O dia em que te esqueci


Esse foi o primeiro livro que li da portuguesa Margarida Rebelo Pinto (Lisboa, 1965): O dia em que te esqueci. Para todas as mulheres que viveram um grande amor. A todos os homens que o perderam.

Se fosse mais leve,  bem- humorado e fashion eu o classificaria de chick- lit, mas não é o caso. A autora conta a história de um amor que não deu certo. O cara levava uma vida paralela com outra mulher, que nunca abandonou. Esse homem foi o grande amor da sua vida (fala em 1ª pessoa) talvez a história da própria escritora. Ela escreve uma carta dirigida a esse homem contando a sua vida sem ele, seus sentimentos e romance com outro homem, que ela achou que poderia substitui- lo, mas não foi assim. O príncipe virou um sapo intragável. A primeira parte do livro é a mais interessante, o resto é só uma coleção de clichês e frases prontas, onde primam a falta de originalidade e recursos literários.

É só mais uma história de amor e desamor, comum, como milhares que há na rede e na nossa “vida real”, mas que ainda assim, pode ser recomendável para leitores principiantes, porque é uma leitura fácil, que pode servir de introdução para algo mais substancial.

Uma coisa que me chamou a atenção em Margarida é que ela escreve com um português bastante legível para os leitores brasileiros, inclusive cita Elis Regina e também fala da forma como os brasileiros usam o verbo “ser ligado à paixão. Eles dizem ‘sou apaixonado por você’ para distinguir de ‘estou apaixonado por você’.” (p.39) Não é uma coisa genérica para a autora ter estipulado dessa forma. É uma coisa pessoal e não coletiva.

Acho um excelente caminho o utilizado por Margarida Rebelo, o de usar uma língua inteligível nos dois países, sem tantas peculiaridades portuguesas, para que os brasileiros tenham um acesso fácil. Essa deveria ser a tendência das editoras portuguesas, já que somos um mercado enorme de leitores, muito maior que o português.

O amor aparece para alterar o rumo da tua vida, e acaba sempre por conseguir quer queiras, quer não. (p. 31) Pena que não podemos prever se para bem ou para o mal. Se ela esqueceu aquele amor? Acho que não. Cada pessoa é única e ninguém pode substituir ninguém.

Pinto, Margarida R. O dia em que te esqueci. Portugal. Oficina do Livro, 2010. 171 páginas

Preço: 12.92 euros

 

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