso não beneficia o desenvolvimento do senso crítico. Creio que essa é uma das funções principais da leitura: que as pessoas pensem, investiguem  e descubram por si próprias as coisas que não entendem ou desconhecem. Recomendo ler críticas e resenhas de livros após a leitura, antes podem influenciar com ideias preconcebidas.

Goethe, Las penas del joven Werther. Austral, Madrid, 2007. 174 páginas

Preço: 9,25 euros, livraria do El Corte Inglés

Anúncios