Tristessa, Jack kerouac


Tristessa (1955- 1956), podia ser felicidade com tristeza, mas é só tristeza. Foi o primeiro e mais querido livro de Jack Kerouac (Lowell, Massachusets, 12/03/1922- St. Petersburg, Flórida, 21/10/1969), sua família de origem francesa, idioma que dominava totalmente.

Tudo o que faço, colho (p. 29)

Jack Kerouac não sabia falar espanhol. Escreveu Tristessa e publicou sem emendas e orgulhava- se disso. O espanhol escrito no livro é o falado, o idioma tal como ele o entendia: “Eztô duenté” (“Estoy enferma”, “estou doente”) queixava- se Tristessa, que era viciada em morfina. O livro foi escrito em duas partes: a primeira, em 1926 e a segunda, um ano depois.

Os personagens principais são Jack (mesmo nome do autor), um americano que viaja para o México e Tristessa, uma “índia asteca, com olhos de misteriosas pálpebras à Billy Holliday, (…) uma tez de penugem de pêssego” (p. 16).

O ambiente é de pobreza e decadência no submundo mexicano das drogas, prostituição e falta de recursos.

Os animais: o gato pulguento e magro, a galinha tão querida, a pomba e o cachorro Chihuahua moram com Tristessa e  sua família. Gente e animal se confundem, convivem como iguais, dormem nas mesmas camas, comem a mesma comida, comportam- se por instinto e sobrevivência. Ocorre uma espécie de troca sinestésica, animal racional pelo irracional e vice- versa, um estágio intermediário: homem quase animal e animal quase humano. No entanto, tudo é feito com naturalidade, naquela realidade que poderia ser só de infelicidade, mas não é isso que acontece e Jack usa um tom que hoje seria considerado “politicamente incorreto”, generalizado: “Tudo é tão pobre no México, as pessoas são pobres, e, todavia, fazem tudo com ar feliz e despreocupado, seja lá o que for.” (p. 34).

Kerouac explica no vídeo (legendado em português) o que é a “Geração Beat”, termo inventado por ele para designar o movimento artístico- literário, hippie, que acontecia na época:

Jack estava apaixonado por Tristessa e entrou no seu mundo. Realidade ou delírio provocados pelo “whiskey” misturado com a morfina e o amor, Jack (personagem e autor parecem confundir- se) interage com os animais e a sensação é de caos total.

Verdades que Jack aprendeu na Cidade do México: todas as pessoas nascem para morrer e para amar…Jack: “La vida es dolor” (A vida é feita de dor). Tristessa: “mas a vida também é amor”. (p. 56)

Tristessa na realidade chamava- se “Esperanza” e era uma prostituta que Jack Kerouac se relacionou. Jack, autor e personagem, não disse que amava Tristessa/ Esperanza e foi tarde demais para salvá- la. Há quem diga que o amor é mais forte que tudo.

Essa história é um triste tratado de como destruir- se com as drogas e, provavelmente, um tratado de arrependimento. Kerouac morreu de um ataque cardíaco aos 47 anos, já bem envelhecido, por causa das drogas.

Desde o começo insondável dos tempos até o futuro infinito, os homens têm amado as mulheres sem lhes dizerem (…) (p.61)

Kerouac, Jack. Tristessa. Lisboa, Relógio D’água, 2009. ( 97 páginas)

Preço Wook (Portugal): 14,13 euros

Esse post vai dedicado à Francine Ramos, menina cheia de histórias pra contar 🙂

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5 Comments »

  1. Oi, Fer! Vim correndo ler o seu post, o meu vou publicar no final do mês, pois tenho outros temas na fila de espera…rs

    Gostei do jeito que você abordou a história de Jack, gostei de ver a foto dele, o vídeo sobre a tão falada geração beat. Eu estou com vontade de ler todos os outros livros dele, o cara é bom, o texto flui numa naturalidade muito bacana.
    Interessante a relação que você criou entre eles (os drogados) e os animais – todos agindo por puro instinto.

    Obrigada por compartilhar, tenho certeza que faremos isso mais vezes 😉
    Beijos!

  2. Que autor lindo!!!! Já tinha ouvido falar muito de Tristessa, mas a oportunidade de ler nunca apareceu. Li outros autores da Geração Beat, e gosto da dose de realidade da ficção de alguns. Eles me lembram o realismo/naturalismo do Upton Sinclair e ‘A Selva’.

    Vou acrescentar Tristessa a minha lista de leituras, com certeza!!

    Bjo!

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