Feliz 2011!


“Quem acredita sempre alcança”, mas tem que acreditar mesmo: em você e nos seus sonhos. Fechando um ciclo, uma década.

“Mais uma vez”, Legião Urbana.

O novo ano 2+0+1+1: 4, na numerologia o 4, que por acaso é o dia do meu nascimento e sempre considerei o meu número da sorte. Pela simbologia sagrada significa os quatro elementos da Terra: água, fogo, terra e ar, a gênese, a raiz de todas as coisas que acontecem no nosso planeta. As quatro estações do ano, as quatro fases da lua, o trevo de quatro folhas. O quatro simboliza a fortaleza e no tarô é a carta do Imperador.

Acredito que o ano de 2011 será um dos melhores a nível mundial pela força cósmica do número quatro. É um número que contém todos os elementos da natureza e eu acredito na força da natureza, para mim ela é Deus.

Na Espanha, a tradição/superstição de passagem de ano é comer 12 uvas nos 12 últimos 12 segundos do ano simbolizando sorte para os  12 meses do ano que acaba de entrar.

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“Perto do Coração Selvagem”, Clarice Lispector


“Continuo sempre me inaugurando, abrindo e fechando círculos de vida, jogando- os de lado, murchos, cheios de passado. (…) Momentos tão intensos, vermelhos, condensados neles mesmos, que não precisam de passado nem futuro para existir.” (Clarice Lispector)

A escritura de Clarice é composta por senhas, mensagens, enigmas…sobre a sua própria vida?

Não sei se foi sorte ou infortúnio poder escorregar tão profundamente no mundo interior, no mais profundo da alma humana, como fez Clarice Lispector. Nossa escritora ucrano- brasileira, inaugurou um jeito diferente de escrever no Brasil: a literatura psicológica. Desde o seu primeiro livro, “Perto do coração selvagem”(publicado em 1943) escrito aos 20 anos, Clarice correu o risco de ficar presa numa zona com difícil retorno. E talvez tenha ficado. Não podemos julgar a sua personalidade apenas por sua obra, mas existem depoimentos que comprovam o mau estado de ânimo de Clarice Lispector durante a sua vida, um deles:

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de “meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

(Caio Fernando de Abreu, Porto Alegre, 22 de dezembro de 1979, em uma carta dirigida ao amigo e jornalista José Márcio Penido, trecho retirado do site http://www.releituras.com)

Na linha dos grandes escritores, a genial Clarice Lispector escreveu  “Perto do coração selvagem”, com uma entrega total, sangue e dor, com uma força criativa abismal para uma menina de apenas 20 anos. Muitas vezes duvidei que tenha sido ela mesma a escritora desse livro, pela pouca maturidade e vivências que pode ter uma jovem dessa idade. No entanto, Clarice não era uma pessoa comum e não deve ter sido uma jovem das mais simples. Possivelmente, Clarice tenha nascido escritora, e nesses casos raros, a experiência não conta muito, já que em seu mundo psicológico ela conseguia recriar experiências absolutamente reais, que nos identificamos e que nos provocam facilmente um estado de catarse. No caso desse livro, em tão tenra idade, Clarice conseguiu imitar a vida. Ela mesma fala algo sobre o “gênio”, sobre certa cegueira que é necessária para o artista conseguir enxergar certas coisas. Será que foi uma reflexão que fez sobre si mesma? Cito:

Não é o grau que separa a inteligência do gênio, mas a qualidade. O gênio não é tanto uma questão de poder intelectivo, mas da forma por que se apresenta esse poder. Pode- se assim ser facilmente mais inteligente que um gênio. (p. 119)

Joana é uma jovem personagem com uma vida dramática, órfã de pai e mãe, que acaba indo viver com seus tios, os quais não se identifica e acaba se fechando. Ainda entrando na adolescência, apaixona- se pelo seu professor, muito mais velho e casado. A história é narrada em tempos diferentes, Joana menina e Joana mulher. A Joana adulta é casada com Otávio, onde cria um mundo psicológico para tentar ser feliz, entre o conflito do amor e ódio vai oscilando, tentando encontrar uma paz impossível. Paz que não encontrou também na vida pessoal.

 Na época da escritura de “Perto do coração selvagem”, Clarice vivia um conflito muito grande, um amor impossível: apaixonou- se pelo escritor mineiro Lúcio Cardoso, homossexual assumido, segundo a biografia de Clarice escrita pelo jornalista norte- americano Benjamin Mose. Casou- se no mesmo ano da publicação dessa sua primeira obra (1943) e já divorciada nos anos sessenta, envolveu- se com o escritor Paulo Mendes Campos, casado. Clarice amou Paulo até o fim dos seus dias, segundo Mose, que acredita que os desamores de Clarice aumentaram o seu poder de criação.

Será a sua obra reflexo de si mesma? Clarice era uma escritora entregada…seus livros, seu espelho? Difícil não sentir vontade de decifrar Clarice.

9789727085743

Lispector, Clarice.Perto do coração selvagem. Relógio D’água, Portugal, 2000.

Preço: 13 euros

O império do efêmero, Zygmunt Bauman (conferência, Madrid, 2010)


Estamos vivendo a era do passageiro. Quase nada é feito para durar, tudo passa veloz e acaba caindo na insignificância.  Todo mundo tem pressa, urgência, ninguém entra mais em labirintos, a preferência é pelos atalhos. Chega- se antes, mas não se aprecia a paisagem, o caminho. A aprendizagem, que só o tempo proporciona fica prejudicada. Os bons pratos precisam de tempo para serem degustados, mas o fast- food prevalece. Até as pessoas são descartáveis na hora das relações de trabalho. A balança é descompensada e sofre o lado mais fraco. A troca é injusta, desigual. Quantos precisam sofrer para um só ficar rico?

Reflexões depois de assistir a conferência “Desigualdade na era moderna líquida”, do filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman (19-11-1925, Póznan- Polônia) catedrático emérito das universidades de Leeds e Varsóvia, que impressiona pela vitalidade, memória e lucidez aos seus 85 anos. Foi um imenso prazer ouvir Bauman por quase uma hora, que em pé, expôs seus pensamentos acerca das mudanças e das desigualdades nas relações sociais contemporâneas.

 Zygmunt Bauman na Universidad Complutense de Madrid (Campus Somosaguas), Espanha, 10-12-2010 (foto: Fernanda Jiménez)

Na Europa, as desigualdades entre pobres e ricos estão aumentando, nos países em vias de desenvolvimento está acontecendo o contrário, segundo Bauman. As dificuldades fiscais, as exigências dos trabalhadores e sindicatos,  acabam fazendo com que as grandes empresas “peguem seu notebook e celular e se mudem de país”. Mudam para outro lugar onde os empregados trabalhem mais, sem reclamar, por muito menos e os governos colaborem com incentivos e baixos impostos. Por isso, citei à princípio a “balança descompensada”, o trabalhador é descartável, tudo é muito fácil para o empregador no mundo globalizado e pior para o empregado, frágil, desprotegido e prescindível nesse processo todo.

(foto: Fernanda Jiménez) 

Zygmunt Bauman surpreendeu no final da sua conferência citando José Saramago e declarando- se apaixonado pela obra do escritor português. Disse que descobriu Saramago depois do seu falecimento e ficou fascinado pelo escritor humanista. Leu uma cita do livro- diário de Saramago, “Cadernos”, que faz uma série de questionamentos sobre a situação de exploração, miséria, humilhação, dor de muitas pessoas para enriquecer apenas uma. “Até quando?!”

 

Zygmunt Bauman, filósofo


“Desigualdade na era moderna líquida” é a conferência que Zygmunt Bauman (Polônia, 1925) filósofo e ensaísta vai dar amanhã na Universidad Complutense de Madrid (Campus Somosaguas- Pozuelo de Alarcón).

Umberto Eco na Complutense


Olha que convite mais bacana! Imperdível!

Umberto Eco (Alexandria- Itália, 05-01-1932) mais conhecido pelo grande público pelo livro “O nome da Rosa”, que virou filme:

Ele vai apresentar seu novo livro “O cemitério de Praga”, no próximo dia 14 de dezembro, às 19:00 hs, na Universidad Complutense de Madrid. Vamos?!

 

 

 

“Nem todas as verdades são para todos os ouvidos”. Umberto Eco


Seminário Internacional: “Cidades Míticas e exóticas”


Foi celebrado na Universidad Complutense de Madrid, nos dias 30 e 01 de dezembro, o “Seminario Internacional: Ciudades míticas y exóticas en la literatura de viajes y en la ficción” coordenado pela professora catedrática Eugenia Popeanga, do departamento de Filologia Românica que formou um grupo de pesquisa para estudar a cidade em diversos contextos. Os trabalhos desse grupo podem ser vistos na revista “Ángulo recto”.

 

 

 

 

Na foto (esquerda para direita): Rocío Mejía (UCM), Jean- Pierre Castellani (Universitè de Tours), a mediadora e Juan José Ortega (UCM, tradutor da série “Millenium” para o espanhol), que falaram sobre “Os mistérios de Veneza” na literatura de viagens.

Carmen Mejía(UCM) falou sobre a cidade de Santiago de Compostela. “Uma viagem de descobrimento das cidades míticas da Ásia”  foi apresentado pelos pesquisadores Bárbara Fraticelli, María Navas e Ángel Clemente, todos da UCM.

Sobre a cidade de Constantinopla (hoje Istambul, Turquia)  falou- se sobre “Uma aventura de conquista e uma imagem postal”. Adorei a comunicaçao  “Uma princesa em Constantinopla: Marta Bibescu”, de Doina Popa- Liseanu (UNED), trabalho bem interessante sobre uma princesa um pouco rebelde e muito à frente do seu tempo; o professor Juan M. Ribera (UCM) catedrático especializado em literatura catalana (que , segundo ele, vai ser extinta ano que vem na UCM) e a professora Eugenia Popeanga falaram também sobre Istambul na ficçao.

Adorei a comunicaçao do professor Michel Wattremez (ACF Embaixada da França) que falou dos labirintos que podem ser certas cidades como Istambul. Fiquei com os seguintes pensamentos “O objetivo de certas coisas nao é chegar rápido, e sim, perder- se. O sofrimento pode ser um caminho de criaçao literária. Encontrar uma cidade é encontrar- se a si mesmo.”

Eugênia Popeanga e Luis Martinez- Falero Galindo professores da Universidad Complutense de Madrid apresentaram o livro “Ciudad en obras”, uma antologia de ensaios sobre a cidade vista em obras literárias.

Esse é o professor Luis Martinez- Falero Galindo, professor do departamento de Língua espanhola, literatura comparada e teoria da literatura da UCM, por acaso, o diretor da minha tese.

Conjunto de câmara espanhol “Sonor Ensemble”


O “Sonor Ensemble” é um conjunto de câmara formado por solistas e professores da Orquestra Nacional da Espanha. Nao é um grupo com a maioria de integrantes fixos, vao mudando conforme a obra. A música deles, apesar de ser clássica, tem aquele toque pós- moderno, eles utilizam outras partes dos intrumentos que a priori nao sao para ser tocadas. Essa apresentaçao foi ontem na Universidad Complutense de Madrid:

 

 

 

 

No clarinete, Antonio Lapaz Lombardo (Madrid, 1976) foi aplaudido por mais de 5 minutos. O senhor lá atrás é o pianista Sebastián Mariné, ele tem um cd gravado com música espanhola para saxofone e piano e um cd com as sonatas de Robert Stevenson.

 

 

 

 

 

 

Essa é a islandesa Gudrún Ólafdóttir, soprano. Uma bela voz e muita teatralidade.  Ela cantou alguns versos do capítulo XX, 2ª parte de “El ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha”, de Cervantes.

 

 

 

 

 

Esse é o maestro Luis Aguirre, com um super currículum, figura importante e atuante na música clássica.

 

 

 

 

 

 

 

Esse teatro é na Complutense, “Paraninfo de la Facultad de Filología”. Pena que eu nao tive a liberdade de fotografar à vontade por causa do barulho do obturador, porque eles estavam gravando ao vivo, creio que para a RTVE e a sala tinha que ficar em absoluto silêncio. Engraçado o ataque de tosse que deu em algumas pessoas e os olhares irritados e as esperas dos músicos.

Primeiro post de dezembro. Estamos a um passo do final do ano.