A última entrevista de Clarice Lispector


Para quem lê os livros de Clarice Lispector, mas nunca deu voz à escritora, essa entrevista é uma jóia. É uma oportunidade para tentar desvendar um pouco da enigmática personalidade de Clarice. Também podemos conhecer um pouco mais da sua vida particular e sobre como produzia a sua literatura. Nessa entrevista ela diz que a literatura é uma forma de “salvação e maldição”, e que se considera uma amadora. Escreve para livrar- se de si mesma. Podemos conhecer um pouco da Clarice na sua própria voz, sua língua presa, seu sotaque nordestino. A entrevista foi concedida ao jornalista Júlio Lerner em 1977, poucos meses antes de Clarice falecer, já estava com câncer, mas não sabia. Inclusive ela se queixa de cansaço.

Na última parte ela comenta sobre o seu último livro “A hora da estrela”, que conta a história de uma moça nordestina “tão pobre que só comia cachorro- quente”. Depois desse livro ela disse estar “morta”, ficava vazia, oca, sofria um período “hiato”, como ela disse.

“Quando eu não escrevo, eu estou morta” (Clarice Lispector)