A morte de Clarice Lispector, por Ferreira Gullar


Ferreira Gullar era amigo de Clarice Lispector. Quando soube de sua morte (1977) não conseguia parar de pensar na amiga recém- falecida. Escreveu “Na vertigem do dia” no táxi indo para o aeroporto, pensando nela:

Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju*
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós


Veja o escritor contando como soube da morte de Clarice e aonde compôs o poema:

* No poema original (recitado pelo poeta no vídeo) o nome do cemitério é  São Francisco Xavier, em edições posteriores o cemitério simplesmente foi citado como “Caju”.

 

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